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Essa dinâmica mutação
da Universidade vem sendo muito positiva para
a nova geração de pós-graduandos,
pois representa uma libertação de
alguns paradigmas que nos estagnavam.
E,
onde há intensa modificação,
há a oportunidade de participação
coletiva no processo.
A FAPESP de hoje, em consonância com as
entidades de fomento federais, mostra uma tendência
de mudança na sistemática da pós-graduação,
valorizando programas de doutoramento direto e
projetos de pesquisa temáticos e multicêntricos.
Até recentemente, estes aspectos eram pouco
comuns nas Universidades, e os programas de Mestrado
eram preponderantes e emblemáticos do processo
de pós-graduação stricto
sensu.
Para minha geração, vivenciar essa
transição tem sido favorável,
uma vez que pude agregar elementos das diferentes
fases da Universidade. Fiz um curso de mestrado
em uma área clínica, que conservou
uma programática de peso no aprimoramento
prático e da pesquisa clínica (810
horas, do total de 2190 horas). Este programa,
que a meu ver é fundamental e indissociável
de um mestrado na área clínica,
viabilizou o progresso de linhas de pesquisa da
Disciplina e me permitiu levar essa bagagem a
outros centros, como a Divisão de Odontologia
do Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina USP e a Fundação
Pró-Sangue Hemocentro de São
Paulo, que ofereceram cooperação
com o projeto de pesquisa clínico-laboratorial
que conduzi.
E, ao fazer uma análise da atual mudança
no panorama dos cursos de pós-graduação
no país, sempre defendo que é importante
saber articulá-la com as finalidades da
pesquisa científica e com o componente
comunitário certamente o que mais
me marcou em minha formação clínica.
A formação sólida no campo
da docência (e da formação
de opinião) só foi possível
graças à tradição
que os cursos de pós-graduação
em Odontologia cultivaram na Universidade em que
sempre estudei, e em cujos exemplos me espelho
até hoje.
A relação professor-aluno bem conduzida
serviu-me de modelo de conduta no meio acadêmico
e na vida. Minha relação com os
pacientes cristalizou-se de grandes lições
de vida que pude ter com a casuística de
transplantados renais e hepáticos do Hospital
das Clínicas da FMUSP, em meu mestrado
e, atualmente, no doutoramento.
Não há dúvida de que o desenvolvimento
tecnológico que estamos vivendo nos lança
a modificações de grande impacto
na Universidade, delineadas, em parte, por tendências
e ideais externos à sua comunidade. Projetos
como o FAPESP-Genoma têm dado destaque à
pesquisa nacional, e despertado incentivos estrangeiros
a essa causa. Não obstante, nem sempre
tais modificações se encontram,
de imediato, inseridas no papel de integração
da Universidade com os problemas sociais.
Um exemplo positivo de que é possível
vencer essa dificuldade vem sendo dado pelo governo
brasileiro às potências mundiais
e à sua indústria, no tratamento
coletivo da AIDS.
É possível articular uma meta de
ideal comunitário e modificar, ainda mais,
a sistemática de pesquisa e pós-graduação
na área da Saúde. O brasileiro tem
reconhecida criatividade para conseguir um equilíbrio
com as demandas e pressões externas a suas
metas. A pós-graduação, a
meu ver, pôde dar à minha geração
oportunidade de vivenciar esse novo delineamento
do fomento à pesquisa, e com ele interagir.
No entanto, é nosso direito e dever manter
o papel social da Universidade, uma vez que estamos,
provavelmente, na fase mais atuante de nossas
vidas, e plenamente identificados com os problemas
atuais.
No nosso ambiente e contexto, em que desenvolvemos
projetos atrelados a recursos nem sempre suficientes,
a criatividade de que dispomos pode ser bem aproveitada
na pesquisa, no ensino e na extensão universitária.
É necessário que cada um faça
a sua parte e a faça soar em seu meio...
e construiremos um mundo melhor.
Vale a pena!
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