Rumos
da Pesquisa Odontológica
O
questionamento e a inerente curiosidade humana em desvendar
o desconhecido, associados à necessidade de desenvolver
recursos para a solução dos problemas com
que normalmente se defrontam, constituíram as bases
para o processo evolutivo da Humanidade.
Todavia, por mais que o conhecimento se desenvolva, continuam
sempre a persistir as interrogantes COMO? PORQUE? QUANDO?
ONDE? a estimular a continuidade do processo evolutivo
e exigindo, por sua vez, o contínuo aprimoramento
técnico cientifico por parte dos pesquisadores.
O desenvolvimento das pesquisas, na atualidade não
permite mais que ela seja conduzida como no passado, sob
uma forma quase que amadorística.
A figura do pesquisador questionando isoladamente já
não existe. Hoje, o trabalho em equipe, freqüentemente
multidisciplinar é predominante.
Na Odontologia e a exemplo do que ocorre em qualquer outra
área do conhecimento, as diretrizes que norteiam
a investigação científica são
as mesmas. A evolução da tecnologia resultando
em melhor capacitação profissional, está
diretamente vinculada com o incremento e o aprimoramento
das pesquisas. Os pesquisadores têm à sua
disposição recursos técnicos e equipamentos
que possibilitam a obtenção respostas à
quesitos sequer imagináveis há poucos anos
atrás. Como resultado, a análise do conteúdo
das nossas principais revistas científicas revelam
estes aspectos.
No passado, éramos meros importadores do conhecimento,
mesmo aqueles básicos dirigidos à informação
teórica. Posteriormente, o intercâmbio incrementado
pelo maior acesso às bolsas de estudo no exterior,
permitiu a formação de uma elite capacitada
cientificamente, responsável pela implantação
de núcleos de pesquisa vinculados às nossas
melhores Universidades. Estes núcleos, aglutinando
novos e jovens valores, constituíram os pilares
fundamentais para a instituição e implantação
dos cursos de pós-graduação.
O reflexo de todo esse processo pode ser verificado através
da análise dos Anais das reuniões anuais
da SBPqO. De um início incipiente , quando eram
apresentados poucos e em sua maioria singelos trabalhos
, na atualidade é marcante a quantidade de bons
projetos e adequadamente conduzidos. Paralelamente aos
aplausos e premiações dirigidos às
melhores pesquisas pelo seu valor intrínseco, deve-se
também apoiar e estimular as outras mais singelas,
principalmente quando originadas de pesquisador ou grupos
de pesquisa em formação, colaborando para
o seu aprimoramento técnico-científico.
A SBPqO representa, na atualidade, a principal vitrine
do que melhor se produz em pesquisa no Brasil. O seu entrosamento
com outras entidades congêneres do exterior, ao
mesmo tempo que propiciou serem ampliadas as possibilidades
de divulgação dos novos conhecimentos aqui
gerados também acarretou maiores responsabilidades
aos nossos pesquisadores na elaboração e
condução de seus projetos. O acesso aos
veículos de maior divulgação e as
facilidades de comunicação e intercâmbio
que a globalização propiciou resultam, direta
e indiretamente aos nossos pesquisadores em melhores condições
para a continuidade de seus trabalhos.
A comunidade científica que criou a SBPqO e promoveu
o seu crescimento está de parabéns. Todavia,
é dessa mesma comunidade a responsabilidade de
mantê-la e aprimorá-la, estimulando o seu
incremento qualitativo e ressalvando sempre, os seus mais
elevados propósitos.
|
Prof.
Flávio Zelante
Ex-Presidente da SBPqO
Professor Titular (aposentado) do Depto. de Microbiologia
do ICB USP
|
|