Grupo B1.................................................................................................. B-001 à B-043

 

  B001

 

Responsabilidade civil do cirurgião-dentista: o pós-tratamento ortodôntico.

F. FERNANDES*, H. F. CARDOZO.

Departamento de Odontologia Social – FOUSP. E-mail: fernandfernandes@uol.com.br

O objetivo deste trabalho foi investigar quais os procedimentos clínicos e as dificuldades do ortodontista no pós-tratamento ortodôntico (contenção e pós-contenção), verificando se as condutas adotadas satisfazem possíveis reclames de pacientes que já terminaram o tratamento corretivo, com base nas determinações do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor quanto ao relacionamento profissional/paciente. A literatura ortodôntica é controversa no que diz respeito a técnicas, tempo, estabilidade e dificuldades inerentes ao tratamento. Um questionário foi enviado pelo correio a todos os especialistas inscritos no CRO/PR; 92 enviaram respostas. A análise percentual das respostas obtidas demonstrou que 72,8% dos profissionais não têm consciência plena do tempo para reclamos à Justiça em relação ao tratamento odontológico. Não conhecem o Art. 177 do CCB (83,7%). Adotam contrato (66%), fazem ressalvas (49%), porém não estão cientes da validade das mesmas (58%). A maioria (62%) considera a responsabilidade civil do ortodontista como de resultado. Nos casos de recidiva pós-contenção, 69% propõem retratamento ortodôntico. Perante a insatisfação do paciente com o resultado do tratamento ortodôntico, 55% dos profissionais responderam que procurariam, de qualquer forma, evitar que o mesmo implementasse ação de ordem cível.

O desconhecimento da lei e a existência de controvérsias no pós-tratamento ortodôntico, podem estar levando o ortodontista a responder civilmente pelas movimentações dentárias e alterações neuromusculares que ocorrerem nessa fase. (Apoio financeiro: CAPES/PICD.)

  B002  

Conhecimento sobre câncer oral entre estudantes de nível médio.

C. A. G. BARBOZA*, P. K. D. TRINDADE, R. L. F. XAVIER, A. L. L. COSTA.

Faculdade de Odontologia – UFRN. E-mail: caugusto@cb.ufrn.br

Com o objetivo de avaliar o nível de conhecimento sobre câncer oral, foram entrevistados 1.000 indivíduos na faixa etária de 15 a 18 anos, alunos do ensino médio em escolas públicas e particulares de Natal/RN. Os estudantes foram questionados sobre o conhecimento de medidas preventivas do câncer oral, fatores de risco, prática do auto-exame de boca, sinais e sintomas das lesões malignas orais, importância do diagnóstico precoce e, ainda, sobre que profissional de saúde eles procurariam caso encontrassem alguma alteração nos tecidos orais. Os estudantes apresentaram, de modo geral, um baixo nível de esclarecimento sobre o câncer de boca, sendo que 38,9% dos entrevistados relataram já ter recebido informações sobre prevenção. Somente 16,0% e 48,2% dos entrevistados apontaram, respectivamente, o consumo de bebidas alcoólicas e o hábito de fumar ou mascar fumo como fatores de risco para o câncer oral. Apesar da maioria dos entrevistados (52,4%) ter relatado a prática do auto-exame da boca com freqüência, observou-se que os mesmos não conhecem as possíveis formas clínicas do câncer oral. O médico seria o profissional de saúde procurado por 64,8% dos entrevistados, caso identificassem alguma alteração na cavidade oral.

Concluímos ser necessária a adoção de estratégias eficazes de orientação à população sobre o câncer oral e de uma maior participação dos cirurgiões-dentistas neste processo.

 

  B003  

Dimensões do modelo de crenças em saúde e comportamento de higiene oral.

R. GALVÃO, A. MONTEIRO da SILVA, M. C. HAMOND *, G. A. de SOUZA, C. A. S. ARAÚJO.

Departamentos de Odontologia e Psicologia, Faculdade de Odontologia, Universidade Gama Filho.

O acúmulo de placa dental desempenha um papel importante na etiologia da cárie e doença periodontal. O presente estudo investigou se as dimensões do Modelo de Crenças em Saúde (MCS) (susceptibilidade percebida em relação a doenças dentais, severidade percebida das condições orais, benefício da manutenção de um alto nível de higiene oral, e motivação para atingir e manter elevado padrão de higiene oral) poderiam predizer o acúmulo de placa dental. Os sujeitos foram 68 pacientes da Clínica Odontológica da Universidade Gama Filho. A placa dental foi medida em todos os dentes (SILNESS & LÖE, Acta Odontologica Scandinavica, 22, 121-135, 1964) e as dimensões do MCS, avaliadas por escalas analógicas visuais. Foi produzida uma Regressão Múltipla, tendo a placa como variável dependente e as dimensões do MCS, gênero e educação, como variáveis independentes. Dois preditores alcançaram significância de 5%: severidade percebida das condições orais e gênero. O coeficiente de determinação, R2, foi de 0,15.

Estes resultados indicam que pacientes que percebem suas condições dentais de uma forma mais severa tendem a apresentar níveis significativamente mais altos de placa dental antes do tratamento. Como também confirmam observações prévias de que os índices de placa dental são mais elevados em homens do que em mulheres.

  B004  

Processos de responsabilidade profissional contra o cirurgião-dentista.

D. G. RAMOS*, E. M. GOMES, U. O. FRUGOLI, H. F. CARDOZO.

Departamento de Odontologia Social da FOUSP e Instituto Médico Legal/SP.

O objetivo deste trabalho é analisar a freqüência dos processos de responsabilidade profissional no âmbito criminal, em pacientes periciados no Núcleo de Odontologia Legal do IML/SP nos anos de 1998 e 1999, avaliando a especialidade odontológica que resultou na abertura do processo e se a reivindicação do paciente é procedente ou não. Foram realizadas análise quantitativa e qualitativa dos 39 laudos de responsabilidade profissional contra cirurgião-dentista (16 em 1998 e 23 em 1999), levando-se em conta a especialidade denunciada e a avaliação do tratamento, no que refere ao desempenho funcional e estético, de conformidade com a ciência odontológica. Verificou-se o aumento de 43,75% do número total de processos no ano de 1999 em comparação ao ano de 1998. Das especialidades, as mais freqüentemente denunciadas foram cirurgia e prótese (37,5% cada) em 1998 e, em 1999, além dessas (cirurgia, 34,78%; prótese, 26,09%), a implantodontia (21,74%).

Constatamos, na atualidade, acentuado aumento do número de processos de responsabilidade profissional contra o cirurgião-dentista, cujas denúncias procedentes foram mais freqüentes do que as não-procedentes, principalmente nas especialidades de cirurgia, prótese e implante.

 

  B005  

Fluorose dentária e opacidade localizada de esmalte em escolares do Rio de Janeiro.

P. M. MILBOURNE*, B. H. OLIVEIRA, A. D. FREITAS.

PRECOM – FO/UERJ. Tel.: (0**21) 587-6389. E-mail: primilbourne@uol.com.br

Esta pesquisa teve como objetivo determinar a prevalência e severidade de fluorose dentária e de opacidades localizadas de esmalte em crianças matriculadas em uma escola pública do município do Rio de Janeiro. A população de estudo foi constituída por 266 escolares, com idades entre 7 a 12 anos, selecionados pelo método de amostragem aleatória simples. Os exames clínicos foram realizados no segundo semestre de 1999 por um único examinador calibrado (kappa =  0,97). Após consentimento dos pais, as crianças tiveram seus incisivos superiores permanentes examinados sob luz natural, depois de terem sido limpos e secos com rolos de algodão. Foram utilizados os critérios preconizados por Russel para o diagnóstico diferencial entre casos de fluorose leve e opacidades de esmalte decorrentes de outras causas. A severidade de fluorose dentária foi medida pelo índice de Thylstrup e Fejerskov. Obtiveram-se os seguintes resultados: a) a prevalência de fluorose foi igual a 7,9% (IC 95%; 5,0 – 11,8), com graus de severidade variando de 1 a 3; b) a prevalência de fluorose em meninos (8,73%) e meninas (7,14%) não apresentou diferença estatisticamente significativa (Qui-quadrado, p = 0,63); c) a prevalência de opacidade localizada de esmalte foi igual a 8,6% (IC 95%; 5,6 – 12,7), sendo que em 87% das crianças afetadas apenas um dente encontrava-se comprometido.

Concluiu-se que a fluorose dentária e a opacidade localizada de esmalte não constituem problemas de saúde pública para a população estudada.

  B006  

Avaliação da severidade das maloclusões de pacientes ortodônticos.

T. D. COSTA, J. A. M. MIGUEL.

O processo de seleção de pacientes para tratamento em instituições públicas, onde a procura excede o número de vagas, vem sendo realizado de uma maneira arbitrária e subjetiva. Uma das formas de contornar esta situação, seria a utilização de índices oclusais, a fim de determinar de uma maneira mais precisa a real necessidade de tratamento. O objetivo deste estudo foi avaliar o grau de severidade das maloclusões de 982 pacientes do arquivo do Curso de Especialização em Ortodontia da UERJ, a partir dos seus respectivos modelos iniciais, utilizando o Índice de Necessidade de Tratamento Ortodôntico (Index of Orthodontic Treatment Need - IOTN), apresentado por BROOK e SHAW (Eur. J. Orthod., v. 11, p. 309-20, 1989), que avalia o comprometimento oclusal (Componente de Saúde Dental - DHC), e também o prejuízo estético (Componente Estético - AC). Os modelos iniciais foram avaliados por um único examinador, seguindo o protocolo do índice. Foi observado que 90,1% dos casos foram classificados dentro dos escores máximos de DHC, 4 e 5, o que significa uma maior necessidade de tratamento, e quanto aos escores de AC, 46,8% foram classificados nos níveis 8, 9 e 10, indicando um maior prejuízo estético.

Conclui-se que na instituição pesquisada, a seleção dos pacientes dá prioridade aos pacientes com uma grande necessidade de tratamento ortodôntico, demonstrando assim uma coerência no critério utilizado.

 

  B007  

Associação entre aleitamento natural e freqüência de sororreversão em crianças HIV positivas.

G. F. CASTRO*, M. B. PORTELA, A. RIBEIRO, I. P. R. SOUZA, R. HUGO.

FO/IPPMG/UFRJ. E-mail: glorinha70@hotmail.com

O aleitamento natural é uma das vias de transmissão do vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV) em crianças, sendo sua prática desaconselhada nesses pacientes. O objetivo deste trabalho é mostrar a relação entre a prática de aleitamento natural e a freqüência de sororreversão para o HIV em pacientes pediátricos. Dados de tipo de aleitamento e evolução clínica foram coletados de 118 prontuários médicos de crianças HIV+, pacientes do Ambulatório de AIDS Pediátrica (IPPMG/UFRJ) e do Projeto SIDA/AIDS em Odontopediatria. Foram utilizados os testes do Qui-quadrado (l2) e de Kruskal-Wallis para as análises estatísticas. De 118 avaliados, 94 crianças estavam com seus prontuários completos. A média de idade foi 55,2 ± 37,5 meses e 55% eram do sexo feminino e 45% do sexo masculino. Observou-se que da amostra estudada (n = 94), 77% (73) das crianças recebeu aleitamento natural (AN); das crianças que não receberam AN (21) 52% de suas mães faziam parte de um Programa de Atendimento à Gestante, sendo esta uma correlação estatisticamente significante (p < 0,0001 - l2). O percentual de crianças que soronegativaram (SN) foi 16% (15) no qual 86,7% (13) não recebeu AN e 13,3% (2) recebeu (p < 0,0001 - l2). Daqueles que receberam AN e SN, o tempo médio de aleitamento (TA) foi de 4,5 ± 0,7 meses em contraste com TA daqueles que receberam AN e não sororreverteram (11,0 ± 12,5 meses) (p > 0,05 – Kruskal-Wallis).

Pode-se concluir que a freqüência de sororreversão para o HIV esteve diretamente relacionada à prática de aleitamento natural. Programas de Assistência à Gestante são extremamente importantes para o aconselhamento e orientação das mães de crianças soropositivas para o HIV.

  B008  

Percepções e práticas odontológicas de pacientes com risco à endocardite infecciosa.

G. M. OLIVEIRA*, M. L. ALMEIDA, R. BARCELOS, L. CASTRO, I. P. R. SOUZA, M. C. A. CUNHA.

Odontopediatria, FO/IPPMG; UFRJ.

O objetivo deste estudo foi avaliar o nível de conhecimento e prática odontológica dos responsáveis por crianças e adolescentes, com risco à endocardite infecciosa (EI), atendidos em ambulatório de cardiologia pediátrica de uma instituição pública na cidade do Rio de Janeiro. 51 (n = 100) responsáveis foram entrevistados para preenchimento de formulário, contendo 17 perguntas fechadas e 4 abertas, referentes às percepções e atitudes dos mesmos em relação a importância da manutenção da saúde bucal como medida preventiva da EI. Para as análises estatísticas usou-se o teste do Qui-quadrado (p < 0,05). A média de idade dos pacientes foi 10,5 ± 5,9 anos, e 49,0% (n =  25) eram do sexo feminino. 44% dos pacientes possuíam acompanhamento cardiológico superior a 5 anos. Os resultados mostram que os responsáveis dos pacientes com maior acompanhamento cardiológico possuíam maior percepção sobre a EI (p = 0,067). A renda familiar predominante foi de 1 a 2 salários mínimos (46,9%). 36,7% (n = 18) dos pacientes escovam os dentes 3 X ao dia, porém 7,8% (n = 4) não escovam todos os dias. 27,5% (n = 14) dos responsáveis relataram a presença de sangramento gengival durante a escovação dos seus filhos, e 37,5% (n = 18) param de escovar os dentes caso este sangramento ocorra; 49,0% (n = 25) nunca vão ao dentista e 11,8% (n = 6) só procuram em caso de emergência. Apenas 33,3% (n = 17) responderam saber como ocorre a EI, e 82,4% (n = 14) destes foram alertados pelo cardiologista. 77,6% (n = 38) sabiam da necessidade do uso de medicação prévia a procedimentos dentários.

Os resultados sugerem que as percepçace="Arial" size="2">Os cal não foram ideais, apesar dos conhecimentos relativos à profilaxia antibiótica terem sido satisfatórios.

  B009  

Impacto psicossocial das lesões traumáticas em escolares de Belo Horizonte.

M. I. S. CÔRTES*, A. SHEIHAM, W. MARCENES.

Department of Epidemiology and Public Health – UCL. E-mail: galaco@gold.com.br

Não existem dados na literatura, sobre o impacto psicossocial na presença de lesões traumáticas dos dentes anteriores permanentes. Um estudo populacional de caso controle pareado foi utilizado para acessar o impacto psicossocial das fraturas de esmalte e dentina não restauradas, na vida diária dos escolares de Belo Horizonte, e comparar a um grupo de crianças que não apresentavam nenhum tipo de lesão traumática. O índice utilizado para medir o impacto foi o Oral Impact on Daily Performances (OIDP) (ADULANYON et al., Community Dent. Oral Epidemiol., 24 : 385-389). Foram selecionadas crianças entre 12 e 14 anos de idade, sendo adotada a proporção de dois controles por caso (2:1). Casos foram 68 crianças que apresentavam diagnóstico de fratura de esmalte e dentina, não restaurada, e controles 136 crianças que não apresentavam nenhum tipo de lesão traumática. Os grupos foram pareados levando-se em consideração a idade, sexo, e situação socioeconômica. Os resultados da regressão logística condicional demonstraram que crianças portadoras de dentes fraturados tinham 10,0 vezes mais chance de apresentar um impacto psicossocial (IC 95% = 2,2-45,6) do que aquelas não-portadoras de lesão traumática. Os resultados se mantiveram significativos para os itens do OIDP separadamente, “sorrir” (p < 0,001), “manter o controle emocional” (p < 0,001), “comer” (p < 0,01), “sair com os amigos” (p < 0,01), assim como para o OIDP total (p < 0,001), após ajustar pelas variáveis confundentes, Componente Estético do Índice de Necessidade de Tratamento Ortodôntico (AC – IOTN) e o índice CPOD, na regressão logística condicional múltipla.

Crianças portadoras de fratura de esmalte e dentina não-restaurada demonstraram mais impacto psicossocial quando comparadas a crianças não-portadoras de lesão traumática. (Apoio: CNPq.)

 

  B010  

Estudo dos fatores envolvidos na ocorrência dos traumatismos dentários.

E. A. M. COELHO*, P. O. BELISÁRIO, M. I. S. CÔRTES, J. V. BASTOS.

Departamento de Odontologia Restauradora da FO/UFMG. E-mail: galaco@gold.com.br

O presente estudo é uma análise da ocorrência de lesões traumáticas em pacientes atendidos na Clínica de Traumatismos Dentários da FO-UFMG nos últimos 12 anos. O objetivo principal foi determinar os fatores demográficos, etiológicos e clínicos relacionados aos traumatismos na dentição permanente, com a finalidade de estabelecer metas para a prestação de serviço e estratégias de prevenção para a cidade de Belo Horizonte. Estudos populacionais de vários países sobre a prevalência de lesões traumáticas na dentição permanente, revelaram percentuais entre 5,1% e 34,4%. Em Belo Horizonte foi demonstrada uma prevalência variando de 8% aos 9 anos até 16% aos 14 anos (CÔRTES, UCL, Tese de Doutorado, 1997). No presente estudo, foram avaliados os dados dos prontuários de 942 pacientes, numa faixa etária variando entre 5 e 68 anos. Os resultados estão de acordo com a literatura revisada demonstrando uma relação de 1.8:1 entre o sexo masculino e feminino. A faixa etária mais acometida foi a de 7 a 14 anos (72,1%). As causas mais comuns foram as quedas de bicicleta (17,2%), colisões contra objetos (16,3%) e violência (16,0%), ocorrendo principalmente na rua (42,0%), seguidas pelos acidentes em casa (31,2%) e na escola (17,5%). A lesão traumática mais comum foi a fratura de esmalte e dentina (33,0%), seguida da avulsão (14,8%), sendo os dentes mais acometidos, os incisivos centrais superiores (72,8%).

Na Clínica de Traumatismos Dentários da FO-UFMG a maioria dos pacientes atendidos pertenciam ao sexo masculino, na faixa etária de 7 a 14 anos. A etiologia mais comum foi a queda de bicicleta, ocorrida principalmente na rua. Os dentes mais acometidos foram os incisivos centrais superiores, apresentando na sua maioria fratura de esmalte e dentina. (Apoio: CNPq – PRPq/UFMG.)

  B011  

Relação entre a ansiedade e o comportamento de crianças durante o atendimento odontológico.

M. L. RAMOS-JORGE, M. T. V. MENESES*, D. GAUDERETO, S. M. PAIVA, I. A. PORDEUS.

Disciplina de Odontopediatria, FO-UFMG. E-mail: mtvmeneses@ig.com.br

A ansiedade infantil diante do tratamento odontológico tem sido considerada uma das responsáveis por problemas de manejo do comportamento infantil. Assim, o objetivo foi avaliar a relação entre a ansiedade e o comportamento de crianças durante o exame clínico bucal. Participaram da pesquisa 19 crianças de 3 a 5 anos de idade, alunas de uma escola da periferia de Belo Horizonte – MG. Antes do exame foi aplicado o teste “Venham Picture Test” (VPT) para mensurar a ansiedade das crianças. Em seguida as mesmas eram examinadas, quando seu comportamento foi avaliado, por uma examinadora previamente calibrada, utilizando-se a escala de Frankl (definitivamente positivo  ++ , levemente positivo  + , levemente negativo –, definitivamente negativo – –). O exame foi realizado na escola utilizando-se a técnica joelho-joelho. Verificou-se que 68,4% das crianças tinham baixo nível de ansiedade. Destas, 53,8% mostraram bom comportamento (++). Das crianças que apresentaram um nível médio de ansiedade (10,5%), todas apresentaram um comportamento cooperativo (+), mas sem se sentirem à vontade com a dentista. A alta ansiedade estava presente em 21,1% das crianças; sendo que destas, 75% apesar de cooperarem com o exame mostraram sinais de desconforto (+) e 25% manifestaram sinais claros de nervosismo (–). Nenhuma criança apresentou comportamento extremamente negativo (– –). Esse fato pode ser justificado pelo ambiente, pela imitação dos colegas, pela técnica utilizada no exame, o que pode ter transmitido maior segurança para as crianças.

Desta forma, concluiu-se que existe uma relação entre a ansiedade e o comportamento da criança durante o atendimento odontológico. Entretanto, algumas crianças que apresentaram alto nível de ansiedade foram capazes de a superar e demonstrar um comportamento cooperativo durante o exame.

 

  B012  

Medidas preventivas e prevalência de cárie em bebês de Natal/RN.

L. M. CERQUEIRA*, M. S. C. F. ALVES, A. L. S. PINHO, M. J. BÖNECKER.

Departamento de Odontologia da UFRN; Departamento de Odontologia da UnP.
Tel.: (0**84) 215-4133, fax: (0**84) 215-4101.

O objetivo deste estudo foi analisar a prevalência de cárie e verificar a utilização de medidas preventivas à doença cárie, considerando a inter-relação entre estas variáveis em 437 crianças de 0 a 36 meses na cidade do Natal – RN. A prevalência de cárie foi medida pelos índices ceo-d, ceo-s e Knutson e a utilização de medidas preventivas foi verificada através de um questionário aplicado aos pais contemplando perguntas sobre o método utilizado para higienizar a boca, a idade do início da limpeza da boca e se esta era realizada antes de dormir; se a criança já utilizou flúor e visitou o dentista. Para a análise estatística dos dados utilizou-se o software estatístico The SAS® System e o procedimento específico foi Análise de Correspondência com Tabelas Justapostas (técnica multivariada). O índice de Knutson revelou que todas as crianças possuem prevalência muito alta de cárie. Os índices ceo-d e ceo-s, até a faixa etária 18 |¾ 24, foram baixos e para as faixas 24 |¾30 e 30 |¾ 36 foram considerados altos. Quanto as medidas preventivas, 52,60% utilizavam a escova dental; 41,88% das mães iniciaram a limpeza da boca do seu filho logo após o nascimento do primeiro dente, enquanto que 55,38% das crianças não tinham seus dentes limpos antes de dormir; o flúor não foi usado em 58,11% das crianças, e das que usavam, a forma predominante foi através do creme dental; 88,08% das crianças não foram contempladas com a visita ao dentista.

Concluiu-se que houve relação positiva entre a prevalência de cárie e o uso inadequado das medidas preventivas e esses resultados apontaram para a necessidade de ações educativas, preventivas e curativas, tendo em vista a saúde bucal das crianças de 0 a 36 meses da cidade do Natal.

  B013  

Avaliação do medo dos pacientes infantis atendidos na Clínica de Odontopediatria.

S. C. CHARLIER*, T. CHIANCA, M. E. P. R. COSTA, F. T. S. C. FERREIRA, C. M. J. AUD,
T. R. M. F. TOMÁS.

Disciplina de Odontopediatria – UFRJ; UGF. E-mail: charlier@uol.com.br

O trabalho teve como objetivo verificar o medo da criança em relação aos procedimentos odontológicos. O trabalho foi realizado numa amostra de 80 crianças, 41 do sexo feminino e 39 do sexo masculino, na faixa etária de 4 à 12 anos de idade, atendidas na Clínica de Odontopediatria da Universidade Gama Filho – RJ pelos alunos do 7º período. Foi elaborada uma ficha específica com desenhos que expressassem o sentimento da criança no momento do atendimento. As crianças foram avaliadas na primeira consulta e na consulta subseqüente. Os dados foram armazenados e analisados utilizando programa estatístico Epi Info versão 6.04. Na 1ª consulta 77,50% das crianças (n = 62) indicaram estar tranqüilas; 15,00% apreensivas (n = 12) e 7,50% aversas (n = 6). Na consulta subseqüente que envolveram procedimentos odontológicos, 25 crianças das 80 participantes do ­estudo (31,25%), demonstraram sentimentos de apreensão (22,5%) e aversão (8,75%). O procedimento que mais deixou as­ ­crianças apreensivas e aversas foi o isolamento absoluto (60%), seguido da anestesia (35,3%), selante (23,10%), exame clíni­co (22,5%), alta rotação (20,8%) e outros (exodontia, controle de placa, etc.) com 18,2%. As crianças tiveram cinco vezes mais chances de demonstrar aversão e apreensão durante o isolamento absoluto do que no exame clínico (OR = 5,17; I.C.95% = 1,43-19,29). Crianças até 7 anos de idade demonstraram maior apreensão e aversão do que crianças maiores de 7 anos, porém esta diferença não teve significado estatístico (OR = 2,33; I.C.95% = 0,71-7,81). Apenas no exame clínico, os meninos tiveram mais chances do que as meninas de apresentarem aversão e apreensão (OR = 2,96; I.C.95% = 0,88-10,81).

Conclui-se que o isolamento absoluto foi o procedimento que causou maior apreensão e aversão junto às crianças. A idade e o sexo não influenciaram significativamente o nível de apreensão e aversão das crianças aos procedimentos odontológicos avaliados.

 

  B014  

Alimentação e hábitos maternos relacionados com a presença de cárie nos filhos.

F. T. S. C. FERREIRA*, G. GRAZZIOTIN, M. E. P. R. COSTA, S. C. CHARLIER, T. K. CHIANCA,
C. R. MAGALHÃES.

Disciplina de Odontopediatria – FOUFRJ; UGF.

O estudo investigou possíveis relações entre hábitos maternos e alimentação de mães com a presença de cárie em seus filhos. A amostra constou de 44 pares de mãe-filho de uma Creche Municipal de Carmo de Minas, MG. A fai­xa etária das crianças variou entre 17-64 meses, de ambos os sexos (28 meninas e 16 meninos). Os dados foram coletados a partir de dois questionários aplicados junto às mães em forma de entrevistas e de exames clínicos para determinação da prevalência de cárie nas crianças. A coleta de dados foi realizada por dois dentistas. Em relação aos hábitos maternos, 82% das mães informaram ter comportamentos de risco, como assoprar e provar com a mesma colher o alimento preparado para seus filhos, bem como beijá-los na boca. A análise estatística bivariada mostrou que não houve associação estatisticamente significativa entre os hábitos maternos e a presença de cárie nas crianças (OR = 0,85; I.C. 95% = 0,14; 4,71; P = 0,827). Em relação ao consumo de açúcar, 55,5% das mães informaram consumir açúcar três ou mais vezes por dia. Os filhos de mães com alta freqüência de consumo de açúcar por dia tiveram mais de 20 vezes mais chances de desenvolverem cárie do que os filhos de mães que relataram consumir açúcar menos de três vezes ao dia (OR = 21,6; I.C. 95% = 3,74; 148,12; p < 0,0001).

Os resultados do estudo mostram que a freqüência de consumo de açúcar por parte das mães influencia fortemente o desenvolvimento de lesões de cárie em seus filhos. A associação entre os hábitos maternos e a presença de cárie nos filhos não pôde ser observada no grupo estudado.

  B015  

Evolução da carga horária em Clínica Integrada no período 1980-1998.

W. W. N. PADILHA*, R. G. ROCHA, N. TORTAMANO.

Curso de Odontologia da UFPB, João Pessoa, PB. E-mail: wilpad@zaz.com.br

O presente estudo teve o objetivo de analisar a evolução recente do modo de apresentação da disciplina de Clínica Integrada (CI), nos currículos odontológicos. Para tanto, foi enviado um questionário, do tipo misto, aos 87 coordenadores desta disciplina nas Instituições de Ensino Odontológico no Brasil (IEOs). Retornaram respondidos 51 questionários (61,44%). Os dados obtidos indicaram: a) presença da CI em 98,4% das IEOs; b) a forma de apresentação e a denominação predominante foi Disciplina de Clínica Integrada com 72%; c) os semestres do curso em que eram oferecidas com mais freqüência foram o 9º com 24%, e o 8º e 7º com 22,7% e 21,7% respectivamente; d) apresentou-se com maior freqüência em 2 semestres letivos, com 63% e em 1 semestre com 21,7%; e) a carga horária total (CHT) mais freqüente ficou entre 301-400 h, com 30%; f) a CHT média foi de 357 horas/aula; g) a composição de equipe mais freqüente foi através de docentes de outras disciplinas em regime de colaboração, em 76% das IEOs; h) as disciplinas que mais colaboram são: Prótese, e Endodontia com 98% e 72% das IEOs respectivamente; i) o conceito adotado mais freqüente foi o de disciplina responsável pelo atendimento das necessidades globais do paciente, com 44%; j) a orientação filosófica é voltada para o integracionismo do ensino em 32% das IEOs. Em confronto com os dados obtidos de outros estudos, detectou-se uma evolução no número de semestres em que é oferecida, passando de 1 para 2, no período de 1980 a 1998. Entretanto, no mesmo período, registrou-se uma redução da CHT média de 429 horas para 400 horas.

Conclui-se que a Clínica Integrada, no período em questão, evoluiu para uma adequação no tamanho e no modo de distribuição do tempo de aulas utilizado.

 

  B016  

Hábitos de higiene, prevalência de manchas brancas e gengivite: uma avaliação na disciplina de Odontopediatria da UFPB.

A. M. G. VALENÇA*, F. G. G. VASCONCELOS, A. L. CAVALCANTI, R. C. DUARTE.

Disciplina de Odontopediatria – UFPB – PB.

O objetivo do presente trabalho foi avaliar os hábitos de higiene e a prevalência de manchas brancas ativas e gengivite, em pacientes de 4 a 12 anos, atendidos na disciplina de Odontopediatria da UFPB. Compuseram a amostra 162 prontuários odontológicos dos quais 76 (47%) pertenciam ao sexo masculino (SM) e 86 (53%) ao feminino (SF), sendo os resultados tratados estatisticamente pelos testes não-paramétricos do Qui-quadrado e exato de Fisher. Verificou-se que, nos SM e SF, respectivamente, 75 (98,7%) e 86 (100%) dos pacientes executavam escovação dentária (p > 0,05). O fio dental era utilizado por 3 (4%) pacientes do SM e 4 (4,6%) do SF (p > 0,05). A prevalência de mancha branca ativa foi significativamente mais elevada (p < 0,05) nos pacientes do SM (63 – 82,9%), em relação aos do SF (58 – 67,4%). Quanto ao acúmulo de placa bacteriana, avaliado pelo Índice de Higiene Oral Simplificado, agrupado em: a) 0 a 1,0; b) 1,1 a 2,0 e c) 2,1 a 3,0, os valores encontrados foram, respectivamente, no SM, 31 (40,8%); 34 (44,72%) e 11 (14,5%) e, no SF, 32 (37,2%); 41 (47,7%) e 13 (15,1%), não sendo estas diferenças estatisticamente significativas (p > 0,05). A gengivite (presença de sangramento gengival à sondagem) foi significativamente mais prevalente (p < 0,05) no SM (61 – 80,3%), em relação ao SF (56 – 65,1%).

Conclui-se que, nos pacientes infantis do SM e SF da disciplina de Odontopediatria da UFPB, não houve padrões de comportamento diferentes quanto aos hábitos de higiene. Contudo, as crianças do sexo masculino apresentaram maior prevalência de mancha branca ativa e gengivite, em relação àquelas do sexo feminino.

  B017  

A influência da idade e sexo na atenção odontológica em Clínica Integrada.

P. A. S. M. A. CUNHA*, L. C. S. VASCONCELOS, W. W. N. PADILHA, G. A. S. PEREIRA.

Universidade Federal da Paraíba – João Pessoa – Brasil.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a prevalência e características da queixa principal (QP) e procedimentos realizados (PR) relacionando às variáveis sexo e idade em pacientes não-cadastrados (pacientes que não estão em tratamento regular) da disciplina de Clínica Integrada da UFPB. A amostra foi composta por 563 prontuários odontológicos, sendo 154 (27,3%) destes pertencentes ao sexo masculino, e 409 (72,6%) ao sexo feminino, distribuídos na seguintes faixas etárias: 0 a 10 anos – 10 (1,8%); 11 a 20 anos – 142 (26,5%); 21 a 30 anos – 167 (31,2%); 31 a 40 anos – 120 (22,4%); 41 a 50 anos – 62 (11,5%); 51 a 60 anos – 21 (3,9%) e 61 e mais anos – 13 (2,4%). Como queixa principal foram encontradas “dor de dente” – 59 (23%); “cárie” – 55 (21,2%); “restauração deficiente” – 33 (12,8%); “dente quebrado” – 27 (10,5%). Os procedimentos mais realizados foram: restaurações - 220 (31,6%); radiografias - 110 (15,8%); raspagens - 66 (9,4%) e exodontias - 60 (8,6%). Não foi encontrada diferença estatística significante quanto à prevalência das QP, em relação ao sexo e faixa etária. Para PR os resultados foram semelhantes estatisticamente em relação ao sexo, entretanto, houve significância (p < 0,01) no teste de Qui-quadrado em relação à distribuição por sexo.

Pela análise dos dados obtidos pode-se concluir que a QP não sofreu influência de sexo e faixa etária. Entretanto, para o sexo feminino, a prevalência de PR apresentou valores distintos quanto ao tipo de tratamento executado.

 

  B018  

Avaliação de programa de saúde bucal em pré-escolares, Salvador – Bahia.

C. F. BRANDÃO*, J. B. ROCHA, M. C. B. S. ROCHA, M. C. T. CANGUSSU, S. M. M. VIDAL.

Departamento de Odontologia Social da Faculdade de Odontologia da UFBA.
Tel.: (0**71) 336-8981.

A condição de saúde bucal se encontra em estado de precariedade em vá­rias regiões do país. Devido a esse problema, programas de promoção de saúde vem sendo implantados na tentativa de reduzir a incidência de cárie e informar as pessoas sobre a importância da saúde bucal, como obtê-la através de medidas preventivas de higiene e dieta. Diante disso, foi criado um programa com avaliação anual com 69 pré-escolares de faixa etária entre 4 e 6 anos do Centro Comunitário São Miguel, localizado num subúrbio ferroviário em Salvador, Bahia. Nesse programa foi realizado inicialmente levantamento epidemiológico, encontrando ceo-d = 3,36 aos 4 anos, ceo-d = 3,28 aos 5 anos e ceo-d = 3,83 aos 6 anos. Em seguida, foram realizadas atividades educativas sobre saúde bucal, orientação a higiene e dieta, escovação diária com dentifrício fluoretado após a merenda e escovação quinzenal com flúor fosfato acidulado a 1,23%. Após um ano de programa, novo exame epidemiológico foi realizado para verificar a sua eficácia, encontrando ceo-d de 3,93, 4,65 e 4,13 aos 4, 5 e 6 anos, respectivamente. Para as crianças de 5 e 6 anos em fase de dentição mista observou-se um CPO-D de 0,09 e 0,08, respectivamente.

Aplicando-se o teste t de Student, conclui-se que nas idades de 4 e 6 anos houve um controle na incidência de cárie tanto na dentição decídua como mista, já na faixa etária de 5 anos houve um incremento de cárie na dentição decídua. Diante dos resultados obtidos para o CPO-D, pode-se concluir que existe uma forte indicação de controle positivo da cárie para dentição permanente.

  B019  

Prevalência da cárie dental em pré-escolares de Ribeirão Preto/SP.

C. B. MARTELLI*.

Esta pesquisa fez parte do projeto de “Levantamento das Condições de Saú­de Bucal do Estado de São Paulo – 1998”, cujo objetivo foi analisar especificamente a prevalência de cárie dental em pré-escolares de 4 a 6 anos de idade. A população foi constituída de 290 escolares entre 4 e 6 anos matriculados em 7 escolas de ensino público e 11 escolas de ensino privado do município de Ribeirão Preto, no período de setembro a novembro de 1998. Tanto as unidades escolares quanto os alunos foram selecionados aleatoriamente. Na investigação foram usados os índices CPO-D e ceo-d, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados revelaram que: 52,51% dos pré-escolares estavam livres de cárie dental, entretanto na faixa etária de 6 anos 59,43 % apresentaram a doença.

Urge a necessidade de maiores esforços no sentido de uma programação preventiva e educativa direcionada à população pré-escolar.

 

  B020  

TRA em programa de saúde bucal – avaliação após 18 meses de atividades.

E. F. CORMACK*, R. KNUPP, N. M. MORAES, I. C. CABRAL, M. GIONGO, U. V. MEDEIROS.

Departamento de Odontontologia Social e Preventiva – UFRJ. Tel.: (0**21) 562-2050.
E-mail: o.social@odonto.ufrj.br

É notória a capacidade técnica dos profissionais de Odontologia formados no Brasil; o problema está na forma como esse saber técnico é dissociado de toda problemática político/social que estes estão inseridos. Faz-se necessária a adequação dos recursos humanos em Odontologia, tendo a perspectiva de um profissional consciente de seu verdadeiro papel de educador em saúde. Este programa de saúde bucal é desenvolvido na Escola Municipal Rotary (Rio de Janeiro – RJ), com alunos do sétimo período da Faculdade de Odontologia da UFRJ, e baseia-se em atividades educativas, preventivas e restauradoras, utilizando o tratamento restaurador atraumático na ótica da Odontologia de Promoção de Saúde. Este estudo tem como objetivo a avaliação dos tratamentos restauradores atraumáticos após 18 meses de atividades do programa. Foram atendidas 1.235 crianças de ambos os sexos, com faixa etária entre 5 e 9 anos de idade. Paralelamente às ações educativas foram realizadas aplicações tópicas de flúor (gel na escova e verniz) e 214 tratamentos restauradores atraumáticos, os quais foram avaliados de acordo com os critérios de PHANTUMVANIT et al. Após 18 meses cerca de 200 TRAs (93,45%) apresentavam-se presentes e satisfatórios.

Concluiu-se que o sucesso da técnica justifica a continuidade do programa, que faz parte do estágio extramural do Departamento de Odontologia Social e Preventiva da UFRJ.

 

  B021  

Medida do medo odontológico em crianças.

A. B. A. MORAES*, G. M. B. AMBROSANO, L. E. FANTON.

Departamento de Odontologia Social, FOP/UNICAMP. Tel.: (0**19) 430-5209. E-mail: abento@fop.unicamp.br

O objetivo do estudo foi identificar os medos mais comuns entre as crianças de 6 a 10 anos. Uma adaptação do instrumento “Fear Survey Schedule for Children” (FSSC-R), com 51 itens e escala de 5 níveis foi aplicada em 549 crianças da região de Piracicaba, SP, sendo 144 de escolas particulares e 405 de escolas públicas, com 154 em atendimento odontológico na faculdade (FOP). A diferença entre os sexos foi analisada pelo teste de Mann-Whitney (a = 0,05), a estatística de Spearman (a = 0,05) foi utilizada para correlacionar medo e idade das crianças. Os grupos foram comparados pelo teste de Kruskal-Wallis e teste não-paramétrico de comparações múltiplas (a = 0,05). O nível total de medo foi, significativamente, maior (p < 0,01) nas meninas que nos meninos. Não houve correlação significativa entre o nível total de medo e a idade da criança. Os 10 itens de maior medo foram: ser queimado com fogo, ser asfixiado, ter um estranho tocando em você, não conseguir respirar, perder-se, pais discutindo, ver os pais discutindo, estranhos, ficar longe da mãe, injeção. As crianças em atendimento na FOP, apresentaram maior medo (p < 0,05) em 50% dos itens. A injeção aparece como o 5o maior medo nas crianças em atendimento na FOP sendo este significativamente maior (p < 0,05) do que para as crianças das escolas particulares; nas escolas públicas o medo de injeção não aparece entre os 10 mais freqüentes. Para as crianças em atendimento odontológico 84,6% das meninas e 60,5% dos meninos tinham moderado, bastante ou muito medo de injeção. Para o item ver sangue, 52,6% das meninas e 19,7% dos meninos em atendimento na FOP exibiram moderado, bastante ou muito medo.

O medo odontológico revelou-se mais alto para as crianças em atendimento na FOP o que sugere que a proximidade da experiência influencia as manifestações emocionais da criança.

 

  B022  

O tratamento restaurador é eficaz?

A. F. CALDAS JR.*1, W. MARCENES2.

1Departamento de Odontologia Preventiva e Social da Faculdade de Odontologia de Pernambuco – UPE; 2Department of Epidemiology and Dental Public Health – Royal Free University College Medical School of London – UCL.

Um estudo transversal foi conduzido para analisar a perda dentária, pela razão cárie, em relação ao tipo de cárie diagnosticada, número de vezes que o dente extraído foi restaurado e indicadores socioeconômicos de pacientes na Cidade do Recife (PE). Dez centros do sistema público de saúde e dez pertencentes a empresas de convênios foram sorteados. Dois pacientes foram examinados por cada dentista e um mínimo de dez dentistas foram selecionados em cada centro para compor a amostra. Um total de 410 pacientes, selecionados por sorteio, com 18 anos ou mais, foram convidados a participar do estudo. O grau de participação foi 100,0%. Cárie foi a principal razão (70,3%) para exodontia (p < 0,001), havendo diferença estatisticamente significante entre os grupos etários (p = 0,002) e grau de instrução (p <  0,001). Analisando-se a relação entre o número de vezes que o dente indicado para exodontia foi restaurado com a razão da exodontia, observou-se um valor altamente significante (p < 0,001), indicando que a maioria dos dentes extraídos pela razão cárie foram restaurados duas ou mais vezes. Foi observado uma relação altamente significante estatisticamente entre um indicador de uso de serviços (O/CPO-D) e exodontia devido a cárie (p < 0,001).

Os achados demonstraram que é errônea a crença que a cárie dentária pode ser tratada efetivamente pela restauração do dente. (Pesquisa subvencionada pela CAPES. Processo nº BEX 0652/98-9.)

 

  B023  

Terapia de radiação, parâmetros salivares e atividade cariogênica.

S. C. WEYNE*, D. CERQUEIRA, U. V. MEDEIROS, B. V. CAMPOS, I. T. CAMPOS.

Odontologia Coletiva, UNESA; UFRJ. Tel.: (0**21) 503-7000. E-mail: inger@plugue.com.br

O objetivo da pesquisa foi avaliar o conhecimento dos médicos (n = 24) sobre as conseqüências da aplicação da terapia de radiação de pescoço e cabeça nos parâmetros salivares e na atividade cariogênica. Através das perguntas constantes de um formulário, verificou-se que apenas 4,16% dos médicos media o fluxo salivar antes do tratamento. A maioria (75%) não conhecia os valores normais para o fluxo salivar estimulado. Com relação à sensação de “boca seca” após a terapia, 91,66% dos médicos confirmaram que seus pacientes se queixavam desse sintoma, sendo que essa condição aparecia dentro de 15 a 30 dias ou entre 1 a 6 meses após o tratamento, para respectivamente 45,8% e 33,33% da amostra. Para 33% dos entrevistados essa sintomatologia aparecia em todos os pacientes tratados, enquanto para 50% ela ocorria na maioria. Todos (100%) acreditavam que o tratamento radioterápico produzia aumento da incidência de lesões cariosas e outras patologias bucais e que seria possível prevenir/minimizar o quadro através da fluorterapia (25%) ou de uma associação de fluorterapia com antimicrobianos (25%). Todos os médicos achavam que o dentista deveria participar da equipe médica sendo que para 75%, a intervenção deveria ser feita antes do tratamento.

Concluiu-se que os oncologistas e radioterapeutas poderiam receber informações complementares do dentista e que a proposição de um protocolo-guia para ser aplicado em conjunto pelos médicos e dentistas, poderia melhorar as condições bucais dos pacientes sob terapia de radiação.

 

  B024  

Epidemiologia da doença cárie no Brasil e no mundo.

U. V. MEDEIROS, S. C. WEYNE, N. M. MORAES*.

Departamento de Odontologia Preventiva – UFRJ; UERJ. E-mail: o.social@odonto.ufrj.br

O objetivo deste estudo é analisar a prevalência da cárie dentária em países subdesenvolvidos e/ou emergentes e compará-la com a situação em países industrializados. Para tal utilizou-se uma metodologia meta-analítica observando-se resultados encontrados em pelo menos três períodos distintos e, a nível internacional, por pesquisadores respaldados pela Organização Mundial de Saúde. Resultados mais antigos e mais recentes encontrados para países como Austrália (1975 = 4,8; 1990 = 1,4), Costa Rica (1957 = 8,3; 1992 = 5,5), Brasil (1969 = 7,2; 1996 = 3,2), Cuba (1973 = 5,1; 1992 = 2,9), Dinamarca (1978 = 6,3; 1992 = 1,3), Estados Unidos (1974 = 3,8; 1991 = 1,4), França (1975 = 3,5; 1993 = 2,1), Finlândia (1956 = 10,0; 1991 = 1,2), Noruega (1978 = 7,4; 1993 = 2,1), Nova Zelândia (1973 = 6,0; 1993 = 1,5), Suécia (1972 = 4,8; 1994 = 1,5), Suíça (1963 = 9,9; 1989 = 2,0), Peru (1969 = 5,4; 1993 = 7,0), Chile (1969 = 5,8; 1993 = 7,0) e Panamá (1969 = 6,1; 1993 = 6,3) mostram um declínio entre 60-80% (s médio = 7,2) nos países desenvolvidos, aumentando as populações livres de cárie. Entretanto, o declínio em países subdesenvolvidos e emergentes não é tão expressivo, evidenciando a ausência de políticas públicas que produzam impacto na saúde bucal da população. Em alguns países, observou-se um aumento da prevalência da doença, contradizendo a tendência internacional. No Brasil os resultados mostram uma média CPOD aos 12 anos de 7,2 (1969); 6,9 (1986); 4,9 (1993) e 3,2 (1996).

Após a análise estatística dos dados podemos concluir que está havendo, a nível internacional, um declínio geral na prevalência e severidade de cárie nas populações infantis e adolescentes, assim como uma redução no nível de perda mineral das lesões já existentes. No Brasil está havendo uma importante redução no CPOD em escolares da zona urbana e que não é homogênea e nem tão expressiva como procuram fazer crer as informações maciçamente divulgadas. (Apoio financeiro: UFRJ.)

 

  B025  

Prevenção da endocardite infecciosa: percepções e condutas de cardiologistas.

M. L. ALMEIDA*, I. P. R. SOUZA, A. S. VIEIRA, A. RIBEIRO, D. BEZERRA, M. LAVALL,
G. CASTRO.

Odontopediatria, FO-UFRJ.

A proposta deste estudo foi analisar as percepções e condutas de cardiologistas em relação à endocardite infecciosa (EI) de origem dentária. Foram distribuídos questionários aos 55 cardiologistas inscritos no VI Congresso Multidisciplinar Clínica São Vicente – VII Simpósio de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro, no mês de novembro de 1999. O índice de retorno foi de 54,5% (n = 30). O questionário continha 7 perguntas fechadas e 2 abertas. 72,4% dos cardiologistas tinham mais de 10 anos de formado; 66,7% consideraram a cavidade bucal como a principal porta de entrada dos microorganismos causadores da EI, e 75% destes consideraram a profilaxia antibiótica como a medida mais efetiva de prevenção da EI. Apenas 40% possuem uma atuação multidisciplinar com o dentista de seus pacientes; 76,7% responderam conhecer o esquema medicamentoso padrão proposto atualmente pela Associação Americana de Cardiologia, porém 93,3% de todos os cardiologistas, ao responderem qual seria este esquema, referiram-se a esquemas desatualizados. 100% recomendam a profilaxia antibiótica para a prevenção da EI, antes de procedimentos de risco, sendo que apenas 43,3% alertam para a manutenção de uma boa saúde oral.

Conclui-se que há necessidade de uma maior atualização dos cardiologistas e interdisciplinaridade entre estes e dentistas no atendimento de pacientes com risco para EI, já que a cavidade bucal constitui-se numa das principais portas de entrada destes microorganismos.

 

  B026  

Avaliação da higiene bucal em bebês.

A. L. F. VIEIRA*, E. BRESCIANI, P. D. S. TELLES, M. A. A. M. MACHADO.

Odontopediatria – FOB/USP. E-mail: vieira@techno.com.br

A presença da placa dentária é um dos critérios utilizados para a determinação do risco de cárie em bebês. O objetivo deste trabalho foi de avaliar a freqüência diária de higiene bucal e o Índice de Placa (IP) em pacientes dessa faixa etária. A amostra constou de 37 crianças com idade entre 9 e 36 meses participantes há pelo menos 6 meses do programa preventivo realizado na Clínica de Bebês da FOB/USP. Os responsáveis, portanto, já possuíam conhecimento sobre a importância da higienização bucal e os meios de realizá-la. Em uma consulta de rotina, os responsáveis foram entrevistados sobre a freqüência e horários de escovação dentária do bebê. O IP (Quigley & Hein) foi aferido após evidenciação com solução de Verde de Malaquita 0,6%. Os resultados foram submetidos ao teste de Correlação de Spearman (p < 0,05), que mostrou não haver uma associação estatisticamente significante entre a freqüência de higiene bucal e o IP. Apenas 4 responsáveis admitiram não realizar a limpeza bucal dos bebês todos os dias. A freqüência de escovação relatada foi, em média, 2,11 vezes ao dia, sendo que quase a metade (43,3%) disseram realizá-la 2 vezes ao dia, pela manhã e a noite. Os IP encontram-se na tabela abaixo.

Índice de ­Placa

Nº de ­crianças

%

0,0 – 1,0

  0

-

1,1 – 2,0

  1

  2,7

2,1 – 3,0

  4

10,8

3,1 – 4,0

14

37,8

4,1 – 5,0

18

48,7

Independente da quantidade de vezes diária de higienização bucal, o Índice de Placa encontrado foi muito alto na maior parte da amostra, o que nos leva a concluir que a higiene bucal nesta crianças não está sendo realizada de maneira adequada, ou ainda que os dados obtidos através dos responsáveis não são confiáveis, apontando para a necessidade de novas técnicas para motivação dos responsáveis em relação à higiene bucal em bebês. (Apoio: CNPq 132809/98-2.)

  B027  

Ensino odontológico no Brasil: modelo tradicional versus modelo inovado.

V. OLIVEIRA*, W. W. N. PADILHA.

Curso de Odontologia da UFPB/PB e UNIG/RJ.

O objetivo deste estudo foi identificar o modelo de ensino predominante entre as Instituições de Ensino Odontológico (IEOs) no Brasil, tomando por base os modelos tradicional (MT) e inovado (MI) propostos em MENDES (1988). O método utilizado foi o indutivo, com procedimento estruturalista e comparativo. A técnica de pesquisa foi a observação direta extensiva, através de questionário respondido pelos professores responsáveis pela disciplina de Clínica Integrada das diferentes IEOs. Dos 83 questio­nários enviados retornaram 48, compondo uma amostra de 57,8% das IEOs. Foram considerados os seguintes elementos de análise: a) integração das funções educacionais; b) definição do conteúdo de ensino; c) estruturação do plano de curso; d) relações do conhecimento; e) orientação geral do currículo; f) espaço educacional; g) tipos de recursos humanos formados; h) uso de tecnologia; i) metodologia do ensino; j) estrutura física; k) planejamento educacional; l) natureza do pessoal docente; m) relação professor/aluno; e n) natureza da pesquisa. Os dados obtidos indicaram o predomínio de MT em 30 (62,5%) dos cursos. O MT foi predominante em 8 (57,1%) dos 14 parâmetros. Os elementos mais freqüentes para MT foram: relações do conhecimento – 37 (77%); planejamento educacional – 35 (72,9%) e natureza do pessoal docente com 32 (66,6%). Para MI foram: relação professor-aluno – 30 (62,5%); e uso de tecnologia – 29 (60,4%).

Concluindo-se, segundo os parâmetros deste estudo, que os cursos de Odontologia são compostos por elementos de análise predominantemente característicos do modelo tradicional.

 

  B028  

Padrão de erupção de dentes decíduos anteriores em crianças brasileiras.

R. S. GAMA*, J. M. MIASATO, U. V. MEDEIROS, L. HERDY.

UNIGRANRIO – Escola de Odontologia – Odontopediatria – UFRJ.

O objetivo deste trabalho foi verificar o padrão de erupção de dentes decíduos anteriores em crianças brasileiras, de Duque de Caxias, RJ. Este estudo retrospectivo foi realizado na Bebê-Clínica da UNIGRANRIO. Foram avaliadas 285 prontuários e o critério de seleção da amostra constituiu-se de crianças possuíam os incisivos decíduos irrompidos. Os dados foram coletados dos prontuários que tinham o registro do cartão de erupção dentária, que foram distribuído aos responsáveis. Os resultados foram analisados no programa de computador Epi Info 6.04, conforme a tabela abaixo:

Dente

Média

dp

Dente

Média

dp

Dente

Média

dp

Dente

Média

dp

51

  8,08

2,24

61

8,0 

2,19

71

6,70

2,17

81

  6,86

2,31

52

9,3

2,63

62

9,33

2,66

72

9,82

2,70

82

  9,68

2,61

53

16,51

3,5 

63

16,48

3,47

73

16,34

2,84

83

16,03

2,77

54

14,58

2,76

64

14,60

2,78

74

14,46

2,57

84

14,46

2,55

55

18,66

6,02

65

18,66

6,02

75

20   

5,17

85

20,57

4,96

Estes resultados permitem concluir que os valores encontrados estão próximos dos estudos do padrão de crianças brasileiras, Bauru, SP. (VONO, A. Z. USP, Tese, 1972.)

 

  B029  

Avaliação de estratégias educativas para motivar adolescentes em Saúde Bucal.

E. L. COSTA, E. M. SILVA, I. C. C. COSTA, A. MEDEIROS JÚNIOR*.

Curso de Mestrado em Odontologia Social da UFRN. Fax: (0**84) 215-4136.
E-mail: mstodsoc@odonto.ufrn.br

Esta pesquisa, objetivou avaliar a efetividade de várias estratégias motivacionais, em duas escolas de São Luís - MA - Brasil. Fizeram parte da pesquisa 96 adolescentes, distribuídos em 4 grupos de 12 (A, B, C, D). O grupo A recebeu orientação direta sobre higiene bucal, evolução da cárie e doença periodontal usando-se modelos demonstrativos. Para o grupo B, foram ministrados os mesmos conteúdos, utilizando-se diapositivos. Para o grupo C os conteúdos foram ministrados a partir da exposição de um filme em vídeo e para o grupo D, optou-se pela orientação através de uma peça teatral associada a música. Os adolescentes responderam a dois questionários, um no início e outro no final da aplicação das estratégias motivacionais. Foram realizadas 28 visitas domiciliares, para observação das condições ambientais e hábitos de higiene bucal. Usando a técnica da observação participante, a pesquisadora pôde analisar a atuação dos alunos, a partir do registro de fatos ocorridos nas aplicações das estratégias.

Concluiu-se que, embora as estratégias utilizadas sejam valiosos recursos motivacionais, os adolescentes demonstraram maior interesse durante a apresentação de filme em vídeo, seguido da apresentação da peça teatral musicada. Estes dados foram confirmados pela análise estatística, através do teste dos Sinais (p = 0,0255).

 

  B030  

Concepção de saúde de escolares – o caso do IEPIC, RJ.

I. C. T. CABRAL*, I. C. MATUCK, K. D. MAIA, O. E. R. MARTINEZ.

Pós-Graduação em Odontologia Social da UFF – RJ.

O objetivo desta pesquisa foi verificar a concepção de saúde dos escolares do Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho (IEPIC), em Niterói, RJ, em 1999. Como instrumento para a coleta de dados, foi utilizada a entrevista semi-estruturada em 181 escolares do ensino fundamental contendo várias questões acerca do tema, privilegiando-se para o estudo em questão, a percepção de saúde desses sujeitos. Os dados obtidos foram analisados mediante a análise de conteúdo, agrupados em duas grandes categorias e apresentados em percentuais, para melhor compreensão dos resultados. Observou-se que 46,9% dos escolares possuem uma concepção biologicista da saúde contra 41,6% que revelavam uma concepção holística sobre a mesma, e 11,5% não possuíam uma concepção definida. Dentro da concepção biologicista, 68,2% associavam a saúde aos cuidados com o corpo e 31,8% com a ausência de doença. Em relação à concepção holística, 15% percebiam a saúde como dependente da condição socioeconômica e 75% a associavam com o bem-estar geral.

Concluímos que estamos em fase de transição paradigmática, onde as concepções unidimensionais já se equilibram com as concepções multidimensio­nais de saúde.

 

  B031  

Crianças mentalmente comprometidas: como fica a higiene oral?

N. J. F. GRAÇA, F. S. COSTA, P. C. GONÇALVES, I. C. MATUCK, T. C. A. GRAÇA.

Faculdade de Odontologia e Fonoaudiologia da Pestalozzi e Pós-Graduação em Odontologia ­Social da UFF.

Esta pesquisa teve como objetivo conhecer a prática de higiene oral desenvolvida em crianças mentalmente comprometidas e verificar quem era responsável por esta tarefa. Esta pesquisa foi desenvolvida no Centro de Estimulação Precoce Maria Aurora Costa da Sociedade Pestalozzi do Rio de Janeiro, utilizando-se a população de crianças mentalmente comprometidas que se encontrava em tratamento nesta instituição nos meses de janeiro a março de 2000. Utilizou-se um formulário, respondido pelos responsáveis pelas crianças e preenchidos por duas fonoaudiólogas responsáveis pelo tratamento das crianças. A população foi constituída por 45 crianças de ambos os sexos com idade de 4 a 60 meses (média 28,93; mediana 24; d.p. 14,49). Os resultados revelaram que 80 % das crianças são cuidadas pelas próprias mães, sendo que 87% destas trabalham no lar. A higiene oral é realizada pela mãe em 71%, sendo realizada principalmente através da escovação dentária (73%) utilizando pasta dental fluoretada (67%). Com relação à instrução sobre higiene oral, 44% afirmaram ter recebido orientação sobre o assunto, sendo que 18% das entrevistadas relataram ter recebido informações de um cirurgião-dentista e 9% de um pediatra. Todas as consultadas afirmaram considerar importante a saúde bucal destas crianças.

Conclui-se que as mães de crianças mentalmente comprometidas tratadas no CEPMAC compreendem a necessidade da higienização oral iniciando esta atividade com as crianças na primeira infância, devendo as mesmas receber maiores orientações sobre a forma como proceder e a correta utilização de fluoretos.

 

  B032  

Identificação de fatores de risco para o desenvolvimento de cárie precoce na infância.

M. A. NAEGELE*, B. VOLSCHAN, F. SILVEIRA.

Pós-Graduação - Odontologia Social – UFF; Odontopediatria – UNESA/ABO – Niterói – RJ. E-mail: itajai@itaipu.psi.br

A cárie precoce na infância é relacionada à associação da amamentação noturna, dieta cariogênica, ausência de higiene bucal adequada e presença de S. mutans em crianças de baixa idade. Entretanto, atualmente fatores comportamentais inerentes à estrutura familiar também têm sido considerados como de risco para o desenvolvimento deste tipo de cárie. O objetivo deste estudo foi analisar a estrutura familiar, os hábitos alimentares e hábitos de higiene bucal de crianças com cárie precoce na infância. Foi utilizado o método de abordagem indutivo, através da técnica de observação direta intensiva, sob a forma de entrevista às 39 mães de crianças com cárie precoce na infância atendidas na Clínica de Odontopediatria da Associação Brasileira de Odontologia (ABO) - Niterói - RJ no ano de 1998. Os dados obtidos revelaram que 61,5% das mães não trabalhavam fora de casa. Das mães que trabalhavam, 55% das crianças ficavam com avós ou tias. 87,2% das crianças recebiam atenção intensiva, já que 56,4% eram filhos caçulas com diferença média de 5,6 anos para o irmão de idade mais próxima e 30,8% eram filhos únicos. Todas eram amamentadas à noite, sendo 35,9% exclusivamente ao seio, 48,7% ao seio e mamadeira e 15,4% só na mamadeira; o conteúdo das mamadeiras de todas as crianças era altamente cariogênico; a dieta diurna em todos os casos era igualmente cariogênica; 92,3% das crianças não receberam nenhum tipo de higienização bucal até os 2 anos de idade; 64,1% das mães consideram não ter saúde bucal.

A amamentação noturna , associada à dieta diurna cariogênica e a ausência de higiene bucal foram fatores de risco para o desenvolvimento de cárie precoce na população estudada; a presença da mãe ou parentes próximos e a atenção intensiva à criança sugerem que estes fatores comportamentais sejam de risco ao surgimento de cárie precoce na infância.

  B033  

Conhecimento de dirigentes de escolas municipais sobre substâncias fluoretadas.

R. A. CHIARATTO, E. BERGAMASCHI JR.*, R. A. A. R. SOUZA, I. M. G. BRANDÃO,
S. A. S. MOIMAZ.

Pós-Graduação em Odontolologia Preventiva e Social, FOA, UNESP.

Existem hoje medidas preventivas altamente eficazes no combate à cárie dentária e à doença periodontal, dentre elas, o uso de fluoretos é a que desperta um cuidado maior em decorrência do risco de ingestão que as crianças correm se não houver uma supervisão por parte de profissionais capacitados para esse fim. Através de análise nas Escolas Municipais de Ensino Infantil (EMEIs) da cidade de Araçatuba – SP, constou-se a aplicação de fluoretos (bochechos e dentifrícios) por parte dos funcionários (coordenadores e professores) das referidas escolas, sem orientação, critério definido e controle nas crianças. Por esse motivo, esse trabalho teve por finalidade avaliar a condição atual de conhecimento dos diretores ou coordenadores das EMEIs no que diz respeito ao uso de substâncias fluoretadas pelas crianças. Através de questionário enviado a 32 EMEIs pode-se observar algumas contradições nas respostas obtidas entre as quais, notou-se que 85,8% dos entrevistados utilizam o flúor para prevenir cáries, 67,9% acreditam que não há contra-indicação na realização de bochechos com flúor e 46,5% disseram que não há problema algum caso a criança venha deglutir substâncias fluoretadas.

Diante dos resultados obtidos, conclui-se que, embora se demonstre um conhecimento razoável sobre a importância da utilização de substâncias fluoretadas pelos diretores das EMEIs da cidade de Araçatuba – SP, existe uma incoerência entre este conhecimento demonstrado e o que é colocado em prática por eles.

  B034  

Impacto de uma ação educativa em saúde bucal.

J. F. MOCARZEL*, M. A. A. SENNA, L. C. MAIA.

Universidade Salgado de Oliveira – UNIVERSO – Niterói/RJ.

O presente estudo objetivou avaliar o impacto de uma ação educativa em saúde (conferência sobre saúde buc