Análise
Crítica da Pesquisa Nacional
O
Brasil, no ano 2000, nas diversas áreas de atuação
e de acordo com informações do Diretório
dos Grupos de Pesquisa, Currículo Lattes, tinha
32.500 doutores/pesquisadores em atividade. Comparando-se
esses dados com os da década de setenta, observa-se
uma expansão considerável, principalmente
com a criação de novos Programas de Pós-Graduação.
Em 1976, existiam 673; em 2000, contabilizavam-se 2.357.
Assim, também cresceu o número de alunos
titulados: em 1976, eram 2387; em 2000 totalizaram 23.718,
sendo que metade dos doutores/pesquisadores apresentava-se
com 5 anos ou menos de titulação. O panorama
não deve ter sofrido modificações
muito profundas. A indagação básica
é este contingente de doutores realmente
pesquisa?
Como estará a pesquisa Odontológica? O que
estamos fazendo? Depreende-se, no entanto que a atividade
de pesquisar difere da atividade de publicar, e apesar
do aumento observado na última década a
nossa participação em termos de publicações
internacionais foi apenas de 3.06%. Uma constatação
deste fato é o baixo número de patentes
na odontologia, área que lida com uma gama de materiais
e técnicas diversificadas. O exercício profissional
curativo da odontologia brasileira é respeitado
e reconhecido internacionalmente e, a despeito de todas
as dificuldades, é líder na América
Latina em publicações mas, o impacto das
nossas pesquisas ainda está distante de um reconhecimento
mundial. Todavia, se almejarmos a área odontológica
desenvolvida e forte, tecnologias próprias devem
ser criadas, levando em consideração a nossa
realidade, principalmente para que se consiga um mínimo
de independência científica e tecnológica.
Porém os recursos alocados para pesquisa pelas
agências governamentais de fomento vêm paulatinamente
diminuindo e ainda não se buscou o caminho de financiamentos
pelo setor privado, talvez uma saída para a falta
crônica de recursos.
É quase impossível reverter esse quadro
em um curto espaço de tempo, pois, temos ainda,
uma hegemonia regional arraigada, dificultando ações
específicas e direcionadas. Mudanças são
necessárias, mas são difíceis, principalmente
se mantivermos boa parte da produção acadêmica
atrelada a repetições improdutivas, professores
burocratas a reproduzirem aulas já ultrapassadas
e a fazerem da academia um cabide de emprego. No entanto,
há uma saída.... pesquisar. |
Profa.
Maria Carmeli Sampaio
*Mestrado e Doutorado: Faculdade de Odontologia
de São Paulo FOUSP- Clínicas
Odontológicas Área de Semiologia
*Coordenadora Geral dos Programas de Pós-Graduação
em Odontologia da Universidade Federal da Paraíba.
e do Programa Integrado de Pós-Graduação
em Odontologia UFPB-UFBA
*Pesquisadora do CNPq
*Consultora AD HOC da CAPES
*Membro da Comissão de Especialistas da ABENO
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