A001

Prevalência dos tipos de fissuras lábio-palatais entre pacientes não-operados.

DALBEN, G. S.*, SANTAMARIA Jr., M., FREITAS, P. Z., SILVA FILHO, O. G.

Departamento de Ortodontia – HRAC – USP. Tel.: (0**14) 235-8143. E-mail: gsdalben@ig.com.br

Procurou-se investigar a epidemiologia dos vários tipos de fissuras lábio-palatais encontrados no HRAC no ano de 2000, buscando dados atuais sobre a sua prevalência, sua distribuição entre pacientes brasileiros em relação ao sexo, região de origem e classificação sócio-econômica; e investigar a porcentagem destes pacientes que relatam a ocorrência de outros casos de fissuras na família, indicando sua tendência hereditária. Os dados foram obtidos através de questionário e exame clínico aplicados em 803 pacientes não-operados que compareceram ao serviço no ano de 2000. Foi encontrada uma maior prevalência de fissuras completas de lábio e palato unilaterais e bilaterais (40%), seguidas pelas fissuras de palato (34%) e pelas fissuras de lábio (25,5%). Foi encontrada uma predileção discreta das fissuras de palato pelo sexo feminino (53%), com predominância do sexo masculino em todos os outros tipos de fissuras lábio-palatais (cerca de 60%). Não foi observada diferença na distribuição dos tipos de fissuras em relação às regiões brasileiras. A maior parte dos pacientes (71,4%) pertencia à classe sócio-econômica baixa (superior e inferior). Uma porcentagem significante de pacientes (32%) relatou presença de um ou mais casos de fissuras lábio-palatais na família, principalmente em parentes de primeiro grau (66,7%) e com predominância entre os parentes de fissuras completas de lábio e palato (34%).

As informações obtidas permitem afirmar a predominância das fissuras completas, de tratamento mais complexo, a maior ocorrência no sexo masculino e a tendência hereditária da anomalia.

A002

Modulação simpática da expressão de CGRP em neurônios do gânglio trigeminal que inervam a ATM do rato em condições de normalidade e inflamação induzida.

ERVOLINO, E.*, CASATTI, C. A., DAMICO, J. P., ARROYO, M. T., BAUER, J. A.

ICB – USP.

O trabalho analisou a influência exercida pelo sistema nervoso simpático sobre a expressão do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), nos neurônios do gânglio trigeminal (GT) que inervam a articulação temporomandibular (ATM), em condições de normalidade e, após indução de inflamação com carragenina. Foram utilizados 4 grupos (n = 5) de ratos Wistar machos submetidos à deposição do neurotraçador, “fast blue” (FB), na ATM: (A) grupo controle absoluto; (B) grupo com inflamação na ATM e, com inervação simpática intacta; (C) grupo submetidos à remoção cirúrgica prévia do gânglio cervical superior (GCS) e com ATM normal; (D) grupo submetido à remoção cirúrgica prévia do GCS, e inflamação na ATM. Após 15 dias da deposição do neurotraçador, os animais foram perfundidos transcardiacamente com solução de NaCl 0,9% seguida de solução fixadora (formaldeído 4%, 0,1 M, pH 9,5). Os GT ipsilaterais foram coletados e seccionados (30 µm), submetidos a imunofluorescência indireta para detecção do CGRP, e analisados em microscopia de epifluorescência. A média das porcentagens de neurônios FB positivos e CGRP imunorreativos (IR) foi de 34,7 ± 2,6%, 49,5 ± 2,3%, 40,6 ± 1,8% e 49,6 ± 3,5%, respectivamente para os grupos A, B, C e D.

Os dados permitem concluir que: 1) a expressão de CGRP em neurônios do GT é modificada durante o processo inflamatório; 2) a desnervação simpática da ATM induz um aumento do número de neurônios FB/CGRP-IR do GT somente em animais com a articulação em estado de normalidade. (Apoio: FAPESP.)

A003

Ação antimicrobiana no líquido de cistos odontogênicos.

TRAINA, A. A.*1, DEBONI, M. C. Z.2, NACLÉRIO-HOMEM, M. G.2, CAI, S.3

1Graduação, Iniciação Científica; 2Disciplina de Cirurgia – FOUSP; 3Departamento de Microbiologia Oral – ICB – USP - SP.

A terapêutica de eleição para os cistos odontogênicos é a cirúrgica e, quando apresentam-se infectados, necessitam de cobertura antibiótica no pré-operatório. Há controvérsias quanto à difusão de antibióticos no interior dessas lesões, pela pouca vascularização do epitélio cístico. O objetivo deste trabalho foi verificar a ação antimicrobiana da amoxicilina e do metronidazol, em cistos odontogênicos infectados. Oito cistos radiculares odontogênicos foram puncionados antes e após antibioticoterapia. Os pacientes foram divididos em: Grupo I, constituído de cinco pacientes, com administração de amoxicilina, 500 mg a cada seis horas, e Grupo II, composto de três pacientes, tratados com metronidazol, 400 mg a cada oito horas, durante sete dias. Após este período foram submetidos à cirurgia de enucleação. O líquido cístico coletado das punções foi semeado em meios de cultura, para contagem de bactérias totais e de bactérias anaeróbias estritas. Os resultados revelaram que, inicialmente, o número de bactérias presentes no líquido cístico foi significativamente superior à quantidade isolada após a antibioticoterapia. Verificou-se também que, a maioria dos microrganismos presentes no material coletado, antes da administração dos antibióticos, era anaeróbia estrita.

Concluímos que a antibioticoterapia, suplementar à cirurgia foi capaz de diminuir o número de bactérias presentes no líquido cístico e, portanto, houve difusão dos antibióticos para o interior das lesões císticas, em concentrações suficientes para exercerem atividade antimicrobiana. (Apoio financeiro: FUNDECTO.)

A004

Avaliação do período pós-operatório em 232 pacientes submetidos à cirurgia oral.

Breithaupt-Silva, A. C.*, Manzano, R., Oliveira-Filho, R. M., Crivello Jr., O.

Departamento de Cirurgia, Prótese e Traumatologia Maxilo-Faciais – FOUSP; Departamento de Farmacologia – ICB – USP.

No período pós-operatório (PO), em geral, os cirurgiões tendem a superestimar a dor, enquanto os pacientes dão mais importância a problemas como dificuldades na mastigação de alimentos consistentes, edema e ageusia. Neste trabalho estudamos o período PO através de um questionário focalizando a sintomatologia, aplicado na clínica do Curso de Cirurgia Oral da EAP-APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas). A casuística compreendeu 232 pacientes atendidos nos anos de 1998 e 1999. Os PO foram classificados como “ótimo” (sem queixas); “bom” (1 ou 2 queixas referidas, p. ex. dor, edema); “regular” (3 ou 4 queixas) ou “péssimo” (mais de 4 queixas). As cirurgias estão resumidas no quadro abaixo. Os resultados apontaram 40,4% de PO ótimo, 32,5% bom, 24,6% regular e 2,5% péssimo.

Ano

3ºm

ExoS

RaizR

LOss

LTMol

Apc

Fren

Alv

Supr

Outras

1998

41,3%

26,6%

13,8%

4,6%

4,6%

1,8%

1,8%

1,8%

3,7%

1999

54,3%

15,3%

  7,3%

4,8%

0,8%

2,2%

3,1%

0,8%

4,1%

7,3%

Abreviaturas: 3ºm = terceiro molar; ExoS = exodontia simples; RaizR = raiz residual; LOss = lesão óssea; LTMol = lesão de tecido mole; Apc = apicectomia; Fren = frenectomia; Alv = alveoloplastia; Supr = supranumerário.

Como esperado, a maioria (71%) dos PO regulares e péssimos relacionaram-se com cirurgias de terceiros molares. Apesar de prescrição específica, 14,3% dos casos resolveram-se sem uso de qualquer medicação.

A005

Efeito do tratamento ortopédico no perfil tegumentar utilizando dois tipos de aparelhos diferentes.

DOMINGUEZ-RODRIGUEZ, G. C.*, CRISTANTE, J. F.

Departamento de Ortodontia e Odontopediatria – FOUSP.

O presente estudo prospectivo teve como objetivo comparar as mudanças observadas no perfil tegumentar decorrentes do tratamento com dois tipos de aparelhos ortopédico-funcionais, em adolescentes com maloclusão de Classe II divisão 1a e retrognatismo mandibular. A amostra utilizada foi constituída por 88 telerradiografias em norma lateral de 44 pacientes, divididos em dois grupos. O Grupo I foi formado por 21 pacientes (idade média: 10 anos e 7 meses ± 1,1 anos), tratados com o aparelho Bionator de Balters durante 18 meses e o Grupo II formado por 23 pacientes (idade média: 12 anos e 11 meses ± 1 ano) tratados com o aparelho de Herbst durante 12 meses. As telerradiografias foram obtidas em todos os pacientes imediatamente antes e depois do tratamento. Uma vez traçadas, foram determinadas as grandezas cefalométricas H-Nariz e ângulo H.NB, que avaliam o perfil tegumentar. Após a avaliação dos dados e a análise estatística observou-se uma diminuição estatisticamente significante das duas grandezas nos dois grupos (ângulo H.NB: 2,15º no Grupo I e 3,42º no Grupo II ; distância H-Nariz: 3,34 mm no Grupo I e 4,45 mm no Grupo II) mostrando uma redução favorável da convexidade facial estatisticamente maior no Grupo II.

Com isto, pode-se concluir que a resposta ao tratamento com os dois tipos de aparelhos ortopédico-fun­cionais utilizados foi vantajosa em relação ao perfil, porém, quando comparadas as diferenças o Herbst mostrou ser mais eficiente.

A006

Freqüência do trauma facial em centros traumatológicos de Porto Alegre.

FUTTERLEIB, A.*, PADILHA, D. M. P., BARBISAN, A. O., BAUMGART, C.

Faculdade de Odontologia – UFRGS.

O trauma pode ser considerado um problema de saúde pública, pois é causa comum de morbidade e mortalidade, um grande número de pessoas são envolvidas e apesar da existência de meios de prevenção e controle, os eventos traumáticos continuam ocorrendo. O trabalho tem por objetivo avaliar estatisticamente a freqüência, as causas e conseqüências dos traumas faciais em dois centros de trauma em Porto Alegre entre 1º/01/98 e 31/12/99. Trata-se de uma pesquisa documental direta retrospectiva de pron-tuários, observando a região anatômica fraturada, idade e sexo dos pacientes, causa do trauma, lesões associadas, dias e meses das internações são apresentados. A análise estatística foi realizada no programa EPI INFO 6.04. Foram internados 782 pacientes com trauma facial; 649 pacientes (83,00%) eram homens; a faixa etária dos 18 aos 30 anos foi a mais prevalente com 297 pacientes (37,98%). Os acidentes de trânsito levaram 266 pacientes aos hospitais (34,01%); agressões físicas 203 (26,00%). A região da face mais fraturada foi a mandíbula com 381 fraturas (36,04%), seguida pelo complexo zigomático com 337 (31,88%). Ocorreram 243 lesões associadas. O dia mais freqüente foi domingo com 153 internações (19,56%).

O mês mais freqüente foi janeiro com 89 internações (11,38%). Os homens são mais atingidos por traumas faciais; a faixa etária dos 18 aos 30 anos é mais prevalente; a região mandibular é mais fraturada; os acidentes de trânsito e agressões físicas são as principais causas dos traumas.

A007

Características morfológicas e relações anatômicas do processo estilóide.

SOUSA, L. G.*, SIÉSSERE, S., VITTI, M., SEMPRINI, M.

Departamento de Morfologia, Estomatologia e Fisiologia – FORP – USP. Tel.: (0**16) 602-4026.

O processo estilóide é uma estrutura anatômica em forma de estilete que se localiza no osso temporal, abaixo da porção timpânica. Seu tamanho médio é de aproximadamente 2,5 cm podendo apresentar-se alongado até 8 cm caracterizando a Síndrome do Processo Estilóide ou Síndrome de Eagle, sendo estas largamente abordadas pela literatura. O objetivo deste trabalho é de mostrar as características morfológicas do processo estilóide, assim como suas relações anatômicas, já que este se relaciona direta ou indiretamente com importantes estruturas anatômicas e tal fato não é relatado na literatura. Para a realização deste trabalho foram utilizadas cabeças humanas que foram fixadas em formol a 10%. Posteriormente, com o uso de bisturi, tesouras curvas de pontas fina e romba, pinça íris, afastadores e osteótomo, fez-se a dissecação por planos, removendo-se parcialmente as estruturas adjacentes até que se atingisse o local do processo estilóide expondo as estruturas relacionadas.

Com este trabalho pode-se concluir que as estruturas relacionadas diretamente ao processo estilóide são os músculos estilofaríngeo, estiloglosso e estilo-hioídeo e os ligamentos estilo-hioídeo e estilomandibular e as estruturas indiretamente relacionadas são inúmeras, incluindo os nervos facial e trigêmio, artéria carótida externa e ramos da artéria carótida interna, sendo estas de grande importância clínica.

A008

Análise da ação da dexametasona administrada via enteral e parenteral.

SCHEIDEGGER-SILVA, L.*, MORAES, M., PASSERI, L. A.

Departamento de Diagnóstico Oral – FOP – Unicamp.

Este estudo se propôs a comparar clinicamente os efeitos sobre a dor, edema e limitação de abertura bucal, de 4 mg de dexametasona administrada pelas vias enteral e parenteral, em pacientes submetidos a extrações dos terceiros molares inferiores inclusos bilaterais em posições similares. Dezenove pacientes foram submetidos às extrações em sessões distintas, onde de um lado foi utilizada a via oral e do outro a intramuscular intrabucal (m. masseter). Utilizando-se de dados recolhidos nos períodos pré- e pós-operatórios de 24 e 48 h, foram realizadas as seguintes análises: dor pela escala analógica visual (KEESLING, KEATS, Oral Surg, v. 11, p. 736, 1958) e pelo consumo de analgésicos; edema por medidas na face (NEUPERT III et al., JOMS, v. 50, p. 1177, 1992) e por medidas fotográficas; e limitação da abertura bucal utilizando-se um paquímetro. Todos os dados foram submetidos ao teste de Wilcoxon pareado (p >> 0,05), exceto o edema pelas medidas na face que foram submetidos ao teste de Tukey (p >> 0,05). Os resultados indicaram que não houve diferença estatistica significativa para a dor, a limitação de abertura bucal, e o edema pelo método fotográfico. Entretanto, houve menos edema pela via parenteral segundo a análise das medidas na face.

Foi concluído que não houveram diferenças na dor e limitação de abertura bucal, quando se empregou a dexametasona, por via oral ou intramuscular. A dexametasona por via intramuscular controlou melhor o edema, segundo a análise das medidas na face diferindo dos resultados da análise fotográfica. (Apoio financeiro: CAPES.)

A009

Alterações nas glândulas salivares causadas por lesão do nervo facial.

CRIPPA, G. E.*, NUCCI-DA-SILVA, L. P., SILVA, C. A., DEI BEL, E. A.

Departamento de MEF – FORP – USP - Ribeirão Preto, SP. Tel.: (0**16) 602-4050. E-mail: gecrippa@hotmail.com

A lesão unilateral do nervo facial causa paralisação motora da hemiface correspondente. O objetivo deste estudo foi avaliar as alterações no peso e na expressão da NADPH-diaforase das glândulas submandibular e sublingual do rato. Foram utilizados ratos Wistar machos (150 g) distribuídos em 3 grupos: controle; falso operado e axotomia (secção unilateral do nervo facial direito). As glândulas dos animais do grupo axotomia apresentaram redução bilateral de peso 7 (216:1: 5 mg, n = 20) e 28 dias (230:1:4 mg, n = 20) após a lesão em relação ao controle (7 dias - 284:1:4,6 mg, n = 20 e 28 dias - 290:1:5,4 mg, n = 20) ou falso operado (7 dias - 278:1:8,5 mg, n = 20 e 28 dias - 289:1:4,3 mg, n = 20). Não houve alteração no peso das glândulas aos 56 dias. A histoquímica para NADPH-diaforase na glândula submandibular indicou maior número de ductos marcados no grupo axotomia 7 dias após a lesão (72:1:4,7 ductos/105 mm2, n = 10) comparado ao controle (51:1:2,3 ductos/105 mm2, n = 10) ou falso operado (57:1:2,3 ductos/105 mm2, n = 10), bilateralmente. Não foram observadas alterações no número de ductos marcados 28 ou 56 dias da lesão. Na sublingual, não houve qualquer diferença entre os grupos nos 3 tempos analisados.

A lesão do nervo facial provoca atrofia bilateral reversível nas glândulas submandibular e sublingual acompanhado de aumento do número de ductos NADPH-diaforase positivos na submandibular na fase aguda da lesão. (Apoio financeiro: FAPESP, CNPq.)

A010

Análise epidemiológica, formas de tratamento e complicações dos traumatismos faciais.

SILVA, A. C.*, PASSERI, L. A.

Departamento de Diagnóstico Oral – FOP – Unicamp. E-mail: alessandrofop@yahoo.com

Este estudo avaliou a epidemiologia, formas de tratamento e complicações dos traumatismos de face ocorridos na região de Piracicaba e atendidos pela Área de Cirurgia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba – Unicamp, no período de abril de 1999 a março de 2000. Observou-se a ocorrência desses traumatismos em 340 pacientes, envolvendo principalmente homens (78,53%), da cor branca (60,59%), na faixa etária dos 21 aos 30 anos (25,88%), sendo a maioria economicamente ativo (54,71%), principalmente no mês de outubro (12,94%) e aos finais de semana (44,41%), tendo como etiologia mais freqüente as quedas (37,06%). As fraturas zigomáticas foram as que mais ocorreram (38,02%). 50,59% dos pacientes submeteram-se a alguma intervenção, sendo que dos que não se submeteram, 52,98% apresentavam fraturas. Do total das fraturas maxilomandibulares, 5,83% submeteram-se ao bloqueio maxilomandibular. 68,22% dos traumatismos nos tecidos moles necessitaram de sutura, sendo a região mais afetada a extrabucal (56,30%). As complicações pós-operatórias ocorreram em 18,92% dos casos cirúrgicos, sendo mais comum as infecções (9,91%).

Pôde-se concluir que tais traumatismos ocorreram principalmente aos finais de semana envolvendo homens, jovens, brancos, economicamente ativos e apresentando na maioria dos casos algum vício. O tempo decorrido do traumatismo à cirurgia, as múltiplas fraturas de face, especialmente as mandibulares, relacionaram-se intimamente com a incidência de complicações pós-operatórias. (Processo FAPESP nº 99/04057-8.)

A011

Substituição do amálgama pela pasta zinco-eugenólica em um novo preparo apical.

QUIRINO, L. C., COMUNIAN, C. R., FARIA, R. A., NAVES, M. D.*

Departamento de Clínica, Patologia e Cirurgia Odontológicas – UFMG. Tel.: (0**31) 3482-3076.

Os insucessos na apicectomia com obturação retrógada são significativos, tendo como causa principal o não-vedamento do novo forame pelo material retrobturador, levando, portanto, à indicação de um novo ato cirúrgico. Esta pesquisa in vitro realizada com 45 dentes humanos, extraídos na Clínica Cirúrgica da FO – UFMG por indicação clínica, procurou avaliar o vedamento da pasta zinco-eugenólica em um preparo de retrobturação onde anteriormente estava retrobturado com o amálgama sem zinco. Após a realização de um grupo controle com 15 dentes, 30 dentes tiveram suas coroas e o terço apical removidos, o canal radicular esvaziados e alargados até o terço médio com brocas de Gates. O preparo apical foi realizado com 2 mm de profundidade utilizando brocas esféricas para PM e retrobturados com o amálgama sem zinco. Após sete dias, um novo preparo de retrobturação, amplo e logo abaixo da superfície apical de amputação, foi realizado, removendo-se o amálgama neste local. A pasta zinco-eugenólica foi inserida nesse preparo. Todas as raízes receberam o corante azul de metileno a 2% com pH 7,2 gotejado no interior do canal por sete dias. A seguir, as raízes foram clivadas longitudinalmente e os preparos da retrobturação com a pasta zinco-eugenólica avaliados quanto à presença e ausência do corante.

Observou-se que a realização de um novo preparo apical melhorou a capacidade de vedamento da pasta zinco-eugenólica, não permitindo a infiltração do corante azul de metileno em todos os preparos de retrobturação dessa pesquisa.

A012

Avaliação clínica descritiva da freqüência de fatores que podem interferir na erupção de caninos permanentes superiores.

ABREU, A. T.*, OLIVEIRA, F. A. M.

Programa de Pós-Graduação em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial – FO – PUCRS.

A identificação precoce de distúrbios no trajeto de erupção dos caninos permanentes superiores proporciona um número maior de opções de tratamento e um melhor prognóstico para o paciente. Foram examinados 41 pacientes, entre 7 e 12 anos de idade, com o objetivo de avaliar a freqüência de fatores que podem interferir na erupção dos caninos superiores: ausência ou malformações de incisivos laterais permanentes superiores, identificação clínica do canino permanente por meio de palpação bidigital e espaço disponível no arco maxilar para erupção destes elementos dentários. Utilizando avaliação clínica e radiográfica e análise de modelos de estudo, observou-se agenesia de incisivos laterais superiores em 2,4% e malformação destes dentes em 14,6% da amostra. A posição do canino permanente superior foi identificada bilateralmente em 75,6% dos indivíduos avaliados, unilateralmente em 14,6% e em 9,8% da população estudada não foi possível identificar a posição do canino. Dos pacientes avaliados, 55% não apresentaram espaço disponível no arco maxilar para erupção dos caninos e pré-molares permanentes superiores.

As freqüências de agenesia e malformações de incisivos laterais não foram consideradas expressivas, enquanto as freqüências de identificação bilateral do canino e de deficiência de espaço maxilar foram consideradas expressivas. (Apoio financeiro: CAPES – demanda social. Aprovado pela Comissão Científica e de Ética da FO – PUCRS: protocolo nº 35/99.)

A013

Crescimento craniofacial em crianças com fissura unilateral completa de lábio e palato: comparação entre dois protocolos cirúrgicos.

CALVANO, F.*, SILVA FILHO, O. G., ASSUNÇÃO, A.

Departamento de Ortodontia – HRAC – USP. Tel.: (0**14) 235-8146.

O presente trabalho de pesquisa descreve os resultados de uma avaliação radiográfica usando telerradiografias de norma lateral de 75 crianças portadoras de fissura unilateral completa de lábio e palato, numa faixa etária compreendida entre os 4 e 7 anos. A amostra foi composta por 33 pacientes do sexo masculino e 20 do sexo feminino, que foram tratados de acordo com o protocolo cirúrgico adotado pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), da Universidade de São Paulo, em Bauru, Brasil. A cirurgia reparadora de lábio foi realizada a partir de 3 meses de idade (idade média de 9 meses) e a cirurgia reparadora de palato a partir de 12 meses de idade (idade média de 19 meses). Um outro grupo composto por 22 pacientes (12 do sexo masculino e 10 do feminino), foi submetido ao protocolo cirúrgico proposto por Malek (MALEK, PSAUME, 1983) que foi modificado no HRAC. Este protocolo envolveu cirurgia de palato mole com 5,5 meses de idade, juntamente com a queiloplastia, e cirurgia reparadora de palato duro com aproximadamente 20 meses de idade. Os resultados mostram que a época da realização das cirurgias reparadoras do palato não interferem no crescimento facial, pelo menos nesta faixa etária aqui avaliada (4 aos 7 anos), fato constatado nos resultados cefalométricos que não revelaram nenhuma diferença significante entre os 2 grupos amostrais avaliados.

Portanto, o padrão cefalométrico das crianças com fissura unilateral completa de lábio e palato, para ambos grupos amostrais (protocolo de Malek e protocolo do HRAC) foi similar.

A014

Epidemiologia das fraturas mandibulares no Hospital da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo entre 1996 e 1998.

VALENTE, R. O. H.*, SOUZA, L. C. M., OLIVEIRA, M. G., NISA-CASTRO-NETO, W., GLOCK, L.

Programa de Pós-Graduação em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial – FO – PUCRS.

As fraturas mandibulares constituem um segmento importante dos problemas de saúde pública, pois suas seqüelas podem acarretar graves inabilidades morfofuncionais. Realizou-se uma análise em 195 prontuários entre 1996 e 1998 no Serviço de Cirurgia Bucomaxilofacial do HSCSP. Foram observadas 299 fraturas mandibulares. Na correlação entre os parâmetros analisados, optou-se pela distribuição Qui-Quadrada (c2) para a estatistica e os graus apropriados de liberdade entre as etiologias que apresentaram maior incidência. Os resultados indicaram 161 H e 34 M, com uma média de 30,1 anos para ambos os sexos. A faixa etária mais prevalente foi entre 20 a 29 anos de idade, com 42,6% dos indivíduos atendidos. As agressões físicas foram responsáveis por 29,8% de tais fraturas. Seguida pelas quedas – 25,1% – e acidentes de tráfego com 23,2%. Os ferimentos por arma de fogo constituíram 9,2% da amostra, sendo o dobro dos casos de acidente motociclístico. As fraturas mandibulares mais prevalentes foram: de corpo, com 32,1%; de côndilos, com 24,1%; de parassínfises, com 18,7%. A correlação entre as fraturas de sínfise e côndilo direito c2cal = 20,862 e p << 0,000, corpo direito e côndilo esquerdo c2cal = 15,029 e p << 0,000, e corpo esquerdo com côndilo direito c2cal = 5,831 e P << 0,009, são indicativos de rupturas por contra-golpe nos traumas frontais (côndilo D*sínfise) e laterais (corpo D*côndilo E) e (corpo E*côndilo D) para p << 0,05.

A015

Crescimento e flexão da base do crânio humana: estudo cefalométrico.

LANZA, P.*, SANTOS-PINTO, A., BOLINI, P. D. A.

Departamento de Clínica Infantil – Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP.

 Neste estudo, analisou-se o crescimento e flexão da base do crânio, com objetivo de avaliar as relações entre as estruturas cranianas e maxila, nos primeiros seis meses de vida pós-natal. Com auxílio de suporte construído com distância foco-filme de 1,52 m, foram radiografadas 31 hemicabeças de crianças entre o nascimento e seis meses de idade. Foram utilizados os fatores 90 Kv, 15 Ma e 6 Im, após testes para contraste e nitidez adequados. Foram implantados pinos de aço inoxidável nos pontos anatômicos de referência, de forma a permitir sua clara identificação na radiografia. Estes pontos foram transferidos para papel Ultraphan e digitados no programa “DFPlus”, adequado para obtenção das medidas lineares e angulares necessárias ao estudo. A análise estatística (programa SPSS), mostrou que os ângulos NaSiBa (násio-sela-básio), NaSiPpal (násio-sela-plano palatino) e BaSeE (básio-sincondrose esfenoccipital-esfenóide) não alteraram significativamente. Por outro lado, Na-Si (násio-sela) aumentou consideravelmente, diferente de Ba-Si (básio-sela), que não teve alteração significativa.

Pudemos concluir que não houve variação na flexão da base do crânio ou na inclinação da maxila. Entretanto, houve crescimento significativo da região, determinado principalmente pela elongação da porção anterior da base do crânio, já que a porção posterior apresentou-se praticamente estável.

A016

Avaliação da resistência à tração de botões ortodônticos fixados com cimento ionomérico.

GERMANO, A. R.*, MAZZONETTO, R., MORAES, M.

Departamento de Diagnóstico Oral – Área de Cirurgia Buco-Maxilo-Facial – FOP – UNICAMP. Tel.: (0**19) 430-5274, fax: (0**19) 430-5218. E-mail: adrianofop@yahoo.com

Este trabalho teve como propósito avaliar in vitro a resistência à tração da união entre esmalte e botões ortodônticos fixados através do cimento de ionômero de vidro fotopolimerizável (Fuji ORTHO LC), utilizados nos procedimentos de tracionamento de dentes inclusos, verificando se os efeitos da contaminação por sangue e o condicionamento ácido, interferem nas propriedades de adesão. A amostra foi constituída de 144 terceiros molares inclusos, em cujas faces vestibulares realizou-se a colagem do botão ortodôntico (nacional/Morelli e importado/Ormco) com cimento de ionômero de vidro fotopolimerizável, divididos em 12 grupos com 12 dentes cada. Após a colagem dos botões, as amostras foram submetidas à termociclagem (500 ciclos com temperatura variando entre 5º C a 60º C) e armazenadas nos períodos de 2, 30 e 90 dias, em estufa (37º C) e 100% de umidade relativa do ar. Cada amostra foi submetida após estes períodos ao teste de tração na máquina de ensaio universal (Instron), a uma velocidade de 0,5 mm/min até ocorrer o descolamento do botão ortodôntico. Os resultados obtidos foram submetidos à análise de variância e ao teste de Tukey com 5% de significância.

Através da análise dos resultados foi possível concluir que a fixação do botão ortodôntico com cimento ionomérico, apresentou in vitro resistência suficiente para suportar forças ortodônticas, exceto em condições de extrema contaminação e umidade, representado pelos grupos nos quais a contaminação do sangue ocorreu antes da adaptação do acessório ortodôntico.

A017

Morfometria mandibular de ratos que consumiram lítio.

HAMMES, M.*1, PADILHA, D. M. P.1, ROCHA, E.2

1Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS; 2Instituto de Biociências – UFRGS.

O lítio é uma droga largamente utilizada no tratamento da depressão. Sabe-se que esta droga interfere no metabolismo do cálcio. O objetivo deste estudo foi comparar a morfometria mandibular de ratos submetidos ao consumo de lítio e ratos controle. Ratos com seis semanas foram utilizados no estudo. Dez ratos foram tratados com dieta acrescida de lítio até que sua litemia sérica atingisse 0,6-1,2 mmol/l, o que corresponde a uma concentração similar à atingida na prática clínica. Cinco animais controle foram alimentados com dieta normal ad libitum. Com 140 dias de vida, os ratos foram sacrificados, a mandíbula foi dissecada, separada na linha média e todo o tecido mole da hemimandíbula direita removido. Essas hemimandíbulas foram então radiografadas em películas para tomadas periapicais, automaticamente processadas e, a seguir, digitalizadas por meio de um “scanner”. Utilizando o programa UTHSCSA Image Tool, cinco medições foram realizadas, a saber: largura do processo condilar, altura do processo da sínfise mentoniana, comprimento mandibular, altura mandibular e comprimento da base da mandíbula. Os resultados foram analisados estatisticamente pelo teste “t” de Student, não pareado, e demonstraram que, no grupo que consumiu lítio, houve uma diminuição do crescimento mandibular, em relação à largura do processo condilar e ao comprimento da base (p << 0,05). Não houve diferenças quanto às demais medidas.

Concluímos que o desenvolvimento mandibular foi afetado pelo consumo de lítio, causando uma redução em alguns parâmetros morfométricos.

A018

Estudo da oclusão em modelos de gesso em pré-escolares.

DINELLI, T. C. S.*, MARTINS, L. P., SANTOS-PINTO, A., GIMENES, P. P.

Departamento de Clínica Infantil – Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP.
 Tel.: (0**16) 271-6014. E-mail: dinelli@uol.com.br

No Brasil, os dados de má-oclusão para dentição decídua são escassos e se originam de pequenas amostras. Estudos realizados em Natal e Belém revelaram que pouco mais da metade das crianças daquelas regiões apresentavam más-oclusões. Dados de um levantamento realizado na cidade de São Paulo mostraram que a má-oclusão foi mais prevalente do que os dados referidos acima (79 %). Realizou-se um levantamento nas creches da rede municipal de Araraquara mantidas pelo serviço público, totalizando um universo de 3.100 crianças, das quais foram examinadas e moldadas 838, na faixa etária entre 2 e 6 anos, mostrando 80% de incidência de má-oclusão. Os resultados desse estudo não mostraram diferença estatística significante a respeito da prevalência de má-oclusão entre os sexos. Os dados compreendem medidas lineares (comprimento de arco, perímetro de arco, espaço primata, distância intercanina e intermolar) realizadas indiretamente em modelos de gesso, da dentição decídua de pré-escolares, de ambos os sexos, com o digitalizador Microscribe. (Apoio financeiro: CAPES.)

A019

Modificações de tecidos moles em cirurgias ortognáticas planejadas no computador.

GONÇALVES*, J. R., SANTOS-PINTO, A., TAVARES, H. S., GIMENES, P. P.

Departamento de Clínica Infantil – Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP.
 Tel.: (0**16) 201-6325.

O aumento das cirurgias ortognáticas vem tornando mais freqüente o uso de programas para predição cirúrgica. Entretanto, não se sabe se as alterações ocorridas nos tecidos moles são realmente fiéis aos movimentos realizados nessas simulações. O objetivo deste estudo é comparar as modificações nos tecidos moles resultantes das simulações cirúrgicas com as obtidas após a cirurgia. Utilizou-se 2 telerradiografias laterais de cada caso (n = 21), uma pré-cirúrgica imediata (t2) e outra pós-cirúrgica mediata (t4). Ambas foram digitalizadas em programa cefalométrico específico (DFP). Na t2, simulou-se a cirurgia realizada e este traçado foi denominado de t3. Foram avaliadas as posições dos lábios e mento (horizontal e vertical) na t3 e t4. Na análise estatística utilizou-se o teste “t” de Student. Resultados:

Variável

LsH

LsV

StsH

StsV

StiH

StiV

LiH

LiV

PgH

PgV

GnH

GnV

Média

-1,23 

1,72

1,70

1,21

1,47

 0,51

-1,09  

1,37

-1,81 

0,83

-1,81 

2,26

DP

 1,44

2,00

2,16

1,91

2,07

1,95

2,70

3,07

3,70

3,97

3,70

3,65

T

-3,92 

3,93

3,59

2,89

3,24

1,19

-1,84  

2,03

-2,24 

0,95

-2,24 

2,83

P

   0,001*

   0,001*

   0,002*

   0,009*

   0,004*

  0,245

  0,081*

  0,055

   0,037*

  0,350

   0,037*

  0,010*

O vermelhão dos lábios e a posição do mento, ambos no sentido horizontal, foram subestimados. No sentido vertical, o lábio superior e o mento foram projetados mais para inferior pelo programa, enquanto o lábio inferior estava adequado.

Portanto, as simulações do DFP são interessantes, mas não 100% reais.

A020

Influência da posição do côndilo na composição facial.

GIMENES, P. P.*, SANTOS-PINTO, A., GONÇALVES, J. R., DINELLI, T. C. S.

Departamento de Clínica Infantil – Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP.
 Tel.: (0**16) 201-6325.

A face harmônica é resultado do desenvolvimento e relacionamento correto das estruturas esqueléticas e faciais. Este trabalho objetiva avaliar a influência da posição condilar nos padrões faciais. Selecionou-se telerradiografias laterais de 30 meninos e 32 meninas, de 7 a 9 anos. Obteve-se medidas representativas da posição horizontal e vertical do côndilo em relação à sela túrcica (CoH, CoV), padrão de crescimento facial (SNGoMe, NMe, SGo), e posição anteroposterior da mandíbula (SNB, ANB). Os resultados e a análise dos dados (testes de correlação de Pearson, nível de 95% de probabilidade) estão na tabela abaixo.

Resultados

 

CoH

CoV

SNGoMe

NME

SGo

ANB

SNB

 

Média

-11,5 mm

16,7 mm

35,4º

105,2 mm

67,5 mm

 4,7º

78,5º

 

DP

2,6   

3,2    

 5,6

4,8  

4,4    

2,5

3,4

Correlação

CoH

-

0,06  

 -0,16

-0,08  

0,14  

-0,23

    0,36**

**= p << 0,01

CoV

0,06 

-

    -0,47**

-0,06  

0,64**

-0,64

    0,51**

Portanto: 1) quanto mais anterior o côndilo, mais anterior a mandíbula estará; 2) quanto mais inferior o côndilo, mais anterior a mandibula estará, menor a inclinação do plano mandibular e maior a distância de Sela a Gônio.

Portanto, a posição anteroposterior e vertical do côndilo, em relação às estruturas cranianas, contribui para a composição do perfil facial.

A021

Atividade de três solventes de guta-percha: proposição de uma metodologia alternativa.

CORREIA, D. P.*, ZAPPAROLI, F. Q., PALLOTTA, R. C., MACHADO, M. E. L.

Faculdade de Odontologia – UCCB. Tel./fax: (0**11) 3045-5984. E-mail: danielcorreia88@hotmail.com

Foi objetivo do presente trabalho avaliar a ação de solvência, sobre cones de guta-percha, de três diferentes soluções utilizadas para esse fim, a saber o xilol, o óleo de casca de laranja e o eucaliptol. Para isso, foram selecionados 40 cones de guta-percha, de calibre 80, que foram pesados e identificados. Posteriormente os mesmos foram colocados em tubos de ensaio, onde deveriam ser imersos nas diferentes soluções em grupos de 10, sendo o volume de solução suficiente para submergir todo o cone. Passados cinco minutos, retirava-se a solução a ser testada, colocando-se álcool no tubo em quantidade também suficiente para cobrir o cone, deixando por mais cinco minutos, sendo em seguida imerso em água, onde permanecia por mais dez a quinze minutos. Os cones eram então virados sobre um filtro de papel, onde eram pesados 1 hora e 24 horas depois. Comparavam-se os pesos dos três momentos, sendo verificada a diferença para o peso inicial. Foram criados dois grupos controle, com cinco cones cada, um que não foi submetido a ação de qualquer líquido e outro que foi imerso em álcool e água sem ação de solventes.

A análise dos dados obtidos permite verificar uma ação de solvência maior do xilol, seguido pelo óleo de casca de laranja e pelo eucaliptol, nos grupos controle, não houve qualquer alteração de peso durante o período do experimento. A análise estatística permite verificar uma distribuição normal dos dados, sendo que há uma diferença estatisticamente significativa somente entre o xilol e o eucaliptol.

A022

Avaliação da citotoxidade do digluconato de clorexidina a 2,5% e a 5%, do hipoclorito de sódio a 1% e do soro fisiológico, em subcutâneo de ratos.

BIANCONCINI, I. V.*, GAVINI, G.

FOUSP.

A reação tecidual causada por algumas substâncias foram avaliadas durante o processo inflamatório agúdo, na fase exsudativa. Em 20 ratos adultos da linhagem Wistar, variação albina, pesando de 400-450 gramas, foi injetado intravenosamente 20 mg/kg de azul de Evans, na veia caudal lateral sendo inoculado no subcutâneo dos ratos as substâncias testes: digluconato de clorexidina a 2,5% e a 5%, hipoclorito de sódio a 1% tendo como solução controle o soro fisiológico. Após intervalos de 30 minutos, 6 horas e 24 horas os animais foram sacrificados, suas peles dorsais excisadas, removidas e submetidas à análise do corante extravasado pela espectrofotometria da absorção de luz (A620). Os valores em µg da quantidade de corante extravasado foram submetidos à estatística através da ANOVA (análise de variância a 2 critérios) e constatada a diferença, o teste de Tukey foi aplicado para comparações individuais. Classificou-se as substâncias quanto ao seu potencial irritativo na seguinte ordem decrescente: as clorexidinas a 5% (137,05 µg) e 2,5% (125,16 µg), o hipoclorito de sódio a 1% (85,40 µg), e o soro fisiológico (30,35 µg), sendo observada diferenças estatísticas significantes (p << 0,05) entre os grupos, menos entre as clorexidinas a 2,5% e a 5% que se mostraram semelhantes quanto a biocompatibilidade. Quanto ao fator tempo o hipoclorito mostrou-se menos irritante que as clorexidinas aos 30 minutos e 24 horas. No período das 6 horas todas se comportaram de modo semelhante.

A023

Efeito das soluções desmineralizantes – ácido cítrico e EDTA – na dureza dentinária.

AKISSUE, E.*, GAVINI, G.

Departamento de Dentística, Disciplina de Endodontia – FOUSP - SP. E-mail: eakisue@bol.com.br

Durante a fase de preparo químico cirúrgico ocorre a formação do magma dentinário, resultado da associação de raspas dentinárias, restos orgânicos e substâncias auxiliares a instrumentação. Inúmeros estudos têm demonstrado a importância da eliminação desta sujidade por substâncias descalcificantes, cuja permanência dificulta a ação das substâncias químicas, resultando numa sanificação inadequada do canal radicular. O objetivo foi avaliar a ação da solução de EDTA a 17% e do ácido cítrico a 25%, na dureza da dentina depois da imersão de fragmentos dentinários nos respectivos agentes, em diferentes períodos de tempo como descrito a seguir: Grupo 1- solução fisiológica (controle), Grupo 2- EDTA a 17% por 3 min., Grupo 3- EDTA a 17% por 15 min., Grupo 4- ácido cítrico a 25% por 3 min., Grupo 5- ácido cítrico a 25% por 15 min. Resultados: para a variável tempo de contato observou-se diferença estatística siginificante ao nível de 5% (valor de F tabelado igual a 4,00 para a = 5%), sendo que aumentando-se o tempo de imersão dos fragmentos diminui-se a dureza Knoop da dentina. Levando-se em conta a variável solução desmineralizante, também observou-se diferença significante para a = 5% (valor de F tabelado igual a 4,00), no qual o ácido cítrico a 25% mostrou-se mais efetivo que o EDTA a 17%.

O tempo de contato do agente desmineralizante interfere na sua capacidade descalcificante. A solução de ácido cítrico a 25% mostrou-se mais efetivo que o EDTA a 17%, independente da variável tempo de contato.

A024

Atividade antimicrobiana da clorexidina e do paramonoclorofenol, em veículo gel.

GUIMARÃES, C. C. P.*1,3, CAI, S.2, LAGE-MARQUES, J. L.3

Departamento de Estomatologia – 1UNISA; 2ICB - USP; 3FOUSP. Tel.: (0**11) 5051-6199. E-mail: clauvinajp@uol.com.br

Várias propostas de medicação intracanal vem sendo estudadas, no entanto, a formulação ideal ainda não foi estabelecida, sendo que, alguns microrganismos são mais resistentes às manobras de desinfecção, que outros. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito antimicrobiano frente a Enterococcus faecalis, da clorexidina a 2% e do paramonoclorofenol a 2%, ambos em veículo gel. Raízes de incisivos bovinos foram preparadas em forma de discos e os canais foram padronizados com broca esférica. Os espécimes foram então, esterilizados e infectados com uma suspensão de E. faecalis ATCC 29212, a 37ºC por 24 horas. Foram divididos em dois grupos de três, para aplicação da medicação: Grupo I - clorexidina veiculada em natrosol; Grupo II - paramonoclorofenol veiculado em carbopol. Dois espécimes foram utilizados como controle (Grupo III). Foram novamente incubados a 37ºC por 24 horas. Raspas de dentina foram coletadas após o corte com brocas ISO 25, 27 e 29. Após novo período de incubação e nova inoculação em outros tubos, foi observada a presença de crescimento bacteriano, cuja pureza da cultura era verificada. Todos os procedimentos foram realizados em sextuplicata.

Os resultados foram analisados com o teste do qui-quadrado e observou-se que o digluconato de clorexidina a 2% apresentou-se mais eficaz na eliminação do microrganismo teste que o paramonoclorofenol a 2% (p << 0,001). (Trabalho financiado pela Universidade Santo Amaro.)

A025

Avaliação in vitro da resistência à fratura de raízes endodonticamente tratadas com ácido cítrico e fosfórico.

BRITO, L. M. de*, MALHEIROS, C. F., LAGE-MARQUES, J. L.

Disciplina de Endodontia – Universidade Ibirapuera; Disciplina de Endodontia – FOUSP. E-mail: claudiamalheiros@uol.com.br

O objetivo deste estudo foi avaliar a resistência à fratura de raízes submetidas à irrigação final do canal radicular com ácido cítrico e fosfórico, soluções ácidas recomendadas para remoção do magma dentinário. Foram utilizados 24 pré-molares inferiores humanos recentemente extraídos, de proporções semelhantes. As coroas foram removidas e os canais instrumentados até a lima tipo K de # 40. A seguir, os espécimes foram divididos em quatro grupos: Grupo A (6 raízes - irrigação final com hipoclorito de sódio a 0,5% - controle); Grupo B (6 raízes - irrigação final com 15 ml de ácido cítrico a 15% por 3 minutos); Grupo C (6 raízes tratadas com ácido fosfórico a 37% por 30 segundos) e Grupo D (6 raízes - irrigação final com 15 ml de ácido cítrico a 15% e obturação final). As raízes foram incluídas até o terço médio em blocos de resina acrílica, e submetidas, individualmente, à carga axial em uma máquina de ensaio universal (Riehle Testing Machine, Modelo FS-5, Illinois, EUA). A força aplicada em cada espécime foi registrada quando da fratura radicular. Os valores médios encontrados para a ocorrência da fratura dos espécimes foram: Grupo A- 68,2 kg/s; B- 58,8 kg/s; C- 52,8 kg/s e D- 52,0 kg/s.

Observou-se que os espécimes do grupo controle apresentaram maior resistência à fratura, e que a obturação do canal radicular não interferiu positivamente na resistência à fratura das raízes, contudo a análise estatística pelo teste ANOVA revelou não haver diferença significante entre os grupos.

A026

Avaliação da reabsorção radicular apical em dentes com lesões periapicais.

PRATA, M. I. A.*, VILLA, N., CARDOSO, R. J. A.

Departamento de Endodontia – Universidade de Uberaba. Tel.: (0**34) 3312-7834,
 fax: (0**34) 3311-6200. E-mail: miaprata@uol.com.br

O objetivo desta pesquisa foi avaliar a reabsorção radicular apical, em dentes com lesão periapical, através da observação radiográfica e histológica de dentes humanos extraídos. Foram selecionados 66 dentes, com diferentes diagnósticos, tendo como indicação clínica a sua avulsão. Após os exames clínicos, radiográficos de rotina e extração do elemento dental, os espécimes foram armazenados em formol a 10%. Os dentes foram seccionados ao meio, no sentido longitudinal do longo eixo do dente, dividindo-o em duas metades, a partir do canal radicular. Uma metade de cada espécime sofreu processamento histológico, corada alternadamente pelas técnicas de hematoxilina-eosina, Tricrômico de Masson e Brown & Brenn. A outra metade de cada espécime foi preparada por desgaste para avaliação em microscopia de luz polarizada. A avaliação foi feita pela evidência de lacunas de reabsorção na superfície radicular apical e região do canal cementário. A avaliação radiográfica foi feita pela evidência de alterações no contorno apical da raiz no exame radiográfico. Os resultados radiográficos foram comparados aos histológicos quanto à presença de reabsorção, mostrando que as reabsorções radiculares estavam presentes em 80% dos dentes com lesões periapicais, e estas puderam ser vistas em apenas 22,6% dos exames radiográficos.

Concluiu-se que dentes com alterações periapicais freqüentemente apresentam reabsorção radicular apical, podendo alterar sua anatomia apical, e que o exame radiográfico não é confiável em diagnosticar pequenas reabsorções radiculares apicais.

A027

Variação do pH externo frente a utilização de pastas de hidróxido de cálcio.

ZANINI, A.*, SIQUEIRA, E. L., BOMBANA, A. C.

Departamento de Dentística – FOUSP. Tel.: (0**11) 3091-7839. E-mail: arienezanini@hotmail.com

Há muito tempo, utiliza-se como alternativa nos tratamentos endodônticos o hidróxido de cálcio como componente básico da medicação intracanal. O objetivo deste trabalho foi avaliar, a partir de aglutinações de hidróxido de cálcio P.A. em três diferentes veículos (solução anestésica, polietilenoglicol 400 e soro fisiológico), inseridos à guisa de medicação intracanal em dentes humanos, as variações de pH que essas composições pudessem induzir na água destilada (pH 7,0) com o passar do tempo, considerando-se como via de liberação de íons cálcio e íons hidroxila para o meio, a própria dentina, destituída da cobertura de cemento. Observou-se que variações de pH estatisticamente significantes ocorreram com maior incidência quando se utilizou como veículo o polietilenoglicol, seguido do soro fisiológico e, nenhuma diferença foi notada no decorrer do tempo quando se utilizou a solução anestésica, somente entre uma e duas semanas.

De posse dos resultados, parece-nos lícito inferir que: 1. O potencial de dissociação iônica da medicação intracanal à base de hidróxido de cálcio se mostra maior quando da utilização do polietilenoglicol 400 como veículo, seguido do soro fisiológico e da solução anestésica. 2. As variações observadas não refletem, do ponto de vista químico, alterações significativas do potencial hidrogeniônico. 3. Dentes com pequenas perdas estruturais de cemento radicular no terço cervical, como descrito neste trabalho, não permitem grandes alterações de pH no meio externo. (FAPESP, processo nº 99/09965-0.)

A028

Análise do vedamento apical de canais tratados com EDTA-T e EDTA-C e obturados com cimento N-Rickert.

CARLIK, J.*1, NUNES, M. R. L.2, ANTONIAZZI, J. H.3

1UMC/UnG; 2UMC; 3USP.

Analisou-se a influência da aplicação do EDTA-T e EDTA-C no vedamento apical de canais radiculares de 21 dentes caninos humanos extraídos. O preparo químico-cirúrgico dos canais radiculares foi realizado pela técnica de Paiva & Antoniazzi e a irrigação-aspiração efetuada com 5,4 ml de Tergentol-Furacin. Os dentes foram distribuídos aleatoriamente em três grupos que receberam um tratamento químico específico por três minutos a saber: grupo I - soro fisiológico; grupo II - EDTA-T; e, grupo III - EDTA-C, seguindo-se nova irrigação-aspiração com Tergentol-Furacin. Finalmente todos os canais radiculares foram obturados com cimento N-Rickert pela técnica de cones múltiplos com condensação vertical. As raízes, impermeabilizadas externamente com Super Bonder, foram imersas em azul de metileno a 0,5% com pH 7,2. Após 72 horas de armazenamento em estufa a 37ºC, foram lavadas, clivadas e medida a maior infiltração marginal em cada canal radicular.

A maior média de infiltração ocorreu no grupo III tratado com EDTA-C (1,59), com diferença estatisticamente significante (p << 0,05) em relação às médias registradas no grupo I tratado com soro fisiológico (1,10) e no grupo II tratado com EDTA-T (1,11).

A029

Análise da adesividade de um cimento obturador endodôntico em dentina tratada por diferentes substâncias.

MONTEIRO, P. G.*, BOMBANA, A. C.

FOUSP. Tel.: (0**11) 217-6856, 6191-2552. E-mail: paticagm@yahoo.com.br, acbomban@fo.usp.br

A possível influência do uso de duas soluções de ácido cítrico (10 e 25%) e duas de EDTA (EDTA 15% e EDTA-T 15%), na adesividade à dentina do cimento Sealer-26 foi estudada com auxílio de ensaios de tração e dentes de origem bovina. Vinte e cinco incisivos inferiores foram desgastados de modo a ficarem com suas distâncias vestíbulo-lingual e mésio-distal muito próximas entre si, seguindo-se a inclusão dos espécimes em tubos de PVC com resina acrílica. Cada espécime recebeu na porção incisal uma haste de resina a fim de servir à apreensão do dispositivo de tração. Isso feito promoveu-se um corte horizontal dividindo-se a coroa em duas partes, uma incisal e outra cervical; as quais tiveram as superfícies polidas até lixa 600. Cada parte foi então lavada e tratada em ultra-som visando a máxima remoção de resíduos possível. As amostras foram divididas em quatro grupos experimentais (um para cada agente irrigante) e um grupo controle, irrigando-se as superfícies de dentina exposta com 5 ml de cada um dos produtos, dispensando-se 1 ml por minuto. Após a secagem as partes foram unidas pelo cimento e o conjunto submetido a testes de tração em um dinamômetro Instron.

Os dados obtidos foram tratados estatisticamente e revelaram diferenças significativas entre o grupo controle e os experimentais, permitindo concluir que: 1) a adesividade do cimento à dentina melhorou diante do tratamento químico da superfície do tecido; 2) o melhor resultado foi oferecido pelo ácido cítrico a 25%, seguido do EDTA-T, revelando o ácido cítrico 10% e o EDTA 15% ações praticamente idênticas. (Apoio financeiro: FAPESP.)

A030

Análise comparativa de duas substâncias utilizadas na impermeabilização da superfície radicular externa.

NUNES, M. R. L.*1, PORTES, M. L.2, CARLIK, J.3, ANTONIAZZI, J. H.4

1UMC; 2UNIBAN; 3UMC/UnG; 4USP.

Diversos estudos in vitro realizados em Endodontia empregam a impermeabilização da superfície externa radicular como parte de suas metodologias. Para tanto, as substâncias mais utilizadas são o esmalte de unha e o cianoacrilato de metila, sendo este último na atualidade mais utilizado por apresentar melhor capacidade de vedamento. O presente trabalho propõe um verniz náutico como nova alternativa de agente impermeabilizante, comparando-a com o cianoacrilato de metila. Foram utilizadas 20 raízes de caninos humanos extraídos (do acervo da UnG), todas com o mesmo comprimento e com as entradas dos canais vedadas com óxido de zinco e eugenol, aleatoriamente divididas em dois grupos de acordo com o agente impermeabilizante utilizado: cianoacrilato de metila (Super Bonder®) e verniz náutico (Ypiranga Sparlack Extra Marítimo®). Após a aplicação de camada dupla e aguardados os tempos de secagem de cada material, as raízes foram imersas em solução de azul de metileno a 0,5%, pH = 7,2 e armazenadas em estufa por 72 horas a 37ºC. Finalmente as raízes foram lavadas, secas e seccionadas transversalmente para verificar uma possível infiltração do corante. As secções foram examinadas por meio de lupa estereoscópica.

Os resultados baseados no número de amostras com e sem infiltração mostraram uma diferença estatisticamente significante entre os dois materiais (p << 0,05) e um melhor comportamento do verniz náutico em relação ao cianoacrilato.

A031

Laser Er:YAG versus EDTA: efeito na adaptação de cimentos endodônticos.

VALE, M. S.*, GARCIA, R. B.

Departamento de Dentística, Endodontia e Materiais Dentários – FOB – USP. E-mail: monicavale@uol.com.br

A adaptação do Ketac-Endo, AH Plus e Endométhasone, à dentina radicular foi estudada pelas microscopias óptica e eletrônica de varredura (MEV). Empregaram-se noventa caninos humanos extraídos, que após preparo químico-mecânico, foram divididos em três grupos de 30: Grupo A, empregando-se laser de Er:YAG intracanal, com 44 mJ, 10 pps, durante dez segundos, seguido de irrigação com solução salina fisiológica; Grupo B, empregando-se 5 ml de EDTA durante cinco minutos, seguido de irrigação com solução salina fisiológica, Grupo C, empregando-se 20 ml de solução salina fisiológica. Após secagem e armazenagem, os canais foram obturados pela técnica clássica, vedados com Cimpat, e as raízes armazenadas em umidade de 100% a 37oC, durante 30 dias. Em seguida, foram seccionadas transversalmente a 5 mm do ápice radicular, fixadas em discos de resina, fotografadas nas microscopias, escaneadas e transferidas para o programa SigmaScan para mensuração das áreas preenchidas pelos materiais obturadores e das fendas entre parede do canal e material obturador. Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística pelo teste de Kruskal-Wallis, Dunn e Wilcoxon.

Como conclusões obteve-se que: o laser de Er:YAG prejudicou a adaptação de todos os cimentos; o EDTA melhorou a adaptação do Endométhasone e do AH Plus; a solução salina fisiológica melhorou a adaptação do Ketac-Endo; o Endométhasone apresentou a pior adaptação; o AH Plus apresentou a melhor adaptação com EDTA em MEV.

A032

Comparação da citotoxicidade in vitro do ácido cítrico em diversas concentrações.

MALHEIROS, C. F.*, GAVINI, G., JAEGER, M. M. M.

Departamento de Dentística – FOUSP. E-mail: claudiamalheiros@uol.com.br

A irrigação final do canal radicular objetiva a remoção do magma dentinário, possibilitando a atuação da medicação intracanal e facilitando o selamento dentinário do material obturador. As soluções de ácido cítrico em diversas concentrações têm sido recomendadas para este momento importante do tratamento endodôntico. A fim de avaliar a citotoxicidade destas soluções, realizaram-se ensaios de viabilidade pela exclusão de células coradas pelo azul de Trypan. Soluções de ácido cítrico a 25%, 15% e 10% foram diluídas a 1% e 0,5% em DMEM, e aplicadas em culturas de fibroblastos NIH-3T3. Células crescidas e mantidas em DMEM serviram como controle. Foram realizadas contagens celulares em hemocitômetro após 0, 6, 12 e 24 horas de contato (resposta celular de curto prazo) e 1, 3, 5 e 7 dias (longo prazo). Na diluição de 1% houve morte celular imediata para todas as soluções. No experimento de curto prazo, as soluções se comportaram de maneira semelhante ao controle. A solução de ácido cítrico a 25%, na diluição de 0,5%, apresentou crescimento celular estatisticamente menor no experimento de longo prazo.

Conclui-se que as soluções de ácido cítrico mostraram-se biocompatíveis nas concentrações de 15% e 10%, enquanto a 25% foi citotóxica em ambas as diluições.

A033

Avaliação da temperatura intrapulpar durante irradiação com lasers de diodo.

PELINO, J. E. P.*, HAYPEK, P., GOUW-SOARES, S., TANJI, E., BACHMAN, L., EDUARDO, C. P.

Departamento de Dentística – FOUSP; CLA-IPEN. Tel.: (0**11) 5641-8847. E-mail: pelinoj@fo.usp.br

O aumento de temperatura produzido pelos lasers quando aplicados nas superfícies dentais podem provocar danos pulpares irreversíveis dependendo dos parâmetros utilizados. O estudo realizado tem por objetivo analisar o aumento de temperatura produzido pelo laser de diodo (830 nm) quando utilizado para realizar o clareamento dental, através do uso de dois sistemas de lasers de marcas comerciais distintas, ADT e Opus Dent. Foram utilizados 10 dentes de antílope, distribuídos em 4 grupos descritos a seguir: Grupo 1- 1,5-3,0 W (ADT) sem produto clareador (n = 3); Grupo 2- 1,2-3,0 W (Opus Dent) sem produto clareador (n = 3); Grupo 3- 2,0-3,0 W (ADT) com produto clareador (n = 2); e Grupo 4- 2,0-3,0 W (Opus Dent) com produto clareador (n = 2). O produto clareador utilizado foi o Opus White (Opus Dent). Foram acoplados termopares tipo T (cobre-estanho) no interior da câmara pulpar dos dentes, que ficaram imersos (na face lingual) numa cuba térmica à temperatura de 37ºC. As temperaturas obtidas neste estudo não ultrapassaram 5,0ºC dentro dos parâmetros de laser utilizados, sendo que as maiores elevações de temperatura obtidas foram nos parâmetros maiores.

Nos grupos onde o produto clareador não foi aplicado o aumento de temperatura foi maior do que nos grupos onde o produto clareador foi aplicado. Foi observado também que a queda de temperatura ao normal demora mais no grupo onde o produto clareador foi aplicado. Este estudo se mostra de extrema importância para se realizar o procedimento de clareamento dental com segurança e efetividade. (Apoio: FAPESP.)

A034

Avaliação in vivo da precisão de um modelo de localizador apical eletrônico.

RAMOS, C. A. S.*, BERNARDINELI, N.

Endodontia – Universidade Norte do Paraná. Tel.: (0**43) 323-8982. E-mail: caco@inbrapenet.com.br

Os métodos de odontometria que utilizam interpretação de imagens radiográficas apresentam um considerável índice de insucesso na localização da constrição apical. Modificações no princípio de funcionamento dos localizadores apicais eletrônicos foram executadas objetivando medições em canais úmidos. Neste experimento, avaliamos o método eletrônico da impedância freqüência-dependente (Endex), verificando in vivo a influência da condição pulpar e do diâmetro do forame apical na precisão das leituras. Noventa e oito dentes com indicação prévia de extração, totalizando cento e oitenta e seis canais foram utilizados no experimento. Uma vez obtida a leitura, a lima utilizada como eletrodo foi fixada em posição e o dente extraído. As medidas foram obtidas através da visualização direta e um paquímetro, tabuladas e analisadas estatisticamente. Os resultados indicaram que, em média, nos casos de polpa viva, as medidas estavam a 0,9725 ± 0,56 mm aquém da saída do forame apical. Nos casos de necrose, a média foi de 0,9898 ± 0,57 mm aquém, não apresentando diferença estatisticamente significante. Os casos de necrose com forames de diâmetros estreitos (0,8725 ± 0,15 mm aquém), apresentaram resultados diferentes estatisticamente (p << 0,05) dos casos de necrose com diâmetros largos (1,1071 ± 0,23 mm aquém). O mesmo fato não foi observado nos casos de polpa viva.

Todas medições estiveram dentro de um limite clínico aceitável, demonstrando que o método de localização apical eletrônica é seguro e confiável na determinação do comprimento de trabalho.

A035

Estudo comparativo da infiltração apical de três cimentos obturadores.

CALIL, E.*, CALDEIRA, C. L., AUN, C. E., GAVINI, G.

Disciplina de Endodontia, Departamento de Dentística – FOUSP.

O objetivo maior da fase de obturação do sistema de canais radiculares é o perfeito preenchimento deste espaço, utilizando guta-percha associada a um cimento obturador. Tendo em vista a grande variedade de cimentos, os autores se propuseram a estudar comparativamente o grau de infiltração apical de dentes obturados com um cimento à base de óxido de zinco e eugenol, outro à base de hidróxido de cálcio e um outro resinoso, visando determinar qual deles atende melhor às necessidades de selamento apical. Foram selecionados 30 dentes humanos unirradiculares anteriores superiores extraídos, que foram submetidos ao preparo químico-cirúrgico segundo a técnica preconizada por Paiva & Antoniazzi e irrigação final com 10 ml de EDTA-T a 17% e 10 ml de hipoclorito de sódio a 1%. Os dentes foram obturados pela técnica de condensação lateral, variando-se os cimentos obturadores, sendo que no grupo 1 utilizou-se o cimento N-Rickert, no grupo 2 o cimento Sealapex e no grupo 3 o cimento AH Plus. Posteriormente as amostras foram impermeabilizadas com cianoacrilato, exceto o 1 mm apical e coradas com azul de metileno. Em seguida, os dentes foram clivados e examinados em lupa estereoscópica avaliando-se o grau de infiltração linear do corante. Os resultados foram analisados estatisticamente pelo teste de Kruskal-Wallis (p << 0,005) e mostraram uma menor infiltração do corante no grupo 3, significante quando comparado com os demais grupos.

Podemos concluir que o cimento resinoso apresentou melhor capacidade seladora e impermeabilizante da região apical.

A036

Avaliação de três substâncias químicas auxiliares na remoção de hidróxido de cálcio dos canais radiculares.

CARDOSO, L. N.*, TORRESI, E. C. B., PROKOPOWITSCH, I.

Departamento de Dentística – FOUSP - SP.

Este trabalho teve como objetivo avaliar o EDTA-T, o líquido de Dakin e a clorexidina líquida a 2% quanto à remoção do hidróxido de cálcio do interior dos canais radiculares. Foram utilizadas 30 raízes padronizadas de dentes bovinos (19 mm), que sofreram PQC acorde Paiva e Antoniazzi (18 mm, lima final 90) e preenchimento com uma pasta de hidróxido de cálcio. Após um período de 15 dias mantidas à seco, foram divididas em 3 grupos: G1- EDTA-T, G2- Dakin e G3- clorexidina. Em cada grupo, procedeu-se à remoção da pasta até o CRT, utilizando-se uma lima K 25 e 20 ml da substância química auxiliar; findo esse processo, mais 10 ml da mesma substância auxiliar foram usados na irrigação do conduto. Os dentes foram secos, impermeabilizados externamente com cianoacrilato de metila e imersos em uma solução de azul de metileno a 0,5% por 12 horas. As raízes coradas e lavadas foram inclusas em resina, sendo cortadas e observadas em microscópio óptico acoplado a um microcomputador. Utilizando-se do programa Image Lab, pode-se obter os valores referentes às áreas coradas. A análise e o tratamento estatístico dos dados nos mostrou que no G1 (EDTA-T) ocorreu a melhor remoção da medicação, não havendo diferenças estatisticamente significantes entre os grupos 2 e 3.

Parece-nos lícito concluir que a ação quelante do EDTA-T foi fundamental na obtenção de resultados significantemente melhores quando comparados com o líquido de Dakin e a clorexidina líquida a 2%.

A037

Avaliação in vitro da permeabilidade dentinária na presença ou não de cemento radicular variando-se a técnica de instrumentação.

ROTA, E. L.*, PROKOPOWITSCH, I.

Disciplina de Endodontia – FOUSP. Tel.: (0**11) 3091-7839. E-mail: emersonrota@uol.com.br

Este estudo teve o objetivo de avaliar a influência da remoção do cemento radicular na permeabilidade dentinária. Para tanto foram utilizadas duas técnicas de instrumentação. Foram selecionados 12 dentes unirradiculares, portadores de canal único. Foi confeccionada uma canaleta no sentido axial dos dentes (na parede vestibular e lingual) para delimitar duas superfícies. Em uma das superfícies, 0,5 mm da superfície radicular foi removida com auxílio de brocas diamantadas tronco-cônicas. Já a outra superfície sofreu apenas a remoção do cálculo visível, utilizando-se curetas periodontais. Feito isso, as coroas foram removidas e procedeu-se o acesso ao conduto radicular e posteriormente a odontometria. Os dentes, então, foram divididos em dois grupos: Ga- preparo valendo-se de instrumentos manuais; Gb- preparo com instrumentos rotatórios. Em ambos os grupos, foi utilizado como substância química auxiliar creme de Endo PTC neutralizado com hipoclorito de sódio a 0,5%. Ao final do preparo o dente sofreu irrigação e aspiração de 10 ml de hipoclorito de sódio a 0,5% e de 10 ml de EDTA-T. O conduto radicular foi preenchido com corante azul de metileno a 0,5% por 48 horas. Tanto a entrada do conduto como o forame apical foram vedados com Cimpat e impermeabilizados com cianocrilato de etila (Super Bonder). Os dentes foram incluídos em resina e cortados no sentido transversal nos terços cervical, médio e apical.

O grupo no qual não foi removido o cemento apresentou maior penetração do corante independentemente da técnica de instrumentação.

A038

Avaliação de duas metodologias e quantificação da extusão de debris apicais.

DEONÍZIO, M .D. A.*, GAVINI, G., PONTAROLO, R.

Departamento de Endodontia – FOUSP. E-mail: maridoro@rla01.pucpr.br

O propósito deste estudo foi verificar, in vitro, as metodologias: esponja de poliuretano e sistema de filtração Millipore com filtros de 0,45 micrômetros para coletar material extruído, líquido e sólido, além do forame apical, quando do preparo químico-cirúrgico de canais radiculares. Foram utilizados doze incisivos inferiores do banco de dentes da FOUSP. Foram mergulhados em timol a 0,1% e suas superfícies radiculares foram alisadas. A cirurgia de acesso foi realizada de acordo com PAIVA; ANTONIAZZI (1988). O dispositivo metálico, com o elemento dental fixado e com isolamento absoluto; o sistema de filtração Millipore e a esponja de poliuretano foram fixados à haste universal com garra dupla. Todos os espécimes foram instrumentados de acordo com parte da técnica PAIVA; ANTONIAZZI (1988) com água destilada como líquido irrigador, sendo 10ml o  volume total de irrigante utilizados para cada espécime. Para realização da coleta primária, a esponja de 2 x 2 x 2 cm permaneceu encostada ao forame e foi removida após instrumentação. Após isto, os debris residuais aderidos à superfície radicular foram removidos com 40 ml de água destilada e então coletados pelo sistema de filtração Millipore (coleta secundária). Tanto as esponjas quanto os filtros foram levados à estufa por 24 horas a 37ºC, retirados e levados à sala com 49% de U.R. e a 20ºC dentro de um dessecador, resfriados por 5’, pesados e os valores comparados entre a pesagem final e inicial. O método primário coletou 38,9% do material sólido extruído, enquanto que o método secundário coletou 61,1% desse material além do forame.

A039

Avaliação comparativa da permeabilidade dentinária após o preparo do canal variando as substâncias químicas.

AMORIM, C. V. G.*, LAGE-MARQUES, J. L.

Universidade de São Paulo; Universidade Ibirapuera - São Paulo - Brasil. E-mail: jmarques@fo.usp.br

O aumento da permeabilidade dentinária obtida durante o preparo do sistema de canais radiculares é fator fundamental para a adequada ação dos agentes químicos utilizados na terapia endodôntica. A proposta deste estudo foi avaliar, in vitro, a penetração do corante rodamina B após o preparo químico e cirúrgico de 27 incisivos com canal único. Esses especimes foram distribuídos aleatoriamente em 3 três grupos experimentais: Grupo I- hipoclorito de sódio 0,5% + creme Endo PTC, irrigação final: EDTA-T (farmácia de manipulação: Oficinalis), Grupo II- hipoclorito de sódio 0,5% + Glyde File Prep (Dentsply), Grupo III- hipoclorito de sódio 0,5% + File-Eze (Ultradent). Os espécimes do Grupo controle (3) foram preparados com água destilada. Após a irrigação-aspiração final e secagem, o corante foi introduzido nos canais e removido imediatamente por aspiração e secagem com cones de papel. Cada espécime recebeu 5 cortes transversais, resultando em seis amostras (2 leituras/terço). As amostras foram digitalizadas, e com o auxílio do software Image Lab, avaliou-se a penetração do corante pela mensuração das áreas coradas (%). As médias de penetração (%) do corante nas amostras foram analisadas e tratadas estatisticamente, p << 0,05 (Kruskal-Wallis).

As substâncias químicas auxiliares: hipoclorito de sódio + Endo-PTC, hipoclorito de sódio + Glyde e hipoclorito de sódio + File-Eze promoveram aumento de permeabilidade dentinária radicular de maneira semelhante. O terço apical de todas as raízes experimentais apresentou-se menos permeável que os terços médio e cervical.

A040

Análise histoquímica da invasão microbiana da lesão periapical em pacientes imunocompetentes e imunodeprimidos pelo HIV.

OLIVEIRA, R. B.*, ARAÚJO, V. C., LAGE-MARQUES, J. L.

Departamento de Dentística – FOUSP. E-mail: riborveira@hotmail.com

Este trabalho teve como objetivo verificar a importância do sistema imunológico na possível prevenção da invasão por microrganismos nas lesões periapicais de dentes extraídos de pacientes imunodeprimidos pelo vírus HIV e imunocompetentes, que constituíram dois grupos. Foram selecionados cinco exames anátomo-patológicos de cada grupo os quais mencionavam na descrição do exame macroscópico lesão ou tecido apenso ao ápice radicular. Além disso, no grupo imunodeprimido pelo vírus HIV selecionou-se os espécimes de pacientes com nível de CD4 menor que 200 céls./mm3 de sangue. Os espécimes selecionados foram submetidos aos procedimentos laboratoriais para análise histoquímica pela técnica de coloração de Brown & Hopps.

A avaliação ocorreu em microscopia de luz quando detectou-se invasão das lesões periapicais por microrganismos em todos os espécimes analisados ressaltando que, a mesma foi mais facilmente perceptível em algumas lâminas dos pacientes imunodeprimidos pelo vírus HIV, onde os microrganismos aparentavam estar presentes em maior número.

A041

Avaliação da resistência a torção de limas de níquel-titânio, variando-se conicidade e fixação da ponta.

SHIMABUKO, D. M.*, AUN, C. E., GAVINI, G.

Disciplina de Endodontia – UNICID; FOUSP. Tel.: (0**11) 9249-0805. E-mail: ddmshi@aol.com

Procurando possibilitar uma adequada modelagem e sanificação do canal radicular curvo, limas rotatórias de níquel-titânio têm sido empregadas, principalmente devido a grande flexibilidade e baixo módulo de elasticidade que esses instrumentos apresentam. Atuando em movimento rotacional no interior do canal radicular, devem ser utilizados de forma controlada e rítmica, evitando a sua fratura. Desse modo, a avaliação da resistência a fratura desses instrumentos, por meio de ensaios de torção, permite a determinação de qual intensidade de força podemos imprimir a lima, sem o risco de acidentes. Em nosso estudo, comparamos limas Quantec com duas conicidades distintas: 0.04 e 0.06, variando-se o sistema de fixação da ponta. Comparando-se as duas conicidades, a resistência a torção das limas Quantec nº 6 foram estatisticamente menores em relação as limas Quantec nº 8, independentemente do sistema de fixação da ponta. Houve diferença estatisticamente significante entre os testes rígido e elástico, independentemente da conicidade do instrumento.

Instrumentos rotatórios de maior conicidade, tendem a apresentar maior resistência a torção, quando comparados aos de menor, considerando-se mesmo comprimento de parte ativa e diâmetro inicial.

A042

Avaliação morfológica de 5 marcas de limas endodônticas do tipo K existentes no mercado.

MARTINELLI, R. S.*, NEIVA, V. L., HOAMAOKA, L., MOURA, A. A. M.

FOUSP.

Cinco marcas de limas endodônticas vendidas como tipo K foram avaliadas com relação à sua morfologia. As marcas escolhidas foram aquelas que são mais comumente encontradas no mercado brasileiro e mundial, são elas: lima K-file colorinox, fabricada pela Maillefer Instruments, Ballaigues - Suíça; lima Mor-Flex K-type files, fabricada pela Moyco Union Broach, York PA; lima K-file, fabricada pela Dyna Endodontic instruments, Bourges - França; lima K-file, fabricada pela Many, Japão e lima K-file da marca Kerr Sybron - México. Foram analisadas 10 limas de cada marca acima relacionada, totalizando 50 limas que foram divididas em 5 grupos distintos. Analisamos primeiramente o comprimento do instrumento, tamanho da parte ativa e distância entre os passos utilizando-se para tanto um microscópio óptico ajustado para uma magnificação de 40 vezes, sendo todas as medidas expressas em milímetros e os dados foram anotados em uma tabela separando-se cada grupo. Num passo subseqüente, preparamos as limas para microscopia eletrônica de varredura onde foi analisada a anatomia da ponta, a secção transversal e a qualidade das arestas cortantes, sendo os dados anotados em tabelas específicas.

Os resultados mostraram diferenças entre as marcas observadas neste experimento, alertando assim os endodontistas que fazem uso deste tipo de lima.

A043

Perfil do paciente traumatizado – levantamento do centro de trauma – FOUSP.

SHIMIZU, M. H.*, PUGGINA, C., PROKOPOWITSCH, I., AZEVEDO, C.

Disciplina de Endodontia – FOUSP. Tel.: (0**11) 3091-7477.

A Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo possui um centro de atendimento (CADE - Trauma Dental) para as vítimas de traumatismos dentais. O atendimento é realizado diariamente e atua principalmente nos traumas que envolvem os tecidos duros e de sustentação dos dentes. O objetivo deste trabalho é obter o perfil do paciente traumatizado. Através da ficha de anamnese de 387 pacientes foram observados sexo, idade, dentes envolvidos no trauma, tempo decorrido do trauma  até o 1º atendimento no CADE - Trauma Dental, etiologia, tipos de trauma, dentes avulsionados, freqüência de avulsão versus idade, tempo decorrido da avulsão versus 1º atendimento no CADE - Trauma Dental e etiologia da avulsão. Todos os resultados foram analisados estatisticamente através do teste de qui-quadrado.

Podemos concluir que o perfil do paciente que sofreu traumatismo dental é do sexo masculino, 65,9%, com idade na faixa dos 9 aos 11 anos, com forte incidência no dente 11 (32%) ou no 21 (33,6%). A causa mais provável é a queda, acidental ou de bicicleta. A avulsão dos elementos dentais é o tipo de lesão mais freqüente quando ocorre envolvimento dos tecidos de sustentação e a fratura coronária ao envolver os tecidos duros dos dentes. O maior problema está no tempo decorrido do trauma até a primeira consulta no centro de trauma. O atendimento imediato favorece o prognóstico do tratamento e corresponde apenas a 5,8% dos pacientes e somente 31,5% comparecem na primeira semana.

A044

Infiltração apical da obturação de canais radiculares de secção elíptica.

FERREIRA, R.*, SANTOS, M., DOTTO, S. R.

Universidade de Santa Cruz do Sul - RS.

Objetivos: o propósito deste estudo foi avaliar, in vitro, a capacidade de vedamento apical da obturação dos canais radiculares com secção transversal elíptica, utilizando diferentes técnicas de condensação. Métodos e resultados: no estudo foram utilizados trinta segundos pré-molares superiores, obturados com a técnica de condensação vertical, variando o uso de condensadores circulares e elípticos, e a técnica de condensação lateral. Após imersão no corante azul de metileno por 48 horas, os dentes foram diafanizados e a infiltração linear máxima foi medida.

Conclusão: avaliados pelo teste de Kruskal-Wallis, a variação das técnicas e dos condensadores não mostrou diferença significativa quanto ao vedamento marginal apical da obturação, embora o grupo onde a condensação vertical foi realizada com o condensador elíptico tenha demonstrado o menor índice de infiltração.

A045

Avaliação in vitro da influência da instrumentação manual e rotatória na permeabilidade dentinária radicular.

PANZANI, C.*, SANTOS, M., BOMBANA, C., SIQUEIRA, E. L.

Disciplina de Endodontia – FOUSP. Tel.: (0**13) 3288-4298.

A possível influência das instrumentações manual e rotatória na permeabilidade dentinária, foi avaliada com o auxílio do corante azul de metileno. Vinte pré-molares inferiores tiveram as suas coroas removidas, e foram divididos em quatro grupos. Primeiro grupo, oito espécimes, foram instrumentados manualmente com a técnica cérvico-apical com limas tipo K Flexofile. Segundo grupo, oito espécimes, foram preparados com instrumentos ProFile .04. A substância química utilizada para os dois grupos foi o hipoclorito de sódio a 0,5%, que era renovada cada vez que mudava o instrumento. Grupo controle positivo onde dois espécimes foram apenas irrigados com hipoclorito de sódio a 0,5%. Controle negativo, dois espécimes, que não foram submetidos a nenhum tipo de instrumentação ou irrigação. Todos os dentes foram impermeabilizados na sua porção externa com cianoacrilato de etila e, imersos em azul de metileno a 0,5%, pH 7,2 e levados à estufa a 37ºC em umidade relativa 100% por 24 horas. Foram então removidos da solução e lavados em água corrente. Confeccionou-se sulcos longitudinais e com o auxílio de um clivador, as raízes foram separadas. Para a análise dos espécimes, foi utilizada uma placa de polietileno, quadriculada milimetricamente, e com o auxílio de uma lupa, foi quantificada a área total das hemi-secções e a região em que foram coradas.

As duas formas de preparo do canal radicular estudadas neste trabalho, não apresentaram diferença estatisticamente significante quanto ao aumento de permeabilidade dentinária.

A046

Avaliação in vitro da microinfiltração coronária em canais radiculares obturados após irrigação com clorexidina gel.

GOMES, N. V.*, FERRAZ, C. C. R., GOMES, B. P. F. A., TEIXEIRA, F. B., SOUZA-FILHO, F. J.

Disciplina de Endodontia – FOP – UNICAMP.

A irrigação tem importante função no preparo químico-mecânico do sistema de canais radiculares. A “smear layer” sobre as paredes do canal radicular atua como barreira física, interferindo no selamento dos cimentos obturadores. Com a remoção da “smear layer” ocorre penetração do cimento obturador no interior dos túbulos dentinários, aumentando a interface entre a obturação e a parede dentinária, melhorando a capacidade seladora da obturação. O objetivo deste estudo foi avaliar a microinfiltração coronária após o uso de diferentes tipos de irrigantes endodônticos. Cinqüenta dentes monorradiculares humanos foram instrumentados pela técnica híbrida e obturados pela técnica da condensação lateral, sendo cada grupo (n = 10) irrigado com uma das seguintes soluções: G1- NaOCl 1%, G2- NaOCl 1% + EDTA 17%, G3- gel de clorexidina 2%, G4- gel de clorexidina 2% + NaOCl 1%, G5- água destilada. Após obturação os dentes foram armazenados por 10 dias a 37ºC para completa presa do cimento obturador, imersos por 10 dias em saliva humana a 37ºC, seguido por mais 10 dias em tinta nanquim. Os dentes foram diafanizados, e a microinfiltração coronária medida em milímetros.

No grupo G2 obteve-se a menor infiltração (2,62 mm), no entanto, sem diferença estatisticamente significante (p << 0,05) ao grupo G3 (2,78 mm). Os grupos G1 (3,51 mm), G5 (6,10 mm), e G4 (9,36 mm) tiveram as médias de infiltração coronária progressivamente maior, diferindo estatisticamente dos grupos G2 e G3, e entre si (p >> 0,05).

A047

Estudo bacteriológico de canais radiculares associados a abscessos periapicais.

SOUSA, E. L. R.*, FERRAZ, C. C. R., PINHEIRO, E. T., GOMES, B. P. F. A., TEIXEIRA, F. B., SOUZA-FILHO, F. J.

Endodontia – FOP – UNICAMP.

O objetivo do presente estudo foi identificar microrganismos presentes em canais radiculares associados a abscessos periapicais, suas possíveis correlações com as fases dos abscessos, além de avaliar a sensibilidade microbiana. Coletou-se amostras microbiológicas de 30 canais radiculares usando pontas de papel estéreis, transportadas em VMGA, diluídas, plaqueadas e incubadas na câmara de anaerobiose. As colônias microbianas foram purificadas, caracterizadas e identificadas. Cento e dezessete bactérias foram encontradas, sendo 75 (64,1%) anaeróbias estritas. As bactérias anaeróbias mais freqüentemente isoladas foram: P. prevotii (43,3%), P. micros (30%), F. necrophorum (23,3%). Embora menos freqüentes, bactérias facultativas como G. morbillorum (30%) e S. mitis (20%) também foram encontradas. As espécies mais prevalentes P. prevotii e F. necrophorum foram testadas quanto à suscetibilidade antimicrobiana através do método do “E-test”, utilizando os seguintes antibióticos: benzilpenicilina, amoxicilina, amoxicilina + ácido clavulânico, metronidazol e clindamicina. P. prevotii e F. necrophorum apresentaram-se sensíveis a todos os antibióticos testados.

Apesar da ausência de significância estatística, nossos resultados indicaram predominância de bactérias anaeróbias gram-positivas e a presença de microbiota mista nos canais radiculares infectados associados a abscessos periapicais. Os testes de suscetibilidade antimicrobiana revelaram que as espécies P. prevotii e F. necrophorum apresentaram-se sensíveis a todos os antibióticos testados. (FAPESP - 1999/08504-9.)

A048

Detecção de microrganismos superinfectantes em pacientes portadores de infecção endodôntica de caráter primário.

FERRARI, P. H. P.*, CAI, S., BOMBANA, A. C.

Departamento de Dentística, Disciplina de Endodontia – FOUSP. Tel.: (0**11) 3091-7839. E-mail: pferrari@fo.usp.br

O objetivo do estudo foi detectar a presença de espécies de enterococos, leveduras e enterobactérias em 25 pacientes portadores de polpa necrótica e lesão periapical com câmara pulpar fechada. As amostras foram colhidas com cones de papel esterilizados, em vários momentos: 1ªcoleta- superfície dental; 2ª- imediatamente após acessar o canal radicular; 3ª- após preparo químico-cirúrgico; 4ª- após 7 dias sem medicação intracanal e a 5ª coleta- 7 dias após a inserção da medicação. Os cones foram transferidos para o meio VMGAIII. As amostras foram semeadas na superfície de meios sólidos seletivos e não-seletivos. A identificação foi baseada no perfil bioquímico apresentado pelas amostras em testes específicos. Em 92% dos casos microrganismos puderam ser isolados do interior dos canais quando da 2ª coleta, sendo 16% enterococos, 4% enterobactérias e 4% leveduras. Após o preparo químico-cirúrgico, os oportunistas pesquisados não foram isolados. Após 7 dias sem medicação intracanal, 100% dos canais abrigavam microrganismos, sendo 48% enterococos, 12% enterobactérias e 12% leveduras. Porém, quando empregamos a medicação intracanal PRP por 7 dias, enterobactérias e leveduras não foram mais isoladas enquanto os enterococos foram identificados em 3 casos.

Concluímos que os microrganismos superinfectantes pesquisados foram pouco freqüentes nos casos de infecção endodôntica primária e que os enterococos, especialmente E. faecalis e E. faecium, mostraram-se resistentes mesmo após o preparo do canal seguido do uso da medicação PRP. (FAPESP – 99/07323-0.)

A049

Avaliação marginal apical de três técnicas de preparo do canal radicular.

ANDRADE, W. B.*1, HADDAD FILHO, M. S.1, NEIVA, V. L. M.1, CALDEIRA, C. L.1,
MEDEIROS, J. M. F.2

1FOUSP; 2USF. E-mail: drweber@ig.com.br

O propósito dessa pesquisa foi cotejar a influência do emprego de três técnicas de preparo do canal radicular na infiltração apical. Utilizou-se 60 raízes mésio-vestibulares de molares humanos extraídos, que foram divididas em três grupos: Grupo A- os canais foram instrumentados com a técnica escalonada; Grupo B- valeu-se da técnica cérvico- apical; Grupo C- empregou-se aparelho mecânico rotatório para preparo do canal radicular. Os canais radiculares foram obturados pela técnica de cones múltiplos com condensação lateral, empregando-se o cimento N-Rickert como material obturador. A seguir, impermeabilizou-se a superfície externa das amostras com 3 camadas de esmalte de unhas, deixando-se visível 1 mm do terço radicular apical. As raízes foram então imersas em corante azul de metileno a 0,5% (pH 7,2) durante 72 horas a 37ºC em ambiente de umidade relativa 100%. As amostras foram depois incluídas em gesso-pedra e a seguir, desgastadas. Com auxílio de microscópio comparador tomaram-se as medidas de penetração do corante azul de metileno. Os resultados obtidos mostram valores médios de infiltração: G.A = 2,26 mm; G.B = 1,86 mm; G.C = 1,46 mm.

Concluiu-se então que o Grupo C mostrou desempenho superior, com média de infiltração menor que os Grupos A e B; essa diferença porém, não foi estatisticamente significante.

A050

Análise das características superficiais de instrumentos ProFile através de microscopia eletrônica de varredura.

MARTINS, R. C.*, BAHIA, M. G. A., BUONO, V. T. L.

Departamento de Odontologia Restauradora, Departamento de Engenharia Metalúrgica de Materiais – FO/EE – UFMG. E-mail: r.c.martins@uol.com.br

Os procedimentos de usinagem e acabamento a que são submetidos os instrumentos de níquel-titânio resultam em superfícies irregulares, com imperfeições e impurezas. Um total de 15 instrumentos de Ni-Ti acionados a motor, ProFile, calibres nº 20/.04, nº 25/.04, nº 20/.06, cinco instrumentos de cada, foram analisados através de microscopia eletrônica de varredura e espectroscopia de energia dispersiva de raios X, com o intuito de observar as características superficiais de instrumentos novos, antes e após dois métodos de esterilização. Foram encontrados muitos fragmentos, rebarbas e raspas de metal, além de irregularidades e variações na geometria de instrumentos dentro de um mesmo calibre. Uma grande quantidade de material depositado nas pontas e ao longo das hastes cortantes dos instrumentos foi detectada, sendo que este padrão não se modificou após um ciclo de esterilização em autoclave ou estufa. O material de depósito, constituído basicamente de carbono, enxofre e oxigênio, mostrou-se muito retentivo, não sendo eliminado pelos procedimentos de limpeza e esterilização utilizados comumente.

De acordo com as observações deste estudo, sugere-se que a presença deste material de depósito juntamente com as imperfeições encontradas na superfície dos instrumentos de Ni-Ti, podem propiciar um ­maior acúmulo de resíduos resultantes da formatação do sistema de canais radiculares e, ao mesmo tempo, dificultar uma adequada limpeza e desinfecção das limas, levando à quebra da cadeia asséptica imprescindível para a manutenção da biossegurança durante a terapia endodôntica.

A051

A infiltração marginal no canal radicular após procedimentos de clareamento interno.

NEIVA, V.*, MARTINELLI, R., HAMAOKA, L., MOURA, A.

Departamento de Dentística, Disciplina de Endodontia – Universidade de São Paulo. E-mail: veralmn@fo.usp.br

A finalidade desse trabalho foi avaliar os efeitos de duas pastas utilizadas no clareamento ambulante (“walking bleaching”): perborato de sódio associado ao peróxido de hidrogênio e o uso de perborato de sódio misturado à água destilada sobre duas barreiras cervicais utilizadas após a obturação dos canais radiculares. Os materiais utilizados nas barreiras foram o cimento de ionômero de vidro (tipo II – Shofu) e o cimento provisório Citodur, colocadas em momentos diferentes: na mesma sessão de início dos procedimentos de clareamento ou colocadas numa sessão, aguardado o devido período de presa das mesmas e início do clareamento em outra sessão. Quarenta e quatro incisivos centrais superiores foram selecionados, estabelecidos os CRTs e tratados acorde técnica Paiva & Antoniazzi. Todos os espécimes foram obturados com cimento N-Rickert e condensação lateral. Foram então divididos em 8 grupos e 4 espécimes foram usados para controles positivo e negativo. Após os procedimentos de clareamento, os dentes foram impermeabilizados com cianocrilato de etila e imersos em corante Rodamina B 1% por 48 horas a 37oC. Após esse período, foram incluídos em resina e seccionados longitudinalmente, no sentido vestíbulo-palatino. Com auxílio de uma lupa esteroscópica com 15 aumentos, foi feita a mensuração da média de infiltração de corante de cada espécime.

Pode-se concluir que os grupos que esperaram o devido período de presa do material utilizado nas barreiras tiveram um resultado melhor que os grupos que iniciaram o clareamento na mesma sessão que inseriram as suas barreiras. Percebeu-se também menor infiltração nos grupos que não utilizaram o peróxido de hidrogênio como material clareador.

A052

Ação do Carisolv® na permeabilidade da dentina radicular, quando utilizado após o preparo químico-cirúrgico do canal.

POLO, I.*, LAGE-MARQUES, J. L., SHIMABUKO, D. M.

Departamento de Dentística, Disciplina de Endodontia – FOUSP. Tel.: (0**11) 3091-7839.

Avaliou-se a influência Carisolv® na penetração do corante Rodamina B a 1% na dentina radicular. Trinta dentes humanos unirradiculares tiveram os canais preparados pela técnica seriada com instrumentos endodônticos, Endo PTC e Dakin. Após, constituíram-se três grupos com dez espécimes. No grupo I os canais receberam irrigação final com soro fisiológico, no grupo II com EDTA-T e no grupo III com o gel Carisolv®. Após secagem do canal com cones de papel, eles foram preenchidos com solução Rodamina e mantidos em estufa a 37ºC, durante 30 minutos. Em seguida, os canais foram esvaziados, secados com cones de papel e mantidos em estufa a 50ºC, durante 15 minutos. Após secagem do corante, cortou-se transversalmente o dente no limite amelocementário. Na raiz, após novos cortes, obteve-se seis fragmentos (anéis) de espessura iguais, sendo dois apicais, dois médios e dois cervicais. A área da superfície cervical e da infiltração do corante, em cada anel, foi mensurada, em pixels. Após, obteve-se a média porcentual da infiltração de cada terço radicular. Para tal, a imagens das superfícies foram digitalizadas com auxílio do “scanner” e arquivada em computador, onde se utilizou o programa Image Lab 2.3 para a leitura. O porcentual médio da infiltração do corante na dentina radicular no G I foi 27,41, no G II foi 66,80 e no G III foi 51,49.

Foi possível concluir que a irrigação final, após preparo químico-cirúrgico, pela utilização do gel Carisolv® e do EDTA-T, aumenta a permeabilidade dentinária nos três terços radiculares enquanto que o terço apical foi o menos permeável.

A053

Estudo comparativo de quatro sistemas de instrumentação rotatória.

CAMPOS, C. A .*, CAMPOS, C. N.

Departamento de Clínica Odontológica, Disciplina de Endodontia – FO – UFJF. Tel.: (0**32) 3229-3864. E-mail: cauber@terra.com.br

O objetivo do presente estudo foi comparar a eficiência de quatro sistemas rotatórios de instrumentação de canais radiculares quanto à capacidade de efetuar a dilatação sem provocar desvios ou deformações anatômicas, mantendo o eixo de curvatura original do canal. Oitenta raízes mésio-vestibulares com curvatura em torno de 30º, de molares superiores, divididos em quatro grupos de 20 dentes cada, tiveram os canais instrumentados pelos sistemas: ProFile® .04 e .06, Quantec® LX, ProFile series 29® e Pow-R®. Após instrumentação biomecânica, os canais foram preenchidos com Telebrix® 38 e delineados através de projeções das radiografias pré- e pós-preparo. Os canais foram medidos em oito níveis e avaliados através de um método matemático que dispensa a presença de observadores.

Os resultados mostraram preparos com boa conicidade, bem centrados, com baixo índice de transporte, sem rasgo, perfuração ou “zip” apical que pudessem comprometer a instrumentação. Estatisticamente, quanto à qualidade do preparo, não foi encontrada diferença significante entre os grupos (p >> 0,05). ­Quanto à manutenção do eixo do canal, o sistema Pow-R® apresentou índices de transporte mais elevados, com diferença significante em relação ao ProFile .04 e .06 (p << 0,05).

A054

Ação do EDTA 17% na remoção da “smear layer” endodôntica.

FARIA, R. A., CÔRTES, M. I. S., BASTOS, J. V.

Departamento de Odontologia Restauradora – FO – UFMG. E-mail: galaco@gold.com.br

O método quantitativo de avaliação da remoção da “smear layer” foi desenvolvido para caracterização morfológica (MEV) da superfície dentinária, utilizando 8 pré-molares extraídos, instrumentados com limas Pow-R e submetidos a diferentes técnicas de irrigação final com EDTA 17% e NaOCl 2,5%. Dois dentes foram utilizados para controle, negativo antes da instrumentação e, positivo, após a formação da “smear layer”. Foram obtidas 5 fotomicrografias (2.000 X) da região apical de cada canal para definição dos critérios de caracterização de túbulos íntegros e áreas danificadas. Após análise da aplicabilidade do método (FARIA et al., SBPqO, 2000, resumo 178), sua validação foi realizada comparando-se as leituras de 3 examinadores em 4 fotomicrografias selecionadas aleatoriamente. Em seguida, o método foi utilizado com o objetivo de comparar 3 volumes de EDTA 17%. A amostra foi composta de 9 dentes, sendo 3 por grupo (G1 = área volumétrica do canal; G2 = 1,5 ml; G3 = 3,0 ml). Para cada grupo foram utilizadas 15 fotomicrografias divididas em 180 campos. Após análise pelo teste de Kruskal-W allis, observou-se diferença estatisticamente significativa entre os grupos quanto ao número de túbulos íntegros (p = 0,003) e de áreas danificadas (p << 0,001). Os resultados para túbulos íntegros foram (média/DP), G1 (0,69/09), G2 (0,39/0,8) e G3 (0,50/0,8);e em relação ao número de áreas danificadas, G1 (0,04/0,2), G2 (0,14/0,4) e G3 (0,23/0,5).

Estes resultados demonstraram que no G1, foram identificados maior número de túbulos íntegros e menor número de áreas danificadas. (Apoio financeiro: CAPES.)

A055

Comparação entre técnica de McSpadden modificada e técnica de condensação lateral.

CAMõES, I. C. G.*, FREITAS, L. F., Chevitarese, O., Gomes, C. c., Sales, C. L.

Departamento de Odontoclínica – UFF. Tel.: (0**21) 274-5228. E-mail: icamoes@matrix.com.br

O objetivo do presente estudo foi avaliar a qualidade de duas técnicas de obturação do sistema de canais radiculares através da visualização ao microscópio eletrônico da penetração do cimento e/ou guta-percha nos túbulos dentinários. Dez caninos extraídos foram biomecanicamente preparados, usando Edta para remover o “smear layer” e divididos em dois grupos de cinco amostras. Todos os canais radiculares foram preenchidos com cimento Endo-Fill e cones de guta-percha, sendo que o Grupo 1 teve os condutos obturados pela técnica de condensação lateral e o Grupo 2 pela técnica de McSpadden modificada. As raízes foram cortadas em terços e apenas os terços médios foram aproveitados sendo “splitados” de forma a obter-se um total de 20 amostras, observadas ao microscópio eletrônico de varredura (MEV), com finalidade de se observar o grau de penetração do material obturador nos túbulos dentinários. Os corpos-de-prova foram visualizados com aumentos de 500, 1.200, 1.500 e 2.000 vezes, avaliando-se o preenchimento dos túbulos dentinários.

Após análise das fotografias (MEV) por 7 observadores concluiu-se que o Grupo 2 mostrou presença de material obturador em seus túbulos dentinários significativamente maior que o Grupo 1, deixando explícita a superioridade da técnica de McSpadden modificada no que concerne ao selamento do material obturador.

A056

Difusão de substâncias provenientes de associações com Ca(OH)2: estudo cromatográfico (HPLC).

CAMÕES, I. C. G., SALLESM, R., CHEVITARESE, O., GOMES, G. C.

Departamento de Odontoclínica – UFF. Tel.: (0**21) 274-5228.

Esta pesquisa teve por propósito avaliar, por meio de cromatografia líquida de alta performance (High Performance Liquid Chromatography – HPLC), alíquotas de meios aquosos em que estiveram imersos 25 pré-molares humanos mantidos, um a um, em frascos de 800 ml de água deionizada ultrapura durante 1.687 horas após o preenchimento dos condutos com associações entre Ca(OH)2 e diversos veículos. Os dentes foram divididos em grupos de 5, sendo que cada um teve seus condutos preenchidos individualmente por pasta de Ca(OH)2 associado a um veículo respectivo; Grupo 1 - polietilenoglicol e colofônia (Calen); Grupo 2 - glicerina e paramonoclorofenol canforado (PMCC); Grupo 3 - PMCC; Grupo 4 - glicerina, tricresol e formalina; e Grupo 5 - solução anestésica (prilocaína). Ao término deste período foram feitas análises cromatográficas dos meios aquosos relativos a cada grupo com o objetivo de detectar substâncias que além do cálcio e da hidroxila, tenham se difundido a partir das pastas e que sejam detectáveis por meio de HPLC.

Após a análise dos cromatogramas, pode-se concluir que além do Ca2+ e do íon OH uma considerável quantidade de substâncias foram capazes de atingir o meio externo, sendo detectadas no meio aquoso, particularmente no Grupo 4.

A057

Verificação do teor de cloro ativo em soluções comerciais de hipoclorito de sódio.

SAYÃO MAIA, S. M., VARGAS, C. M., PÉCORA, J. D.

Departamento de Odontologia Restauradora – Faculdade de Odontologia de Pernambuco – Universidade de Pernambuco. Tel.: (0**81) 3458-1088, fax: (0**81) 3458-1476. E-mail: ssayao@uol.com.br

A pesquisa objetivou avaliar o real teor de cloro em soluções de hipoclorito comercializadas nas casas de materiais dentários. O teor de cloro ativo presente em 14 soluções de hipoclorito de sódio – 7 líquidos de Dakin; 5 soluções de Milton e 2 sodas cloradas – foi verificado através da titulometria. Dentre as soluções, 11 foram adquiridas no comércio e 3 preparadas no laboratório da FORP - USP.Os valores encontrados foram comparados àqueles descritos pelos fabricantes nos rótulos das embalagens e a intervalos de valores considerados ideais pela literatura consultada. Das amostras testadas, 6 apresentavam teor de cloro abaixo do declarado (4 líquidos de Dakin, 1 solução de Milton e 1 soda clorada). As três soluções preparadas serviram como parâmetro. O tempo de validade declarado no rótulo da maioria das soluções foi de 12 meses, sendo predominante a embalagem plástica em cor branca. A literatura recomenda 3 meses como o tempo máximo de validade e embalagem escura, preferentemente vidro de cor âmbar.

Os resultados encontrados permitem concluir que faltou efetivo controle na qualidade das soluções analisadas o que pode comprometer a ação das referidas substâncias durante o preparo químico-mecânico dos sistemas de canais radiculares.

A058

Análise das alterações morfológicas de canais radiculares irradiados com laser de Er:YAG com ponteira cilíndrica e cônica.

ARAKI, A. T.*, LAGE-MARQUES, J. L., OKAGAMI, Y., KATAOKA, K., OISHI, J.

Morita Co.; Endodontia – FOUSP - SP. E-mail: jmarques@fo.usp.br

Usualmente preconiza-se a ponteira cilíndrica (PCI) na ação intracanal com movimentos circulares, no entanto a nova ponteira cônica (PCO) tem como objetivo distribuir maior quantidade de irradiação na superfície dentinária do canal radicular proporcionando o controle do extravasamento apical do laser. Assim a proposta deste estudo in vitro foi analisar as alterações morfológicas provocadas pelo laser de Er:YAG com PCI e a PCO em canais radiculares. Foi realizado o tratamento endodôntico acorde técnica tradicional nos espécimes selecionados (12). Os parâmetros utilizados para o Grupo 1 (6) foram 47 mJ (“output”), 10 Hz, 2 mm/s, 15 ml de água/espécime, PCI de 2 anéis (Kavo), sendo que estes foram subdivididos em: 1A (3) movimentos circulares ápico-cervical (AC) (2 X) e cérvico-apical (CA) (2 X) e 1B (3) com movimentos longitudinais (4 X). No Grupo 2 (6) empregou-se a PCO (Morita) com movimentos longitudinais (AC) e irrigação com 0,5 ml de água/min., estes foram subdivididos em: 2A (3) utilizando ponteira com 300 mm, 10 mJ (“output”), 10 pps, 0,5 mm/s e 2B (3) ponteira com 400 mm, 30 mJ (“output”), 10 pps, 1 mm/s. Após a irradiação os espécimes foram preparados para análise em MEV. Nas imagens obtidas foram observadas microfraturas, fusão e áreas não irradiadas no Grupo 1 e nas amostras do Grupo 2, verificou-se a ação do laser em todo o canal, sendo que o Grupo 2A apresentou fusão e microfraturas.

O modelo experimental possibilitou concluir que a PCO com 10 mJ empregada nos espécimes do Grupo 2B produziu resultados mais efetivos, por agir ao longo de todo o canal mantendo a característica saudável da dentina.

A059

Avaliação do tecido conjuntivo de rato frente a implantes de MTA, Apexit e hidróxido de cálcio.

TAMBARA, K. R.*, MOTTA, A. G., REBOUÇAS, A. A. P., CARVALHO, M. C. A.

Departamento de Odontoclínica – UFF - Niterói. Tel.: (0**21) 719-1055.

Através deste trabalho pretendemos avaliar as alterações do tecido conjuntivo de ratos frente a implantes de tubos contendo: MTA, Apexit e hidróxido de cálcio, para determinar a biocompatibilidade. Foram utilizados 30 ratos machos da linhagem Wistar, pesando entre 150 e 200 g, sendo distribuídos em 3 grupos experimentais de 7, 14 e 30 dias. Selou-se uma das extremidades dos tubos com parafina, sendo a outra selada pela substância teste ou ficando vazia. Utilizamos anestésico geral tiopental intraperitonealmente, tricotomizou-se a região dorsal, e foi feita uma desinfecção com povidine e incisamos. Cada animal recebeu 4 implantes, sendo 3 tubos contendo os materiais e um tubo vazio (controle). Após transcorridos os períodos experimentais os grupos foram sacrificados com overdose de tiopental e os tubos removidos com tecido conjuntivo circunjacente e imersos em formol. Processou-se histologicamente as peças realizando as colorações de H. E. e Von Kossa. Cada peça foi analisada e classificada quanto ao grau de irritação. Utilizamos o teste das medianas, adotando-se a prova de Fisher com significância de 5%.

Conclusões: 1) com 7 e 14 dias o melhor material foi o MTA seguido do Apexit e por último o Ca(OH)2; 2) com 30 dias todos os materiais apresentaram-se bem tolerados, caracterizado pela presença de fibroblastos e fibras colágenas. (Este trabalho foi financiado pela FAPERJ através de bolsa de iniciação científica.)

A060

Avaliação de obturação endodôntica pelo processamento digital de imagens.

MARTINS, P. N.*, DE DEUS, G., GURGEL, E., PACIORNIK, S., COUTINHO FILHO, T.

Departamento de Procedimentos Clínicos Integrados – FO – UERJ. Tel.: (0**21) 587-6373.

O presente estudo foi realizado para comparar e avaliar qualitativamente obturações endodônticas utilizando três técnicas diferentes (G1 = condensação lateral, G2 = compressão hidráulica e G3 = sistema Thermafil). O acesso, a instrumentação e o preparo químico obedeceram uma seqüência clínica padronizada. Foram utilizados blocos de resina padronizados simulando canais curvos com abertura apical e comprimento médio de 16 mm. Em cada grupo, utilizou-se 3 blocos de resina e em cada bloco foram feitos 3 cortes transversais paralelos em Isomet (Mitutoyo) de 2 mm de espessura apenas nos 6 mm apicais. Os cortes foram avaliados em microscópio óptico com aumento de 100 X e as imagens digitalizadas para visualização e processamento utilizando o programa KS 400 (Zeiss). A extração de atributos de cada imagem foi realizada através de operações algébricas, binarização e segmentação. As frações de guta-percha e cimento ocupadas foram segmentadas por cores, para posterior mensuração digital. As amostras foram tratadas estatisticamente pelo teste paramétrico ANOVA, que determinou diferenças estatisticamente significantes entre os grupos (p << 0,01). Utilizando o teste de Bonferroni verificou-se que os melhores resultados foram observados no G3, seguido por G2, e por último o G1 (p << 0,05).

De acordo com a metodologia e os resultados desse trabalho, podemos concluir que o sistema Thermafil promoveu um melhor selamento apical que as outras duas técnicas estudadas.

A061

Atividade antimicrobiana de diferentes concentrações de NaOCl e clorexidina.

SASSONE, L.*, FIDEL, R., FIDEL, S., VIEIRA, M., HIRATA Jr., R.

Departamento de Procedimentos Clínicos Integrados – FO – UERJ. E-mail: lsassone@montreal.com.br

O objetivo do presente trabalho foi avaliar, in vitro, a atividade antimicrobiana das soluções de clorexidina a 0,12%, 0,5% e 1% e hipoclorito de sódio a 1% e 5% na presença ou não de carga orgânica (BSA), através da metodologia de teste por contato. Para tal, foram utilizadas cepas ATCC de microrganismos anaeróbios facultativos (Staphylococcus aureus, Enterococcus faecalis e Escherichia coli) e anaeróbios estritos (Porphyromonas gingivalis e Fusobacterium nucleatum). Cada solução foi avaliada após 4 diferentes tempos de contato (t0- imediato, t5- 5 minutos, t15- 15 minutos e t30– 30 minutos) e foram realizadas 10 repetições para cada grupo. Em metade dos experimentos, adicionou-se albumina sérica bovina (BSA) a 0,5%. Os resultados demonstraram que a solução de clorexidina a 0,12% não foi capaz de eliminar o E. faecalis em nenhum dos tempos testados independente da adição de BSA. A clorexidina a 1% foi capaz de eliminar todos os microrganismos independentemente do tempo e da adição de BSA assim como ambas concentrações de hipoclorito de sódio.

Através dos resultados obtidos parece-nos lícito concluir que para melhor eliminação microbiana seria necessária uma solução de clorexidina de concentração superior a 0,12%, que a adição de carga orgânica não apresentou diferença expressiva sobre a atividade antimicrobiana das soluções testadas.

A062

Estudo comparativo do escoamento da guta-percha através da termoplastificação.

ALVARES, G. R.*, MOREIRA, E. J. L., FIDEL, S. R., FIDEL, R. A. S., RICHA, S.

Departamento de Odontologia – UNIGRANRIO. Tel.: (0**21) 672-7777.

O objetivo do estudo foi avaliar o grau de escoamento de cinco diferentes marcas de cones de guta-percha através da termoplatificação com o System “B”. As amostras foram divididas em cinco grupos com seis espécimes cada. Os espécimes possuiam 1 mm de comprimento por 1 mm de diâmetro e foram submetidos a temperatura de 200ºC através do System “B” por 5 segundos. Após o aquecimento as amostras foram colocadas entre duas laminas de vidro para microscopia e comprimidas por 1 min, com um peso de 300 g. Terminada esta etapa os espécimes foram medidos em milímetros no seu maior diâmetro por um paquímetro digital. Os dados foram analisados estatisticamente através da ANOVA e do teste Tukey demonstrando haver diferença estatisticamente significativa entre os grupos 4 e 1, 4 e 2, 3 e 1.

Através dos resultados podemos concluir que o grupo 4 demonstrou maior escoamento em relação aos grupos 1 e 2 e o grupo 3 maior escoamento em comparação ao grupo 1.

A063

Avaliação, in vitro, da atividade antimicrobiana de dez seladores temporários frente a uma cultura mista.

KOPPER, P. M. P.*, ANDRADE, M., SÓ, M. V. R., BAMMANN, L. L., OLNEIRA, E. P. M.

Departamento de Odontologia – ULBRA. E-mail: endoso@ig.com.br

O selamento coronário, entre sessões, permitindo a atuação da medicação intracanal adequadamente e evitando a contaminação ou recontaminação do sistema de canais radiculares, é um dos pilares para a obtenção do sucesso no tratamento endodôntico. O objetivo deste trabalho foi avaliar, in vitro, dez materiais seladores temporários, livres de eugenol, com relação à ausência ou presença de atividade antimicrobiana, frente a uma cultura mista de microrganismos. A atividade antimicrobiana do Cavit Branco, Cavit Rosa, Cimpat Branco, Cimpat Rosa, Dentalville Branco, Dentalville Rosa, Citodur Duro, Citodur Mole, Coltosol e Cavitec foi avaliada frente a cultura mista de Enterococcus faecalis, Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus e Candida albicans. A cultura foi inoculada em placas de Petri, contendo meio de cultura TSB-A (“tripticase-soy broth-agar”). Sobre cada uma dessas placas foram colocados dois corpos-de-prova, de dois diferentes materiais. Duas placas com TSB-A inoculadas serviram de controle positivo e duas, não inoculadas, contendo meio de cultura, foram utilizadas como controle negativo. As placas foram incubadas, durante 48 horas, a 37ºC. A seguir, foi feita a avaliação da presença ou ausência de halo de inibição de crescimento microbiano em torno dos corpos-de-prova.

Através desse estudo, foi lícito concluir que: a) nenhum dos materiais seladores temporários testados apresentou atividade antimicrobiana frente a cultura mista testada; b) a presença dos seladores temporários no meio de cultura TSB-A, não inoculado, não permitiu o crescimento de microrganismos.

A064

Análise das paredes dentinárias pós-desobturação endodôntica com diferentes solventes.

PORTO, P. O. B.*, SANTOS, R. A., CARVALHO, C. M. R. S.

Departamento de Odontologia Restauradora – FOP – UPE. Tel.: (0**81) 3467-5493. E-mail: patporto@elogica.com.br

A remoção de material obturador dos canais radiculares é feita com auxílio de solventes formando camada residual. Seria interessante que além da capacidade de solvência, tais solventes removessem também “smear layer”. Diante disto, este estudo averiguou a capacidade de limpeza e de remoção de “smear layer” efetuada pelo eucaliptol, eucaliptol e EDTA e óleo de laranja. Quarenta raízes palatinas de molares superiores, instrumentadas, foram divididas em 4 grupos: G1 (controle), G2, G3 e G4. Os grupos G2, G3 e G4 foram obturados e desobstruídos com eucaliptol, eucaliptol e EDTA, e óleo de laranja respectivamente, e radiografados. Todas as amostras sofreram impermeabilização, excetuando-se o forame, e submeteram-se à infiltração de azul de metileno a 2% seguido por clivagem vertical. A capacidade de limpeza dos solventes foi verificada através da análise visual das radiografias recebendo escores 0 (nenhum material obturador), 1 (mínimo material obturador), 2 (menos de 50% de material obturador) ou 3 (mais de 50% de material obturador). A remoção de “smear layer” foi avaliada pela medição linear do corante através de estereomicroscópio. Os resultados do grau de limpeza foram analisados com o teste de Kruskal-Wallis observando-se diferença significativa entre os grupos a nível de 1%. Para a penetração do corante, o teste ANOVA revelou haver diferença estatística (p << 0,01) entre o grupo controle e os demais grupos.

Pode-se concluir que, nas desobturações, os materiais testados não removem totalmente o material obturador nem tornam os túbulos dentinários permeáveis.

A065

Quantidade e direção de dentina excisada pelas limas manuais de aço inoxidável e de níquel-titânio durante o preparo seriado do canal radicular.

CAVADA, L.*, ANTONIAZZI, J. H.

Departamento de Dentística – FOUSP. Tel.: (0**11) 3091-7839. E-mail: cavada@conex.br

É finalidade do preparo químico-cirúrgico sanear o sistema de canais radiculares e dar forma afunilada a este para que um selamento ápico-cervical seja realizado de maneira impermeável. Este trabalho buscou comparar a quantidade e direção de dentina cortada durante o preparo seriado do canal radicular com limas de aço inoxidável (Flex-R) e níquel-titânio (Onix-R) manuais, utilizando para isso dentes primeiro e segundo molares humanos. A leitura dos resultados deu-se após o preparo com a lima número 30, 35 e 40 através de radiografias que foram medidas por um projetor de perfil (perfilômetro). Os resultados não mostraram diferenças estatisticamente significantes entre as limas avaliadas, tanto no que diz respeito a quantidade de dentina quanto a direção de desgaste produzido pelos instrumentos.

Podemos concluir neste trabalho que as limas estudadas desgastam quantidades semelhantes de dentina em canais curvos em cada um dos terços radiculares avaliados sendo a diferença estatística não significante; a direção de desgaste proporcionada pelas limas Flex-R e Onix-R é idêntica numérica e estatisticamente em cada um dos terços radiculares, sendo predominante para o lado externo da curvatura nos terços apical e cervical e para o lado interno da curvatura no terço médio; ambos os tipos de limas testados, aço inoxidável e níquel-titânio, até os calibres 30, 35 e 40 podem ser utilizados na técnica de preparo seriado e com movimentos de limagem (tração de viés) sem produzir danos ao sistema de canais radiculares curvos.

A066

Avaliação in vitro dos instrumentos rotatórios de liga de níquel-titânio sobre a permeabilidade da dentina radicular.

MARCHI, J. A.*, FRÖNER, I. C., CHAVES, M., PÉCORA, J. D.

Departamento de Odontologia Restauradora, Disciplina de Endodontia – FORP – USP.
 Tel.: (0**16) 602-4055. E-mail: tuirp@uol.com.br

A nova geração de instrumentos endodônticos é representada pelas limas de níquel-titânio, confeccionadas a partir de uma liga de nitinol, caracterizada pela grande elasticidade e efeito memória. Durante o reparo biomecânico os instrumentos endodônticos promovem o alargamento, sanificação e modelagem dos canais radiculares e podem alterar a permeabilidade dentinária. O objetivo do presente trabalho foi avaliar, in vitro, a ação de diferentes instrumentos rotatórios de níquel-titânio sobre a permeabilidade da dentina radicular. Foram utilizados 20 dentes pré-molares inferiores divididos em quatro grupos, cada qual com cinco dentes, distribuídos aleatoriamente. Os instrumentos utilizados foram: Quantec (Analytic), Pow-R (Moyco Union Broach), ProFile (Maillefer/Dentsply) e limas manuais tipo K (Maillefer/Dentsply) e utilizou-se o hipoclorito de sódio a 1% como solução irrigante. Após o preparo biomecânico dos dentes, procedeu-se o preparo histoquímico, com a utilização do método de infiltração dos íons cobre. Foram obtidos cortes dos terços radiculares (cervical, médio e apical), montados em lâminas para microscopia óptica e em seguida foram submetidos à analise morfométrica para avaliação dos níveis de permeabilidade dentinária.

A análise estatística dos dados obtidos permitiu concluir que não houve diferença significante nos níveis de permeabilidade dentinária entre as técnicas avaliadas, assim como entre os terços radiculares.

A067

Diferentes tratamentos em lesões de furca em dentes de cães.

RODRIGUES, R. R.*, TEIXEIRA, F. B., FERRAZ, C. C. R., GOMES, B. P. F. A., SOUZA-FILHO, F. J.

Área de Endodontia – FOP – UNICAMP.

O objetivo deste trabalho foi analisar radiograficamente a perda óssea na região de furca de dentes de cães intencionalmente perfurados e contaminados com fluido bucal, frente ao emprego de vários materiais seladores. Foram utilizados 6 cães adultos, pesando entre 9 e 15 kg, fêmeas e de raça indefinida. Perfurações foram produzidas na região de furca dos 2º, 3º e 4º pré-molares inferiores direitos e esquerdos, permanecendo expostas à cavidade oral por um período de 30 dias. Após este intervalo de tempo, tendo constatado a formação das lesões de furca através de radiografias periapicais, os dentes foram limpos e tratados de acordo com a divisão dos grupos experimentais. As perfurações dos 2º, 3º e 4º pré-molares foram preenchidas com sulfato de cálcio hemiidratado e seladas com guta-percha, IRM e resina Z100, respectivamente, sendo descontaminadas com clorexidina gel a 2% somente os dentes do lado direito. Radiografias padronizadas foram realizadas no início do experimento, 30 dias após a exposição das perfurações à cavidade oral e 180 dias após o emprego dos materiais seladores. As imagens foram transportadas para o computador e mensuradas as áreas de perda óssea utilizando o programa Image Lab.

Os resultados foram analisados estatisticamente e as imagens demonstraram menor perda de estrutura óssea quando as perfurações foram seladas com resina Z100, ao serem comparadas com IRM e guta-percha. A utilização da clorexidina gel a 2% para a descontaminação, demonstrou aspectos benéficos no tratamento.

A068

Avaliação da precisão de localizadores apicais eletrônicos na determinação do comprimento de trabalho.

BROCHADO, V. H. D.*, SILVA NETO, U. X. da, GONÇALVES JÚNIOR, J. F., RAMOS, C. A. S., BRAMANTE, C. M.

Departamento de Endodontia – FOB – USP. Tel.: (0**14) 227-0670. E-mail: vbrochado@uol.com.br

A determinação do comprimento de trabalho é uma das mais importantes etapas clínicas do tratamento endodôntico. Ainda hoje, não foi alcançado um meio preciso, prático e de fácil confirmação, para obtenção do limite apical de instrumentação. Os métodos que utilizam tomadas radiográficas têm sido avaliados e indicam questionáveis índices de sucesso. Nesta pesquisa objetivou-se avaliar comparativamente a precisão na determinação do comprimento de trabalho propiciada pelos localizadores apicais eletrônicos Root ZX, Just II e Bingo 1020. Foram selecionados para o estudo trinta incisivos centrais superiores permanentes de humanos, de tamanho e forma aproximados, com raízes integras, retas e ápices totalmente formados. Os dentes foram armazenados em solução de formol a 10% até o momento de sua utilização, quando foram lavados abundantemente em água corrente. Em seguida, procedeu-se a abertura coronária dos espécimes e sua posterior inclusão em solução de ágar a 1% em solução salina de fosfato tamponado, de maneira que somente a porção radicular permanecesse submersa na solução. Após, realizou-se a determinação do comprimento de trabalho com os referidos aparelhos e os resultados em milímetros, foram submetidos à análise estatística pelo teste ANOVA. Não verificou-se diferença estatisticamente significante (p << 0,05) entre os localizadores.

A069

Estudo in vitro da infiltração marginal coronária em canais radiculares obturados.

ALMEIDA, Y. M. E. M.*, BARBIN, E. L., SPANÓ, J. C. E., SILVA, R. S., MIRANZI, B. A. S.,
PÉCORA, J. D.

FORP – USP; Universidade de Uberaba (UNIUBE).

Avaliou-se in vitro a infiltração via coronária em canais radiculares obturados com remoção ou não de “smear layer” e dois tipos de cimentos obturadores. Utilizou-se 64 caninos, dotados aproximadamente do mesmo tamanho. Realizou-se a instrumentação pela técnica “step back” utilizando NaOCl a 1% como solução irrigante. Dividiu-se os dentes em três grupos. Grupo I, 10 dentes foram obturados com cimento Sealer 26® e 10 com cimento tipo Grossman, pela técnica da condensação lateral. Grupo II, os canais receberam irrigação final com EDTA 17% por 10 minutos e tiveram os canais obturados conforme o Grupo I. Grupo III, os canais receberam aplicação adicional de laser Er:YAG com parâmetros de 140 mJ, 15 Hz e energia total de 42 J e foram obturados conforme o Grupo I. Após obturação dos canais, selou-se as câmaras com Cimpat, colocando-os em estufa a 37ºC e umidade relativa 95% durante 1 semana. Após, removeu-se o selador provisório e impermeabilizou-se a superfície externa dos dentes com cianoacrilato, imergindo-os em tinta nanquim por 60 dias. Decorrido esse tempo, foram descalcificados, desidratados e diafanizados em salicilato de metila. Os resultados obtidos por ANOVA e teste de Tukey mostraram que o cimento Sealer 26® permitiu menor infiltração coronária que o cimento tipo Grossman de modo estatisticamente significante (p << 0,01). Os procedimentos que removem “smear layer” (EDTA 17% e laser Er:YAG) não apresentaram diferença estatística significante entre si (p >> 0,05) e propiciaram menor infiltração coronária (p << 0,01).

A070

Estudo comparativo da limpeza das paredes dos canais radiculares.

OLIVEIRA, D. P.*, TEIXEIRA, F. B., FERRAZ, C. C. R., GOMES, B. P. F. A., SOUZA-FILHO, F. J.

Área de Endodontia – FOP – UNICAMP.

O objetivo deste trabalho foi comparar in vitro, através de microscópio eletrônico de varredura, a ação entre o hipoclorito de sódio a 5,25%, EDTA a 17%, Endoquil e o gel de Natrosol, tendo a água destilada como grupo controle, na remoção de “smear layer” dos canais radiculares. Foram utilizados 25 dentes humanos monorradiculares, distribuídos aleatoriamente entre 4 grupos: Grupo A - EDTA 17%, Grupo B - hipoclorito de sódio a 5,25%, Grupo C - Endoquil, Grupo D - gel de Natrosol; tendo a água destilada como grupo controle (Grupo E). Os dentes foram instrumentados de acordo com a técnica clássica de instrumentação. Em seguida, foram clivados e as amostras submetidas à análise em microscopia eletrônica de varredura. As imagens foram avaliadas por 2 examinadores. Os resultados mostraram diferença estatisticamente significante entre o grupo controle e o hipoclorito de sódio a 5,25%, e enquanto os grupos do EDTA 17%, gel de Natrosol e Endoquil não obtiveram diferença estatisticamente significante obtendo uma maior capacidade de limpeza das paredes dos canais radiculares, quando comparados aos dois primeiros grupos.

Face aos experimentos realizados, pode-se concluir que: 1- O EDTA a 17%, gel de Natrosol e Endoquil, promoveram maior capacidade de remoção da “smear layer”, não diferindo estatisticamente entre si. 2- Os grupos B e E, onde foram empregados hipoclorito de sódio 2,5% e água destilada respectivamente, obtiveram os piores resultados, diferindo estatisticamente entre si e entre os demais grupos. (Apoio financeiro: FAPESP nº 99/09837-1.)

A071

Resposta pulpar ao hidróxido de cálcio precedido de diferentes curativos de demora.

OLIVEIRA, M. F.*, GIRO, E. M. A., RAMALHO, L. T. O., ABBUD, R.

Departamento de Clínica Infantil – Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP. Tel.: (0**16) 201-6325. E-mail: maucky@ig.com.br

Diante da importância da preservação da vitalidade de um dente com exposição pulpar, avaliou-se histologicamente a reação tecidual de polpas de dentes de ratos expostas, à pasta de hidróxido de cálcio em água destilada, precedida de curativo de corticosteróide (Decadron) ou corticosteróide/antibiótico (Otosporin) por 5 minutos ou 72 horas. A proteção pulpar com pasta de hidróxido de cálcio, sem curativo prévio, foi utilizada como grupo controle. Foram utilizados 60 ratos, os quais tiveram os primeiros molares superiores tratados. Decorridos os períodos pós-operatórios de 7, 14, 30 e 60 dias, os animais foram sacrificados, as peças removidas, e preparadas para análise histológica. Observou-se, nos períodos iniciais, uma leve reação inflamatória quando os curativos de demora com corticosteróide (Decadron) ou corticosteróide/antibiótico (Otosporin) foram aplicados por 5 minutos ou 72 horas. A reação tecidual e a barreira formada sob ação do hidróxido de cálcio após o curativo de Otosporin por 5 minutos foi semelhante aquelas do grupo controle (hidróxido de cálcio sem curativo) nos períodos pós-operatórios de 30 e 60 dias. Os curativos de demora com corticosteróide (Decadron) por 5 minutos e 72 horas e corticosteróide/antibiótico (Otosporin) por 72 horas promoveram um retardo no processo de reparação.

Concluiu-se que no tecido pulpar livre de inflamação e contaminação, a aplicação do curativo de demora com corticosteróide ou com corticosteróide/antibiótico, antes da proteção com a pasta de hidróxido de cálcio em água destilada pode ser dispensada. (Apoio: FAPESP.)

A072

Avulsão dentária: avaliação do conhecimento de professores de primeiro grau.

PACHECO, L. F., GARCIA FILHO, P. F.

Endodontia, Clínica Odontológica – Universidade Gama Filho.

No presente trabalho, os autores realizaram uma pesquisa direcionada a professores da rede municipal de primeiro grau da cidade do Rio de Janeiro, a respeito do conhecimento e experiência sobre a avulsão dentária. Eles também realizaram uma revisão de literatura mostrando vários aspectos desta urgência. De acordo com os resultados da pesquisa, embora os professores tivessem obtido uma melhor performance nas questões que envolvem lógica, eles não obtiveram os mesmos resultados quando foram usadas questões que necessitavam de um maior conhecimento técnico. Os autores propõem uma comunicação mais ampla entre as faculdades de Odontologia e escolas de primeiro grau.

A073

Ação do laser Er:YAG sobre a permeabilidade dentinária de canais radiculares instrumentados.

RIBEIRO, R. G.*, BARBIZAM, J. V. B., BRUGNERA Jr., A., MARCHESAN, M. A.,
PÉCORA, J. D.

Odontologia Restauradora – FORP – USP. E-mail: pecora@forp.usp.br

Avaliou-se a permeabilidade dentinária dos canais radiculares instrumentados com diferentes soluções irrigantes e associados ou não ao uso do laser de Er:YAG. Utilizou-se 50 dentes incisivos centrais superiores humanos de estoque. Os dentes foram divididos aleatoriamente em 10 grupos com 5 dentes cada e instrumentados com diferentes soluções irrigantes: água destilada e deionizada, lauril dietileniglicol éter sulfato de sódio 0,1%, NaOCl 1%, EDTA 15% e ácido cítrico 10%, com e sem a aplicação do laser. O laser Er:YAG - KaVo Key, foi utilizado nos seguintes parâmetros: 15 Hz, 300 impulsos, 42 J e 140 mJ “input”. Os dentes foram preparados histoquimicamente. A quantificação da infiltração de cobre foi realizada pela análise morfométrica. Os resultados mostram que a solução de NaOCl 1% isoladamente e a água destilada deionizada + laser apresentaram maior evidenciação da permeabilidade (p >> 0,05). A utilização da água destilada deionizada e da solução de lauril dietilenoglicol éter sulfato de sódio a 0,1%, quando utilizadas isoladamente, apresentaram menor evidenciação da permeabilidade dentinária. As utilizações do hipoclorito de sódio a 1% + laser, EDTA, EDTA + laser, ácido cítrico, ácido cítrico + laser e lauril dietilenoglicol éter sulfato de sódio a 0,1% + laser, apresentaram-se com valores intermediários em relação aos demais tratamentos utilizados.

A074

Efeitos do laser Er:YAG sobre a infiltração marginal apical em canais radiculares obturados.

BARBIZAM, J. V. B.*, RIBEIRO, R. G., GUERISOLI, D. M. Z., SILVA, R. G., PÉCORA, J. D.

Departamento de Odontologia Restauradora – FORP – USP. E-mail: pecora@forp.usp.br

O objetivo deste estudo era avaliar, in vitro, a infiltração marginal apical em canais radiculares obturados após o uso de laser Er:YAG. Utilizaram-se 65 incisivos centrais superiores humanos, de estoque, instrumentados sob irrigação com hipoclorito de sódio a 1%, num volume de 2 ml a cada troca de instrumento. Um dente serviu como controle positivo da infiltração e outro como negativo. Dividiram-se os demais dentes em 3 grupos iguais de 21 dentes cada. Grupo I: após o preparo descrito, 10 dentes foram obturados com cimento Endo-Fill e 10 dentes com cimento Top Seal, pela técnica da condensação lateral. Grupo II: após o preparo, realizou-se uma irrigação final com 5 ml de solução de EDTA a 17%, por 5 minutos e obturou-se de modo idêntico ao Grupo I. Grupo III: após o preparo, aplicou-se o laser Er:YAG (140 mJ, 15 Hz, 42 J) e obturaram-se os canais radiculares conforme o Grupo I. Um dente de cada um dos três grupos, não foram obturados e serviram para análise em microscópio eletrônico de varredura. As superfícies externas dos dentes foram impermeabilizadas e imersas em tinta nanquim à 37ºC por uma semana. Posteriormente, os dentes foram diafanizados em salicilato de metila. Os resultados evidenciaram níveis menores de infiltração apical (p << 0,01) com o uso do cimento Top Seal, quando comparado ao cimento Endo-Fill. Os dentes preparados exclusivamente com hipoclorito de sódio a 1%, e aqueles irradiados com laser Er:YAG não apresentaram diferenças estatisticamente significantes entre si (p >> 0,05), e mostraram níveis maiores de infiltração apical que os dentes que receberam a irrigação final com a solução EDTA a 17% (p << 0,01).

A075

Análise digital da infiltração marginal realizada em obturações retrógradas.

PAVAN, N. N. O.*, GONÇALVES, E. A. L., PAVAN, A. J., MORAES, I. G.

Universidade Estadual de Maringá (UEM), FOB – USP.

A cirurgia parendodôntica é um procedimento que visa à resolução de problemas relacionados com o tratamento endodôntico. Uma das modalidades da cirurgia apical é a obturação retrógrada, para o seu sucesso o material retroobturador deve ser biocompatível e proporcionar bom selamento. Portanto, avaliaram-se quatro materiais retroobturadores quanto ao selamento marginal, utilizando-se da leitura direta das imagens por meio do programa Sigma Scan. Foram utilizados 80 dentes anteriores humanos extraídos, distribuídos aleatoriamente, em quatro grupos de 20 elementos de acordo com os materiais retroobturadores. Eliminou-se as porções coronárias em nível de terço cervical. Os canais foram instrumentados e obturados, em seguida realizaram-se as apicectomias, confecções das cavidades retrógradas, impermeabilizações dos espécimes e as retroobturações propriamente ditas, com os seguintes materiais: Grupo I- polímero de mamona; Grupo II- epóxico experimental; Grupo III- Fuji II LC; Grupo IV- Super EBA. Posteriormente, os espécimes foram imersos em solução aquosa de azul de metileno a 2% a 37ºC, por 48 horas. Após a lavagem e remoção da impermeabilização, as mesmas foram seccionadas longitudinalmente e escaneadas para a utilização do programa Sigma Scan.

Submeteu-se os resultados à análise estatística pelo teste de Kruskal-Wallis que indicou que o grupo que propiciou menor infiltração foi o Grupo I, seguido pelos Grupos II, IV e III, com diferença estatisticamente sigificante (p << 0,05) entre os Grupos I e III.

A076

Avaliação da capacidade seladora de preenchimento do sistema de canais radiculares de diferentes técnicas de termoplastificação da guta-percha.

BONETTI FILHO, I., SOMENZARI NETO, H.*, LEONARDI, D. P.

Disciplina de Endodontia – Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP.

O objetivo deste estudo foi avaliar in vitro a capacidade de preenchimento dos canais radiculares utilizando-se das técnicas Obtura que emprega guta-percha injetada para o interior do canal radicular através de uma pistola, condensada com um condensador vertival, híbrida de Bonetti empregando um cone de guta-percha principal travado no batente apical, guta-percha do Obtura injetado lateralmente e compactador de níquel e titânio completando a obturação e a condensação lateral ativa com cone de guta-percha travado no batente apical, espaçador lateral e cones de guta-percha secundários. Foram empregados 30 dentes humanos unirradiculares, incluídos em bloco de resina, seccionados longitudinalmente, unidos em um aparato de madeira e divididos em 3 grupos de dez dentes cada. Foi confeccionada uma depressão em cada terço do canal radicular em uma das metades dos dentes. Em seguida, foram obturados com as técnicas citadas acima. Fotografias e radiografias avaliaram a qualidade das obturações, submetidas a diferentes escores.

Os resultados mostraram estatisticamente que: o sistema Obtura preencheu melhor as três depressões seguidas das técnicas híbrida de Bonetti e condensação lateral ativa. Quanto à permanência da obturação no comprimento de trabalho, a híbrida de Bonetti e a condensação lateral ativa foram melhores que a técnica Obtura. Em relação às falhas de obturação, as técnicas híbrida de Bonetti e Obtura foram melhores que a técnica da condensação lateral ativa.

A077

Estudo in vitro da eficácia do AH Plus na qualidade do selamento apical.

REISS ARAUJO, C. J.*, ARAS, W. M. F., MONTEIRO CORDEIRO, P. S.

Departamento de Saúde – Universidade Estadual de Feira de Santana. Tel.: (0**79) 214-5540. E-mail: reiss@infonet.com.br

Este trabalho observou a adesividade do AH Plus no selamento do canal radicular. Utilizou-se 40 dentes humanos, divididos em 4 grupos. Foram empregados o hipoclorito de sódio a 2,5% e EDTA a 17%. Após obturados, os 15 dentes do grupo I (GI) foram mantidos em soro fisiológico a 0,9% por 3 meses; os 15 dentes do grupo II (GII) foram mantidos fora do soro. Nos grupos controle negativo (GIII) e controle positivo (GIV) com 5 dentes cada, procedeu-se o mesmo preparo químico-mecânico, sem obturá-los. Aplicou-se esmalte vermelho nos dentes para impermeabilização a saber: grupo GIII- em todo o dente incluindo a porção apical; grupo GIV- em todo o dente exluindo a porção apical. Após 3 meses o grupo I foi impermeabilizado com esmalte azul excluindo a porção apical e o grupo II foi impermeabilizado da mesma forma porém com esmalte vermelho. Os 4 grupos foram imersos em azul de metileno a 2% e levados à estufa a 37ºC por 24 h. A seguir os dentes foram lavados em água corrente por 24 h e realizado cortes longitudinais para observação em lupa estereoscópica. A análise estatística da penetração do corante nos grupos I e II baseou-se no teste U de Mann-Whitney. Os resultados mostraram maior infiltração do azul de metileno no grupo I (GI) do que no grupo II (GII), porém os dados de GI, quando comparados com outras pesquisas com tempo de avaliação inferior a 3 meses revela uma menor infiltração após obturação.

Conclui-se que o AH Plus mostrou-se eficaz na adesão. (Apoio financeiro: Dentsply.)

A078

Corrosão em limas de níquel-titânio após instrumentação, desinfecção e esterilização.

BORGES, L. P.*, SANTOS, M., BORGES, L. H.

Departamento de Endodontia – Universidade de Uberaba. Tel.: (0**34) 3312-5122. E-mail: luis.borges@uniube.br

Este trabalho teve o objetivo de avaliar a influência da instrumentação, desinfecção e esterilização na corrosão em limas de níquel-titânio. Foram utilizadas 21 limas de níquel-titânio. Para o Grupo Experimental, após a autoclavagem foram realizados 400 ciclos de instrumentação para cada uma das 15 limas, irrigadas simultaneamente com 15 ml solução de hipoclorito de sódio a 1%. Após a instrumentação as limas foram lavadas e inseridas em uma cuba de ultra-som durante 15 minutos, banhadas com uma solução de água e Endozime. A seguir sofreram o processo de autoclavagem durante 127ºC/6 min., e três limas separadas para análise do nível de corrosão. As demais limas passaram pela mesma seqüência descrita anteriormente até completarem 2.000 ciclos de instrumentação. Para o Grupo Controle Parcial a instrumentação, limpeza e ultra-som, foram feitos da mesma forma porém, não se utilizou a autoclavagem. Para o Grupo Controle Total, as limas foram removidas da embalagem e encaminhadas para avaliação da corrosão. Os resultados mostraram que instrumentos novos, mostraram um baixo potencial de corrosão. À medida que vai sendo utilizado, o potencial de corrosão aumenta e, acima de 1.200 ciclos de instrumentação, encontravam-se diferenças estatisticamente significantes (p >> 5%) do grau de corrosão quando se compararam instrumentos utilizados, limpos e autoclavados com aqueles utilizados, limpos e não autoclavados, bem como, aqueles intactos.

Pode-se concluir que a quantidade de utilizações interfere na corrosão do instrumento autoclavado.

A079

Actinobacillus actinomycetemcomitans: cepas leucotóxicas em pacientes periodontais.

TOMAZINHO, P. H.*, MALHEIROS, V. J., AVILA-CAMPOS, M. J.

Departamento de Microbiologia – Instituto de Ciências Biomédicas – USP - SP. E-mail: paulotomazinho@uol.com.br

Actinobacillus actinomycetemcomitans é um coco gram-negativo e é considerado como residente da cavidade bucal humana. A leucotoxina é o fator-chave da virulência em A. actinomycetemcomitans a qual destrói células do sistema imune. O objetivo deste estudo foi determinar a prevalência e detectar a deleção de 530 bp no promotor ltx, características dos clones altamente leucotóxicos. Amostras de placa subgengival foram coletadas de 40 pacientes com periodontite moderada à avançada e de 50 indivíduos saudáveis. A. actinomycetemcomitans foi identificado por cultura convencional e por PCR, usando-se iniciadores específicos (FU-1/FU-2). Também, os iniciadores (PRO-L/PRO-R) foram usados para detectar a região promotora do gene ltx. Cepas de referências A. actinomycetemcomitans KC 517, FDC Y4, ATCC 29522, ATCC 33384 e JP2 foram usadas. Pela cultura convencional, 5 (12,5%) dos 40 pacientes com doença periodontal e somente 1 (2%) dos 50 indivíduos saudáveis foram positivos para A. actinomycetemcomitans. PCR diretamente do VMGA III detectou A. actinomycetemcomitans em 38 (42,2%) das amostras derivadas dos indivíduos examinados. Cepas altamente leucotóxicas apresentando a deleção produziram bandas características de 545 bp.

Nossos resultados sugerem que cepas altamente leucotóxicas podem estar presentes em pacientes periodontais.

A080

Cárie dentária e fatores de risco na etnia Fulni-ô, Pernambuco.

GUIMARÃES, C. D.*, RODRIGUES, C. S.

FUNASA/PE; Faculdade de Odontologia de Pernambuco – Universidade de Pernambuco.

Informações sobre a saúde bucal de indígenas brasileiros são raras. Este estudo objetivou a descrição de dados coletados através de exames clínicos e formulários em 1998 pela FUNASA/PE, índios Fulni-ô, Águas Belas - PE. A prevalência de cárie foi medida pelo índice CPO em superfícies/dentes, classificação de WONG; SCHWARTZ; LO (Com Dent Oral Epidem, v. 25, p. 343-347, 1997) de severidade de cárie e presença de edentulismo. O critério da OMS (1997) foi utilizado para diagnosticar a cárie dentária e as concordâncias intra-/interexaminador consideradas excelentes. O software estatístico SPSS versão 9.0 foi utilizado. 638 índios nas idades de 0 a 86 anos foram examinados, num total de 27% da etnia. Para a faixa etária de 2-5 anos existiam 8,5% de crianças com cárie rampante. O CPOD aos 5 anos de idade foi 4 (D.P. = 3,5), apenas 27% estavam livres de cárie e 23,1% apresentaram grau máximo de severidade. Aos 12 anos, o CPOD foi 2,1 (D.P. = 2,3), 29% estavam livres de cárie e 50% encontravam-se nas zonas 2 e 3 de severidade. Aos 18 anos apenas 22% possuíam todos os dentes, longe da meta da OMS de 85%. A população idosa apresentou a pior condição de saúde bucal, 55% era edêntula. Famílias e escola foram identificados como importante fonte de informações sobre saúde bucal. O consumo de açúcar foi identificado como um hábito já incorporado, relatado pela maioria dos entrevistados uma freqüência diária de até 3 vezes. A pasta e a escova de dentes foram os itens de higiene bucal mais utilizados. Adultos e crianças citaram o uso de juá na higiene bucal. Dor de dente foi o problema mais citado.

A081

Comparação em MEV entre a dentina humana e a dentina bovina.

MIRANDA, M. S., LAMOSA, A. C.*, DIAS, K., TEIXEIRA, F. B., LOPES, M. F.

Disciplina de Dentística – FO – UERJ; UFRJ; UNICAMP; PUC - RJ; UNIGRANRIO.

O objetivo do estudo foi comparar a dentina superficial e a profunda humana e bovina quanto a densidade tubular, o diâmetro dos túbulos e o percentual de dentina intertubular, em  MEV. Foram utilizados 14 molares humanos (DH) e 13 incisivos bovinos (DB). Os dentes foram seccionados em diferentes profundidades: o corte superficial foi feito 0,5 ± 1 mm abaixo da junção amelo-dentinária e o corte profundo 0,5 ± 1 mm acima da câmara pulpar, sendo nos molares paralelo à oclusal e nos incisivos paralelos ao 1/3 médio da vestibular. Após condicionamento (ácido fosfórico 37%, 10 s), as superfícies dentinárias foram observadas em MEV. Para cada espécime, foi feita uma imagem com aumento de 1.000 X. A área total destas imagens foi medida, todos os túbulos dentinários contados e o diâmetro de doze túbulos dentinários, escolhidos aleatoriamente, medidos através de cursor do MEV. O percentual de dentina intertubular foi obtido pelo programa Image Lab 2.3. As médias e os desvios-padrão, teste t de Student (p << 0,05), em dentina superficial e profunda foram respectivamente: densidade tubular: DH = 24.179,89 ± 8.079,20 e 37.098,76 ± 9.185,04; DB = 14.653,36 ± 3.895,37 e 20.170,93 ± 4.739,18; diâmetro tubular: DH = 2,81 ± 0,271 e 2,98 ± 0,236; DB = 4,08 ± 0,553 e 4,29 ± 0,635; e percentual de dentina intertubular: DH = 82,04 ± 5,63 e 69,57 ± 10,58, DB = 81,27 ± 4,51 e 65,42 ± 12,57.

Os autores concluíram que a dentina superficial e profunda humana apresenta em relação à bovina: 1- maior densidade tubular; 2- menor diâmetro tubular; 3- o mesmo percentual de dentina intertubular.

A082

Avaliação da atividade antimicrobiana de desinfetantes sobre Staphylococcus aureus.

MOTTA, R. H. L.*, RAMACCIATO, J. C., FLÓRIO, F. M., GROPPO, F. C., MATTOS-FILHO, T. R.

Departamento de Farmacologia – FOP – UNICAMP. Tel.: (0**19) 430-5310. E-mail: fcgroppo@fop.unicamp.br

O objetivo desse estudo foi avaliar a atividade antimicrobiana de desinfetantes contra Staphylococcus aureus. Foram analisados produtos à base de amônia (Lysol® e Kalipto®), fenóis (Pinho-Sol®), hipoclorito de sódio (Q-Bôa® e Veja® com cloro ativo), álcool a 70% e gluraldeído a 2%. Testes de concentração inibitória mínima (CIM) e concentração bactericida mínima (CBM) foram realizados contra Staphylococcus aureus ATCC 25923, utilizando-se Müller-Hinton caldo e salt-mannitol ágar/ágar-sangue, respectivamente. As concentrações dos desinfetantes utilizadas foram 5, 2,5, 1,25, 0,625, 0,312, 0,156, 0,078, 0,039, 0,019, 0,009%. Foram utilizados um grupo controle positivo (meio + microrganismo) e negativo (meio + desinfetantes). Todos os testes foram obtidos utilizando estufa de cultura a 37oC durante 18 h. Para o Lysol os resultados foram: CIM << 0,009%, CBM100 = 0,039%, CBM90 = 0,019% e CBM50 << 0,009%. Para o Kalipto foram: CIM << 0,009%, CBM100 = 0,156%, CBM90 = 0,078% e CBM50 = 0,039%. Para o Pinho-Sol foram: CIM = 0,078%, CBM100 = 0,156%, CBM90 = 0,078% e CBM50 = 0,039%. Para a Q-Bôa e Veja foram: CIM = 2,5%, CBM100 = 5%, CBM90 = 2,5% e CBM50 = 1,25%. Para o álcool 70% e glutaraldeído foram: CIM >> 5% e CBM50 >> 5%. Não houve contaminação no controle negativo e nem no positivo, sendo que neste último foi verificado o crescimento confluente da cepa.

Concluímos que os desinfetantes à base de amônia foram mais efetivos contra o microrganismo testado.

A083

Efeito do diclofenaco sódico sobre a concentração da amoxicilina.

GROPPO, F. C.*, SIMÕES, R. P., RAMACCIATO, J. C., REHDER, V., COSTA, C. P.,
ANDRADE, E. D., MATTOS-FILHO, T. R.

Departamento de Farmacologia – FOP – UNICAMP. Tel.: (0**19) 430-5310. E-mail: fcgroppo@fop.unicamp.br

O objetivo deste trabalho foi observar o efeito do diclofenaco sódico (DIC) sobre concentrações séricas e teciduais da amoxicilina (AMO), bem como sobre a infecção estafilocócica. Quatro esponjas de poliuretana foram implantadas no dorso de 30 ratos. Após 14 dias, 2 tecidos granulomatosos receberam 0,5 ml de 108 ufc/ml (S. aureus ATCC 25923). Dois dias após os ratos foram divididos em 5 grupos: grupo 1 recebeu AMO 50 mg/kg/v. o., grupo 2 recebeu AMO 25 mg/kg/v. o., grupo 3 recebeu DIC 2,5 mg/kg/i. m. + AMO 50 mg/kg/v. o., grupo 4 recebeu DIC 2,5 mg/kg/i. m. e grupo 5 (grupo controle) recebeu 0,9% NaCl 1 ml/v. o. Após 6 h da administração, o soro (10 µl) e os tecidos não infectados foram colocados sobre o ágar Müller-Hinton inoculado com 108 ufc/ml (S. aureus). Os tecidos infectados sofreram dispersão e foram espalhados (10 μl) em agar salt-mannitol. Os microrganismos foram contados e os halos de inibição medidos após 18 h de incubação a 37ºC. A concentração tecidual da AMO foi 6,6 µg/g para o grupo 1, 2,8 µg/g para o grupo 2 e 0,8 µg/g para o grupo 4. A concentração sérica foi 11,6 µg/ml para o grupo 1, 5,4 µg/ml para o grupo 2 e 1,3 µg/ml para o grupo 4. Não foram observadas diferenças estatisticamente significantes (teste de Kruskal-Wallis, 5%) entre os grupos 1, 2 e 4 com relação à contagem de estafilococos. O grupo 3 reduziu mais (p << 0,05) as contagens com relação ao grupo 5.

Concluímos que, mesmo em altas doses, a AMO não erradicou a infecção estafilocócica e o DIC reduziu a concentração sérica e tecidual da AMO. (Apoio financeiro: CAPES.)

A084

Perfil da utilização de anestésicos locais por cirurgiões-dentistas.

RAMACCIATO, J. C.*, RANALI, J., VOLPATO, M. C., GROPPO, F. C., FLÓRIO, F. M.,
SOARES, P. C. O.

Departamento de Farmacologia – FOP – UNICAMP. Tel.: (0**19) 430-5310. E-mail: jramacciato@yahoo.com

O objetivo deste trabalho foi verificar a utilização dos anestésicos locais (AL) por cirurgiões-dentistas. Um questionário, aplicado durante eventos de classe, foi formulado com as seguintes características: 1) perfil da amostra; 2) critérios de escolha dos ALs; 3) uso de anestesia tópica; 4) manuseio de pacientes especiais e 5) complicações locais e sistêmicas. Os 133 formulários que retornaram mostraram que 46,6% dos profissionais foram formados em instituições privadas e 45,9% em públicas. Do total, 63,9% foram formados entre 1990 e 2000 e 56,4% não tinham especialização. Dos especialistas, 74,5% concluíram sua especialização na última década, sendo a endodontia a mais apontada (31,3%). A maioria dos profissionais (75,2%) possui 2 a 4 tipos de ALs, sendo que 85,7% usam a prilocaína. A eficácia foi apontada como o fator mais importante de escolha da solução (77,4%). A anestesia tópica não é utilizada por 9%. A lidocaína é o AL preferido para o atendimento de gestantes (34,6%), sendo a prilocaína indicada por 30,8%. Este último é o preferido para idosos (60,3%) e crianças (56,7%). Complicações locais foram verificadas por 27,1%, sendo o edema (9%) o mais citado. A maioria (96,3%) não relatou ocorrência de complicações sistêmicas. A maior porcentagem de falhas (40,6%) foi apontada para anestesia dos nervos alveolar inferior e lingual.

Concluímos que não houve diferenças significativas com relação ao perfil dos respondedores quanto aos critérios de escolha e manuseio de pacientes especiais e que há desconhecimento quanto à escolha do AL para pacientes especiais.

A085

Análise in vitro da própolis da Bahia contra estreptococos mutans.

DUARTE, S.*, KOO, H., BOWEN, W. H., HAYACIBARA, M. F., CURY, J. A., IKEGAKI, M.,
PARK, Y. K., ROSALEN, P. L.

Departamento de Ciências Fisiológicas – FOP – UNICAMP. Tel.: (0**19) 430-5313. E-mail: rosalen@fop.unicamp.br

O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da própolis da Bahia (mata atlântica) e suas frações purificadas no crescimento de estreptococos mutans. Diferente das própolis de outras regiões, esta possui uma composição química contendo compostos apolares, não apresentando flavonóides agliconas. O extrato etanólico da própolis (EEP) foi preparado a partir da própolis bruta, e 4 frações (hexano, clorofórmio, acetato de etila e etanol) foram obtidas de acordo com um gradiente de polaridade. Ensaios de concentração inibitória mínima (CIM) e concentração bactericida mínima (CBM) do EEP, de suas frações e dos controles foram utilizados para determinar a atividade antibacteriana. Os microrganismos testados foram Streptococcus mutans Ingbritt 1600, S. sobrinus 6715 e um isolado clínico de cada uma destas espécies. Os valores da CIM para o EEP foram: 50-100 µg/ml para ambos S. mutans Ingbritt 1600 e isolado clínico correspondente; 12,5-25 µg/ml para S. sobrinus 6715; e 25-50 µg/ml para seu isolado clínico. Entre as frações, as únicas que mostraram CIM foram: hexano, que apresentou as menores concentrações contra todos os microrganismos (6,25-50 µg/ml), e clorofórmio (12,5-100 µg/ml). A CBM para o EEP e suas frações (hexano e clorofórmio) foi 4-8 vezes maior que os valores da CIM.

Os dados mostram que esta própolis tem uma efetiva atividade antimicrobiana contra estreptococos mutans e esta atividade está relacionada com compostos apolares. (Apoio: FAPESP – Processo: 99/11994-8; CNPq – Processo: 466879/00-8.)

A086

Cinco anos de avaliação clínica da retenção e eficácia de dois selantes ionoméricos.

PARDI, V.*, PEREIRA, A. C., MENEGHIM, M. C., AMBROSANO, G. M. B., MIALHE, F. L.

Departamento de Odontologia Social – FOP – UNICAMP. Tel.: (0**19) 430-5209. E-mail: vpardi@uol.com.br

O objetivo do presente estudo foi avaliar a retenção e eficácia de dois selantes ionoméricos, sendo um convencional (A) e o outro modificado por resina (B), após 5 anos de aplicação clínica. A amostra foi constituída por crianças na faixa etária de 6 a 8 anos. Houve um grupo experimental que recebeu os selantes de acordo com o “design splith mouth”, sendo os dentes 16 e 46 selados com o material A e os dentes 26 e 36 selados com o material B e um grupo controle que recebeu apenas reforço na técnica de escovação. Após 5 anos, a retenção total para ambos os materiais, A e B, foi muito baixa, no entanto na análise estatística, somando-se os graus de retenção parciais com o grau de retenção total, verificou-se diferença estatisticamente significante no grau de retenção entre os mesmos (teste de Wilcoxon pareado), sendo o material B superior ao material A. O grupo experimental apresentou 22,69% de incidência de cárie, enquanto o grupo controle apresentou 34,8%, havendo diferença estatisticamente significante entre os grupos (teste qui-quadrado). É importante salientar que apenas 1,9% dos dentes do grupo experimental e 10,1% do grupo controle encontravam-se cariados, o restante apresentavam-se restaurados.

Esses resultados sugerem que o ionômero de vidro utilizado como selante oclusal foi eficaz para a prevenção da cárie dentária mesmo apresentando baixos graus de retenção total. (Apoio financeiro: FAPESP – Processo: 96/5278-0.)

A087

Polimorfismo genético de S. mutans isolados de cárie dental.

NASCIMENTO, M. M.*, HÖFLING, J. F., GONÇALVES, R. B.

Departamento de Diagnóstico Oral – FOP – UNICAMP. Tel.: (0**19) 430-5321. E-mail: reginald@fop.unicamp.br

O objetivo deste estudo foi avaliar o perfil de colonização dos Streptococcus do grupo mutans isolados da cavidade oral de indivíduos que apresentam lesões de cárie coronária e radicular. A correlação entre a presença e distribuição clonal destas espécies e os tipos de lesões cariosas também foram verificados. O isolamento e posterior identificação bioquímica destas espécies foi realizado a partir de amostras de saliva, placa dental bacteriana e tecido das lesões de cárie. A fim de se confirmar a identidade molecular, S. mutans e S. sobrinus foram submetidos a técnica de PCR, utilizando-se os “primers” específicos para o gene da glucosiltransferase (gtfB e gtfI, respectivamente). A técnica de AP-PCR foi usada para detectar o polimorfismo genético destas espécies. Dentre as espécies isoladas, 82% foram identificadas bioquimicamente como Streptococcus do grupo mutans. Aplicando-se a técnica de PCR, 56% foram identificadas como S. mutans e 30% como S. sobrinus. Os indivíduos estavam colonizados por ambos S. mutans e S. sobrinus, bem como por um ou mais tipos clonais destas espécies. A freqüência de distribuição dos genótipos de S. mutans variou entre os diferentes sítios pesquisados. Bactérias capazes ou não de fermentar determinados açúcares, como a melibiose, puderam ser distinguidas pela técnica de AP-PCR.

Diferentes tipos clonais de Streptococcus do grupo mutans podem colonizar seletivamente sítios específicos da cavidade oral de um indivíduo, e podem apresentar propriedades fenotípicas diferentes. (Apoio financeiro: FAPESP – Processos: 00/03490-9; 00/06171-1).

A088

pH, capacidade tampão, concentrações de cálcio e fósforo nos alimentos infantis.

OLIVEIRA, F. S.*, PIN, M. L. G., SILVA, S. M. B., BUZALAF, M. A. R., MACHADO, M. A. A. M., GRANJEIRO, J. M., KIRA, C.

FOB – USP. Tel.: (0**14) 235-8246. E-mail: mbuzalaf@fob.usp.br

O objetivo deste estudo foi avaliar o pH, a capacidade tampão e as concentrações de Ca e P em bebidas e alimentos infantis. Dez produtos comercialmente disponíveis foram analisados: produtos lácteos (leite integral, fermentado, achocolatado e iogurte); sucos (laranja integral e de maçã); refrigerantes (Coca-Cola normal e “light”), e papinhas (frutas sortidas e sopinha cremosa). O pH foi medido com um pH-metro (Micronal B317). A capacidade tampão foi determinada através de titulação com NaOH 0,2 M, usando o mesmo aparelho. Foi calculado o número de adições (25 µl) para atingir o pH 5,5 e 7,0. As dosagens de Ca e P foram realizadas através da espectrometria de emissão atômica por plasma de argônio induzido (Espectrômetro Optima 3000 DV – Perkin Elmer). Coca-Cola normal e “light”, sucos de laranja e maçã, papinha de frutas sortidas e leite fermentado apresentaram valores médios de pH inferiores a 4,0. O leite fermentado, papinha de frutas sortidas, iogurte e sucos de laranja e de maçã apresentaram alta capacidade tampão. As concentrações (média ± DP; unidade ppm) de Ca e P foram: 1.037 ± 35 e 867 ± 17, 546 ± 22 e 431 ± 16, 776 ± 1 e 718 ± 9, 776 ± 29 e 940 ± 32, 40 ± 3 e 84 ± 6, 22 ± 1 e 47 ± 2, 15 ± 2 e 73 ± 6, 18 ± 0,1 e 132 ± 5, 47 ± 1 e 107 ± 3, 76 ± 2 e 475 ± 5, respectivamente para o leite integral, fermentado e achocolatado, iogurte, sucos de laranja e de maçã, Coca-Cola normal e “light”, papinha de frutas sortidas e cremosa.

O consumo de alimentos com baixo pH, alta capacidade tampão e baixa concentração de Ca e P pode representar um fator de risco tanto para a erosão quanto para a cárie dentária em crianças.

A089

Mudanças morfológicas de superfície seguida de clareamento.

OYAMA, K. O. N.*, GUIMARÃES, S. M. D. B., SIQUEIRA, E. L., AZAMBUJA Jr., N., SANTOS, M.

Departamento de Dentística – FOUSP. Fax: (0**11) 6748-3486. E-mail: oyama@originet.com.br

Técnica recente de clareamento de dentes vitais escurecidos envolve o uso de moldeira confeccionada e peróxido de carbamida a 10%. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito de 4 agentes clareadores sobre a superfície de esmalte, dentina e cemento. Para isto, 20 dentes anteriores extraídos, íntegros e sem cárie foram submetidos à profilaxia com ultra-som e autoclavados. Os dentes foram distribuídos casualmente em dez grupos. Cinco grupos tiveram a porção cementária completamente impermeabilizada com esmalte de unha e outros cinco grupos tiveram 1 mm de cemento sem a impermeabilização, adjacente à junção cemento-esmalte. Foi confeccionada moldeira em resina acrílica para cobrir completamente a porção coronária e um terço da raiz de cada dente. Os dentes foram reidratados e foram clareados com seguintes produtos: A-Nite-White, B-Sorriso, C-Review, D-Opalescence e E-água destilada como controle. A porção coronária e um terço da raiz dos dentes foi imersa diariamente no agente clareador por um período de 8 horas e 16 horas em água destilada, durante 20 dias. Cada dente teve dois terços da raiz removida e o remanescente foi clivado longitudinalmente no sentido vestíbulo-lingual em dois segmentos iguais, secos à temperatura ambiente e foram preparadas para observação em Microscópio Eletrônico de Varredura (MEV).

Todos os dentes tratados com agentes clareadores não mostraram alterações significantes em esmalte e dentina, mas no cemento mostraram múltiplas irregularidades e fragmentação da superfície.

A090

Monitoramento salivar de bebês atendidos na Bebê-Clínica da UNIGRANRIO.

ABREU, F. V.*, MIASATO, J. M., PESTANA, M.

Disciplina de Odontopediatria – FO – UNIGRANRIO; FESO - RJ. Tel.: (0**21) 611-3120. E-mail: volpe@montreal.com.br

O presente estudo tem por objetivo avaliar a microbiota salivar dos bebês que participam do Programa de Atenção na Primeira Infância (Educação em saúde – técnica do grupo focal – e acompanhamento clínico de 3/3 meses) da FO – UNIGRANRIO. Para a realização deste trabalho foi utilizado o teste de saliva “No Caries 1 e 2” e as crianças foram classificadas de acordo com o grau de infecção salivar em 4 categorias: A (+ +), B (– +), C (+ –) e D (– –). Foi avaliada a condição salivar de 41 bebês de ambos os sexos, com idade variando de 5 a 36 meses. Todas as mães destas crianças já participaram da educação em saúde e 16 bebês estavam fazendo o primeiro exame clínico, enquanto os outros 25 já participavam do Programa por, pelo menos 3 meses (tempo no programa - de 3 a 31 meses; média 7,44 ± 8,74 meses). Todas essas crianças já apresentavam pelo menos 1 dente erupcionado (média 9,80 ± 6,48) e tinham o índice ceo-d = 0. Em relação ao monitoramento salivar, 38 (92,7%) dos bebês estavam na categoria A (pior classificação), 1 (2,4%) foi B e 2 (4,9%) foram C. Constatou-se, também, que 20 (48,8%) destes bebês, embora o resultado final do exame tenha apresentado-se crítico, estavam com a capacidade tampão ainda não esgotada.

Apesar do teste salivar ter mostrado que o nível de infecção destes bebês não está compatível com a saúde da boca, as estratégias adotadas pelo Programa demonstraram eficiência.

A091

Detecção do gene vapp em Actinobacillus actinomycetemcomitans isolados de diferentes localizações geográficas.

QUEIROZ, A. C.*, MAYER, M. P. A.

Departamento de Microbiologia – Instituto de Ciências Biomédicas II – USP.

O gene vapp, homólogo a genes vapp existentes nas cepas virulentas de Dichelobacter nodosus e Helicobacter pylori foi seqüenciado na cepa Y4 de Actinobacillus actinomycetemcomitans (MAYER et al., 1999) isolada de um paciente com Periodontite Juvenil Localizada (PJL), produtora de baixos níveis de leucotoxina. No presente estudo, analisamos a presença do gene vapp em 39 amostras de Actinobacillus actinomycetemcomitans, provenientes do Brasil, Quênia, Japão, Suécia e EUA. Vinte e seis entre as 39 amostras analisadas apresentaram ampliação quando utilizados “primers” homólogos ao gene vapp (cepa Y4) e treze não apresentaram. O gene vapp foi observado em amostras isoladas de todas as localizações geográficas estudadas, demonstrando que em Actinobacillus actinomycetemcomitans este não é restrito a determinado clone ou a isolados de determinada região.

Não foi observada relação entre a detecção do gene vapp, nas cepas de Actinobacillus actinomycetemcomitans e as formas mais agressivas de doença periodontal. (FAPESP: 98/15596-4.)

A092

Fluorose dentária em escolares da zona sul de São Paulo.

BUSCARIOLO, I. A.*, PENHA, S. S., ADDE, C. A., TORTAMANO, N.

Disciplina de Clínica Integrada – Departamento de Estomatologia – FOUSP. Tel.: (0**11) 3091-7813.

Nesse estudo avaliamos a prevalência de fluorose dentária em escolares residentes e nascidos no município de São Paulo, cuja água de abastecimento público apresenta flúor em concentração de 0,7 ppm. Essa fluoretação data de 1989, quando ainda não havia fontes alternativas de flúor, e foi responsável direta pela queda do índice de CPOD. Recentemente, muitas outras fontes de flúor foram incorporadas, como os dentifrícios e as soluções para bochecho elevando a biodisponibilidade do flúor e resultando no surgimento da fluorose dentária. Escolares de ambos os sexos, na faixa etária dos 8 aos 16 anos de idade, matriculados na rede de ensino público municipal, foram examinados para investigação da fluorose dentária. Utilizando-se o índice de Thylstrup e Fejerskov (TF). Verificou-se que 48,6% da amostra de 956 estudantes apresentaram TF maior ou igual a 1. Houve predomínio em 61,5 % do TF = 1, 29,9 % do TF = 2 e 11,5 % do TF = 3, o restante encontrou-se distribuído nos TF = 4, 5 e 6. As condições de saúde bucal foram também avaliadas, e pôde-se verificar que o índice CPOD continua em franca queda e que grande parte dessa amostra (69%) apresentou alguma oclusopatia.

Esses dados sugerem que novas e futuras pesquisas deverão ser realizadas, na tentativa de estabelecer a posologia adequada dos fluoretos, de forma a oferecer máximo benefício e mínimo efeito deletério à população consumidora.

A093

Associação de clorexidina e própolis atuando na inibição da aderência de Streptococcus spp.

SWERTS, M. S. O.*, COSTA, A. M. D. D., PAOLIELLO, R. C., FIORINI, J. E.

Clínica Odontológica – UFRJ; UNIFENAS - MG.

E-mail: mariosergio.swerts@unifenas.br

Este estudo avaliou in vitro a associação de gluconato de clorexidina (Periogard® Colgate) e própolis (Apis Flora®) formulando um composto a 0,12%, no intuito de se contribuir para obtenção de um novo meio preventivo de periodontopatias. A solução associada a 0,12% e a solução de gluconato de clorexidina (Periogard® Colgate) a 0,12% (controle), grupos separados, foram diluídas em várias concentrações para comprovação do potencial inibitório. As concentrações que variaram de 120 µg/ml a 0,06 µg/ml foram adicionadas em um meio de crescimento microbiano com sacarose a 5%. Ambas foram adicionadas em um sistema formado por tubos de vidro de 12 x 150 mm contendo no seu interior bastões capilares de 75 mm com formato de bengala para a adesão bacteriana. Posteriormente, inoculou-se 0,1 ml de Streptococcus mutans, grupo I (ATCC 25175), Streptococcus sanguis, grupo II (ATCC 10557) e Streptococcus salivarius, grupo III (CDC 262). A incubação foi realizada a 35,5ºC por 48 h em microaerofilia. Fez-se a pesagem das bengalas, relacionando-as às concentrações de cada tubo. Aplicando o teste “t” de Student ao nível de 5% de significância, a solução associada a 0,12% foi mais eficiente na inibição da aderência bacteriana que o grupo controle. A primeira obteve um “t” calculado de 3,32, 5,10 e 5,59 para Streptococcus mutans, sanguis e salivarius, respectivamente, em “t” tabelado = 2,36. Enquanto que a solução de gluconato de clorexidina (Periogard® Colgate) a 0,12% alcançou para as cepas de Streptococcus mutans, sanguis e salivarius, “t” calculado = 3,36, 5,57 e 6,39, respectivamente, onde os maiores valores indicaram maior adesão bacteriana.

A094

Avaliação da concordância entre diferentes métodos de diagnóstico de lesões de cárie.

ROCHA, R. O.*, ARDENGHI, T. M., OLIVEIRA, L. B., RODRIGUES, C. R. M. D., CIAMPONI, A. L.

Disciplina de Odontopediatria – FOUSP. Tel.: (0**11) 3091-7814. E-mail: rr10@ig.com.br

O objetivo deste trabalho foi avaliar in vivo a concordância dos métodos visual, radiográfico e fluorescência a laser (DIAGNOdent – KaVo) na detecção de lesões de cárie dentária em superfícies oclusais de molares decíduos. A amostra foi composta por 122 molares decíduos (225 sítios) de 30 crianças (9 e 11 anos de idade). Dois examinadores realizaram o diagnóstico da presença ou não de lesão de cárie, em condições padronizadas, seguindo os critérios: (0) sítio hígido; (1) lesão em esmalte e (2) lesão em dentina. Os dados obtidos foram submetidos ao teste estatístico Cohen’s Kappa e estão dispostos na tabela (valor de “k”):

Examinador/Método

Visual

Radiográfico

Laser

A X A

0,45

0,64

0,56

B X B

0,63

0,85

0,57

A X B

0,58

0,44

0,59

Conclui-se que, de acordo com a avaliação feita, o ferro encontrado em excesso na água da comunidade é a causa do aparecimento de manchas escuras e difusas na superfície do esmalte, que são facilmente removidas com profilaxia em consultório dentário e não recidivam quando descontinuado o uso da água.

A095

Mutacinas: espectro de ação e amplificação dos genes mutA em Streptococcus mutans isolados de indivíduos livres de cáries e cárie-ativos.

LONGO, P. L.*, MATTOS-GRANER, R., MAYER, M. P. A.

Departamento de Microbiologia – Instituto de Ciências Biomédicas – USP.
 Tel.: (0**11) 3091-7348, 3091-7354. E-mail: priscilalongo@usa.net

Streptococcus mutans produz uma substância bactericida protéica denominada mutacina. Existem 4 grupos descritos de mutacinas e já foram seqüenciados os genes estruturais responsáveis pela sua produção (mutA I, II, III e IV). Neste trabalho, através do antagonismo posposto, 22 cepas de S. mutans isoladas de crianças livres de cáries ou cárie-ativas e com hábitos dietéticos semelhantes foram testadas quanto a produção de mutacinas usando como indicadoras espécies de estreptococos e Neisseria subflava. Os resultados foram analisados medindo-se o diâmetro dos halos inibitórios do crescimento das bactérias indicadoras. Todas as cepas produziram halo inibitório do crescimento de pelo menos uma das amostras indicadoras. Três cepas produziram halos inibitórios pequenos em estreptococos, porém grandes em N. subflava, exibindo um espectro ainda não descrito entre as mutacinas. Através da análise estatística pelo método de Fisher não foi possível detectar diferença significativa entre a produção e sensibilidade às mutacinas entre cepas isoladas de crianças cárie-ativas e livres de cáries. A amplificação dos genes mutA foi realizada usando-se iniciadores homólogos aos genes mutA das mutacinas tipos I, II e III. Como controle foram usados iniciadores homólogos ao gene gtfB, específicos para S. mutans. Em apenas uma amostra clínica foi observada amplificação do gene mutA II. As demais amostras não apresentaram amplificação de nenhum gene mutA.

Os resultados sugerem que as mutacinas fazem parte de um grupo muito heterogêneo, que abriga mais divisões do que as 4 descritas. (Apoio: FAPESP – Processo: 99/07687-2.)

A096

Efeito erosivo de um vinho tinto brasileiro sobre esmalte bovino.

HUGO, F. N.*, PADILHA, D. M. P., SOUSA, M. A. L. de

Faculdade de Odontologia – UFRGS; Faculdade de Biociências, IGG – PUCRS.

O consumo de vinho está associado ao risco de erosão dentária. O objetivo deste trabalho é descrever o efeito erosivo in vitro de um vinho tinto brasileiro sobre o esmalte bovino previamente imerso em saliva humana e água. Blocos de esmalte foram cortados com disco diamantado, lavados com água destilada, sonicados, secos e as faces cortadas. As metades das superfícies cobertas com esmalte de unhas. Metade dos blocos foram mantidos em água e o resto imersos em saliva humana total por 12 h. Depois disso as peças foram lavadas e imersas no vinho por 1 h, lavadas novamente, sonicadas em acetona, lavadas e deixadas para secar. Foram então montadas em “stubs” e metalizadas com ouro para microscopia eletrônica de varredura. O pH do vinho foi medido antes do início do estudo. Os espécimes foram investigados sob pequenos e grandes aumentos seguindo-se a borda de esmalte de unhas para que se detectassem mudanças na superfície do esmalte. Não houve diferenças nos aspectos da erosão ocorridos tanto no grupo de blocos imerso em saliva como no em água. O espectro do efeito erosivo em ambos os grupos foi similar. Poucos efeitos erosivos foram observados em alguns blocos, resultado do alargamento de ranhuras fisiológicas do esmalte. Quando as erosões eram mais pronunciadas as ranhuras desapareciam. Onde houve erosão severa, foi possível reconhecer o aspecto de favos de mel dos prismas, que algumas vezes eram rasos, outras profundos.

Concluiu-se que esmalte bovino imerso em vinho tinto com pH 4,55 por 1 h sofreu erosão. Nas condições do experimento, a saliva não protegeu a superfície do esmalte.

A097

Procedimentos realizados por dentistas no controle de infecção.

MENDONÇA, M. J.*, PAVARINA, A. C., VARJÃO, F. M., MACHADO, A. L., GIAMPAOLO, E. T., VERGANI, C. E.

Departamento de Materiais Odontológicos e Prótese – Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP. Fax: (0**16) 201-6406. E-mail: cucci@foar.unesp.br

A utilização de procedimentos efetivos para o controle de infecção no consultório odontológico pode prevenir a contaminação cruzada entre dentistas, equipe odontológica, técnicos de laboratório e pacientes. O objetivo deste estudo foi identificar os materiais e métodos utilizados pelos dentistas no consultório para o controle de infecção. O questionário, aplicado por meio de entrevista, era constituído de 20 questões relacionadas à prática habitual de controle de infecção, relativas a desinfecção de próteses e outros trabalhos laboratoriais. De acordo com os resultados foi possível verificar que 95% dos entrevistados têm consciência sobre o potencial de transmissão de microorganismos patogênicos para o laboratório de prótese por meio de trabalhos protéticos contaminados. Além disso, 87% dos dentistas acreditam que doenças infecciosas podem ser transmitidas do laboratório para o consultório odontológico. Cinqüenta e oito por cento dos entrevistados desinfetam as próteses antes de enviá-las ao laboratório. Por outro lado, somente 33% dos profissionais desinfetam as próteses novas provenientes do laboratório. Os tipos de agentes químicos utilizados para desinfecção são variados. Os profissionais geralmente usam luvas (100%) e máscaras (95%), mas somente 67% usam óculos de proteção.

Os resultados deste estudo demonstraram que os procedimentos para o controle de infecção cruzada variam significativamente entre os consultórios, e vários dentistas ainda enviam trabalhos contaminados ao laboratório.

A098

Análise do potencial antimicrobiano de medicações intracanal utilizadas em Endodontia.

NASSRI, M. R. G.*, MARTINELLI, F., PORTES, M. L., PIETRO, R., LIA, R. C. C.

Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP. Tel.: (0**16) 603-6717.

O objetivo do presente estudo foi determinar a ação antimicrobiana de duas substâncias – NDP e PRP – utilizadas como medicação intracanal em endodontia, quando em contato com bactéria comumente encontrada no canal radicular, Staphylococcus aureus (ATCC), em meios de cultura sólido e líquido. A infusão bacteriana foi preparada utilizando meio BHI, correspondente a 0,5 da escala MacFarland. Para o meio sólido, foi realizado o experimento em duas camadas de meio de cultura sobre a placa de Petri. Na base foram colocados 10 ml de Müller-Hinton e, após sua solidificação, uma outra camada, também de 10 ml, preparada com infusão de bactéria diluída em 5:10, meio BHI e 5 ml de Müller-Hinton. Feito isto, foram espalhados aleatoriamente na placa de Petri, discos de filtro previamente embebidos das substâncias testadas e soro fisiológico, usado como controle negativo. Em cada placa foram colocados vários discos contendo uma única substância-teste. Para o meio líquido (BHI), foram colocados em tubos 2 ml de meio BHI acrescidos de uma mistura de 5 ml de 2:10 de infusão bacteriana e BHI, previamente preparada. Em cada tubo foi colocado apenas um disco de filtro. As placas e os tubos foram armazenados em estufa, e após 24 horas, os resultados foram obtidos.

Foi concluído que houve formação de halos de inibição quando do uso das medicações PRP e NDP, sendo que o PRP mostrou maiores halos de inibição, indicando maior potencial antimicrobiano. Em meio líquido houve crescimento bacteriano em todos os tubos.

A099

Efeito da oclusão e do grau de higienização na atividade de bactérias causadoras da doença cárie.

FRANCISCO, M. G., GARROTE, C. S., JORGE, A. O. C., PORTO, C. L. A., FARIA, I. S.

São Paulo.

O biofilme (placa bacteriana) é considerado o fator etiológico determinante da cárie dentária e, por isso observa-se a importância do papel da higiene oral na promoção e prevenção da saúde bucal. Os métodos de remoção do biofilme das superfícies do dente através da escovação representam um meio eficaz e de grande amplitude na população e têm como finalidades diminuir as concentrações bacterianas e prevenir a cárie. Os contatos oclusais também apresentam influência significativa sobre a remoção da placa bacteriana nestas superfícies dentais. Este estudo visa observar se o efeito mecânico da oclusão poderá ou não atuar sobre a quantidade de bactérias cariogênicas. O objetivo será verificar este efeito da oclusão e do grau de higienização na quantidade de S. mutans em relação às fóssulas funcionais e não funcionais de primeiros molares inferiores. Para tanto serão selecionados, no momento da triagem e 30 dias após a motivação para os procedimentos de higienização, 10 fóssulas mesiais e 10 fóssulas centrais de dentes primeiros molares inferiores humanos íntegros de pacientes com idade média de 8 anos e com oclusão 1:2 (cúspide crista). As amostras serão obtidas com a utilização de cone de papel absorvente estéril e imediatamente após a coleta, estes cones serão imersos em solução salina e semeados em meio de cultura seletivo para o desenvolvimento de Streptococcus mutans.

A100

Avaliação da inibição bacteriana dos dentifrícios “naturais”.

MORAIS, A. P.*, VELMOVITSKY, L., MOTTA, L., MEDEIROS, U. V., UZEDA, M.

UFRJ; UFF; UNIVERSO. E-mail: andmor@highway.com.br

Foi avaliada a capacidade inibitória mínima (CIM), in vitro, de 4 dentifrícios contendo agentes considerados “naturais” – Sorriso Herbal® (SH), Malvatricin® (M), Gessy Cristal® (GC) e Paradontax® (P), sobre cepas bacterianas envolvidas no processo de cárie (Streptococcus mutans, Streptococcus sobrinus e Lactobacillus casei – padrão ATCC). Foram testadas, em triplicata, uma solução concentrada com 3 g de cada dentifrício para 10 ml de água deionizada e diluições seriadas de 1:2, 1:4, 1:8, 1:16, 1:32 e 1:64 dessa solução. O dentifrício GC não apresentou inibição bacteriana em nenhuma das concentrações e nas diluições 1:16, 1:32 e 1:64 nenhum dentifrício foi eficaz. Os dentifrícios mais eficazes na inibição global, ou seja, somada a CIM das 3 cepas, com a solução concentrada, foram em ordem decrescente: M (31,3 mm), SH (16,6 mm) e P (13,7 mm). Nas diluições 1:2 e 1:4 apenas SH apresentou inibição para as três cepas (somatório de 8 mm e 4 mm respectivamente). O dentifrício M, nas diluições 1:2, 1:4 e 1:8, só foi eficaz para Streptococcus sobrinus com CIM de 11 mm, 7 mm e 5,7 mm respectivamente.

Conclui-se que, nas condições propostas, o GC não possui atividade antibacteriana; o M obteve melhor desempenho na inibição global e produziu inibição, mesmo que de uma única cepa, nas maiores diluições porém SH foi o dentifrício que manteve-se efetivo para uma maior variedade de cepas mesmo quando diluído.

A101

Concentração de flúor em medicamentos pediátricos e risco de fluorose dental.

ANZAI, A.*, RIZZI, R. I., FURLANI, T. A., SILVA, T. L., SILVA, S. M. B., BUZALAF, M. A. R.

Departamento de Ciências Biológicas – FOB – USP. Tel.: (0**14) 235-8346. E-mail: mbuzalaf@fob.usp.br

Os índices de fluorose dental têm aumentado em todo o mundo nos últimos anos. Isto se deve ao consumo de flúor (F) a partir de várias fontes. Assim, todas as fontes possíveis de F consumidas por crianças na faixa etária de risco para fluoros